sábado, 17 de novembro de 2007

Continuação do IX Capítulo

Foram tantas as vezes que desejei ser perfeita.
Tantas vezes desejei ser tudo aquilo com que um dia sonhaste.
Mas não sou.
Estou muito longe de o ser.
Sempre desejei ser daquele tipo de raparigas cheias de qualidades e pobres em defeitos, de quem é impossível não gostar.
‘Tá bem, ‘tá!
Fizeram-me exactamente ao contrário.
Beleza?! Ah! Quando Deus distribuiu a beleza pela humanidade eu devia estar na casa de banho a mudar o tampão!
Tive uma sorte do caraças pois consegui uma ou duas qualidades numa promoção generosa, e gostarem de mim, só um grupo muito restrito de totós é que conseguia aturar-me.
Eu era verdadeiramente impossível!
O meu humor parecia um elevador dum hotel super concorrido., ora estava na cave, ora estava na Penthouse.
Por vezes passava-me uma coisa má pelos olhos e disparava a minha raiva contra todos ao mínimo movimento. Outras vezes mergulhava num estado de depressão tão profundo que bastava um pequeno toque para que eu me desfizesse em pó.
Eu era realmente impossível!
Não sei como conseguiste aturar-me…
Talvez fosse a tua infinita paciência. Era por isso que eu te adorava.
Mas perfeição?... Bah!! Ninguém é perfeito. Pelo menos perfeito no sentido geral. Agora apercebo-me que o mais importante é sermos perfeitos para alguém e que esse alguém seja perfeito aos nossos olhos.
Tu também não eras a melhor coisa que se inventou depois da batata frita, é bom que se note.
Tinhas toneladas de defeitos absolutamente detestáveis, mas sabes, até aos defeitos eu achava graça.

Eras perfeitamente imperfeito…
Era por isso que nos dávamos tão bem…
Cabrão!
“Vaca”!
Ai!... Vamos lá ver se não queres levar um enxerto de porrada?
“E vamos lá ver se não queres levar uma nos cornos!”
Palhaço!
Puta leprosa!
Vês?! É disto que eu estou a falar, da forma como nos dávamos reluzentemente bem.
Podíamo-nos insultar com as palavras mais ordinárias e com os adjectivos mais grosseiros porque no fundo nenhum dos dois sentia o que dizia.
Era falar por falar.
Talvez tenha sido esse o nosso mal…
Sempre falámos muito, mas nunca dissemos nada.
Encarregámo-nos de esconder mutuamente até os sentimentos mais inocentes como se fossemos inimigos mortais..
Era permitido contar tudo a todos, fosse o que fosse, não importava. Mas quando se tratava de falar um com o outro… O silêncio era de ouro e deixávamos que as nossas mãos, os nossos olhos, os nossos gestos falassem por nós.
Era melhor assim.
Eu preferia assim.
Apesar da minha fama de boa comunicadora, nunca me entendi muito bem com as palavras, nem sequer as sabia utilizar na altura apropriada.
Aí fazia o que sempre fiz, deixava que o resto falasse por mim.
Por vezes dava-me bem.
Outras nem por isso…
Mas que se lixe! Não se pode ganhar sempre, n’est-ce pas vrai?

1 comentário:

ti...* disse...

hahahaha... PUTA leprosa!!!!!


Adorei!!!

resolveste tirar o livro do baú?...ja não me lembrava de "maior parte" do texto, hoje quando li esta pedaço ri horrores!!! hehehe...

beijos... dia 23 de dezembro estarei de volta a tugalandia!!! temos que programar um jantar para essa semana pq depois eu vou passar ums tempos em vila real...
e contigo está tudo bem??...