Sabes que dia é hoje?
É Natal…
“O Natal é quando o Homem quiser!”
Grande peta!
O Natal é só no dia 25 de Dezembro e é preciso ter dinheiro para isso.
Lembro-me de que quando estava viva não achava piada nenhuma ao Natal. Aliás, até me dava raiva todo aquele desperdício de electricidade nas ruas iluminadas, o sorriso estúpido no rosto das criancinhas, o instinto consumista que entrava em erupção, o “tlim” das máquinas registadoras que abriam e fechavam sem parar…
Odiava tudo isto!...
Mas sabes o que eu odiava mais? Mais do que tudo isto era o facto de passar o Natal sozinha.
Nunca tive a família toda em volta da árvore a abrir os presentes.
Ficava à espera que o Pai Natal descesse pela chaminé que não havia, mas ele nunca apareceu…
Estou a ser demasiado piegas… não ligues!
A verdade é que nem todos os meus Natais foram maus, mas dos bons eu não me consigo lembrar.
Estava sozinha…
Tal como estou agora…
É noite de Natal…
Vagueio pelas ruas desertas e iluminadas.
Cânticos de Natal vêm-me fazer companhia e trazem com eles o cheiro da comida da casa das pessoas.
Estão todas tão felizes!
E eu estou sozinha…
Tal como para um vagabundo, não existe Natal para mim. Não tenho uma casa para onde ir, não tenho um presente à minha espera, não tenho ninguém que me sorri e me deseja feliz Natal.
Mais uma vez estou só…
Não tive coragem para ir a minha casa e muito menos à tua. Seria demasiada tortura ver a tua felicidade e compará-la com a minha tristeza. Seria tortura a mais…
Acho que vou subir a um qualquer telhado e tentar esquecer o Natal…
Só por hoje…
Imaginar que estou contigo.
Que estamos nataliciamente felizes.
Imaginar que não estou só porque te tenho a ti.
Apetece-me suicidar-me...
Têm razão quando dizem que esta é uma das piores alturas do ano para os suicidas.
“Enquanto uns abrem os presentes, outros abrem os pulsos”.
É exactamente o que me apetece fazer agora.
Morrer…
Docemente…
Ao som dos cânticos de Natal…
Como um passarinho que fica preso na neve e morre aos poucos de frio.
Devagarinho…
Silenciosamente…
Protegida pelo sorriso dos outros… pelo cheiro a peru… Iluminada pelas luzes que brilham na rua.
Com aquela sensação de paz que se tem no coração quando estamos quase a adormecer…
Docemente…
Levar-te na alma…
Apetece-me morrer…
Só por hoje… voltar amanhã…
Apetece-me morrer.
Mas desta vez a sério.
Com tudo aquilo a que tenho direito.
Quero anjos… anjos que venham do céu para me buscar. Quero que venham montados em cavalos selvagens…como as valquírias…
Quero-te a ti.
Meu eterno Anjo de Olhos Tristes…
O meu Anjo…
Onde estás tu agora quando eu mais preciso de ti? Logo agora que me sinto voar e não tenho para onde ir.
É tudo tão triste…
Não! Não quero voltar a chorar!... Não vale a pena.
Sabes qual é o mal de tudo?! É a música!
São estes odiosos cânticos de Natal que as pessoas ouvem!
Acho que vou fazer o meu próprio cântico de Natal…
Só com violinos… e violoncelos.
Deitar fogo a todos eles!
Imagina como seria belo… Um Natal ao som de violoncelos e violinos em chamas…
Como seria belo o teu rosto iluminado pelas chamas…
Deus do Céu!!!
É tudo tão belo… É tudo tão triste…
Estou tão cansada…
Apetece-me morrer… Só por hoje.
O Pai Natal deixou-me um presente. A tua imagem emoldurada num pensamento breve.
Estavas tão feliz…
E eu fiquei tão feliz…
Acho que é altura de partir.
Até amanhã…
Feliz Natal Meu Doce Anjo….
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
XII Capitulo
Imagina como seris estar viva de novo…
É um bocado difícil…
É como imaginar alguém feio que de repente se torna bonito. É como imaginar que o Sol ilumina a noite e a Lua aquece o dia. É como imaginar que Deus afinal é um cabrão safado que se diverte a lixar a vida dos outros e o Diabo, coitadinho, afinal é o bom da fita.
Imagino todas as coisas que eu poderia estar a fazer se ainda pertencesse ao mundo dos vivos…
Lembras-te do meu riso que ecoava por todos os cantos num raio de 5 km… ou o meu ar de superioridade perante todas as forças destrutivas deste mundo… ou o meu sorriso cínico que eu generosamente distribuía por todos aqueles que eu detestava…
Lembras-te?
Imagina-me a fazer tudo isto de novo.
Sinceramente, sob este ponto de vista, acho que o mundo não perdeu nada com o meu desaparecimento.
É realmente frustrante…
Eu não fiz nada durante a minha efémera passagem por este mundo.
Em dezasseis anos de miserável existência eu não consegui fazer nada de bom, nada que marcou o mundo… Não marquei presença na vida de ninguém.
Como eu gostaria de saber se sentes a minha falta….Se te arrependeste daquilo que me fizeste… Se tens saudades do tempo em que fomos felizes…
Eu poderia saber tudo isto. Como morta tenho esse poder. Mas tenho medo… Talvez porque algo dentro de mim já conheça a resposta e eu tenha medo de a ouvir de novo.
Seria demasiado cruel para mim saber que fui apenas mais uma pessoa que cruzou o teu caminho e que ficou para trás.
Tenho medo de descobrir que afinal não fui ninguém e que nem faz sentido chamar-me “morta” pois requer existir primeiro vida para depois existir a morte.
Tenho medo de descobrir que afinal nem sequer existi…
Foi tudo um sonho…
Foi tudo um sonho…
E eu acordo de manhã na minha cama e sou alguém completamente diferente… Tu nunca exististe na minha vida…
Apenas um sonho…
“Faz um filho, escreve um livro e planta uma árvore.”
Era este o conselho que davam a quem queria deixar uma marca neste mundo.
“Faz um filho….” Não tive tempo para isso. Além do mais acho que seria uma péssima mãe, e a última coisa que eu queria era contribuir para a infelicidade de mais um ser neste planeta.
“Escreve um livro…” Neste ponto eu tentei, juro que tentei, mas eu não nasci dotada de talento e todos aqueles que eu comecei ficaram por acabar pois eram demasiado maus para terem um fim digno.
“Planta uma árvore.” Este ponto concretizei pouco tempo antes de morrer mas não me realizou em nada. Quem se lembra que um dia eu contribui para que haja mais uma ínfima percentagem de oxigénio no planeta? A memória das árvores é muito breve e dura o mesmo que uma moto-serra demora a cortá-las.
A minha vida foi um vazio…
É um bocado difícil…
É como imaginar alguém feio que de repente se torna bonito. É como imaginar que o Sol ilumina a noite e a Lua aquece o dia. É como imaginar que Deus afinal é um cabrão safado que se diverte a lixar a vida dos outros e o Diabo, coitadinho, afinal é o bom da fita.
Imagino todas as coisas que eu poderia estar a fazer se ainda pertencesse ao mundo dos vivos…
Lembras-te do meu riso que ecoava por todos os cantos num raio de 5 km… ou o meu ar de superioridade perante todas as forças destrutivas deste mundo… ou o meu sorriso cínico que eu generosamente distribuía por todos aqueles que eu detestava…
Lembras-te?
Imagina-me a fazer tudo isto de novo.
Sinceramente, sob este ponto de vista, acho que o mundo não perdeu nada com o meu desaparecimento.
É realmente frustrante…
Eu não fiz nada durante a minha efémera passagem por este mundo.
Em dezasseis anos de miserável existência eu não consegui fazer nada de bom, nada que marcou o mundo… Não marquei presença na vida de ninguém.
Como eu gostaria de saber se sentes a minha falta….Se te arrependeste daquilo que me fizeste… Se tens saudades do tempo em que fomos felizes…
Eu poderia saber tudo isto. Como morta tenho esse poder. Mas tenho medo… Talvez porque algo dentro de mim já conheça a resposta e eu tenha medo de a ouvir de novo.
Seria demasiado cruel para mim saber que fui apenas mais uma pessoa que cruzou o teu caminho e que ficou para trás.
Tenho medo de descobrir que afinal não fui ninguém e que nem faz sentido chamar-me “morta” pois requer existir primeiro vida para depois existir a morte.
Tenho medo de descobrir que afinal nem sequer existi…
Foi tudo um sonho…
Foi tudo um sonho…
E eu acordo de manhã na minha cama e sou alguém completamente diferente… Tu nunca exististe na minha vida…
Apenas um sonho…
“Faz um filho, escreve um livro e planta uma árvore.”
Era este o conselho que davam a quem queria deixar uma marca neste mundo.
“Faz um filho….” Não tive tempo para isso. Além do mais acho que seria uma péssima mãe, e a última coisa que eu queria era contribuir para a infelicidade de mais um ser neste planeta.
“Escreve um livro…” Neste ponto eu tentei, juro que tentei, mas eu não nasci dotada de talento e todos aqueles que eu comecei ficaram por acabar pois eram demasiado maus para terem um fim digno.
“Planta uma árvore.” Este ponto concretizei pouco tempo antes de morrer mas não me realizou em nada. Quem se lembra que um dia eu contribui para que haja mais uma ínfima percentagem de oxigénio no planeta? A memória das árvores é muito breve e dura o mesmo que uma moto-serra demora a cortá-las.
A minha vida foi um vazio…
domingo, 23 de dezembro de 2007
XI Capitulo
Nada acontece.
Nunca…
Não há sol que te queime nem chuva que dissolva a máscara da máscara que um dia criaste.
Tal como o resto da humanidade, também tu nasceste da falta de imaginação de dois amantes numa noite de insónia.
De que nos serve estarmos vivos se não para dissertarmos todas as nossas angustias?
Que nos importa saber que a vida se fenece?
De que nos serve saber que estamos vivos?
Anormalmente vivos…
O Tempo não é mais que um vazio morto entre duas coisas que acontecem.
O Tempo…
É com obsessão que o tento agarrar.
E o Tempo escapasse sempre por entre os meus dedos como grãos de areia.
O Tempo…
Antigamente aborrecia-me. Via-o como um inimigo irritante que passava por mim quando menos o queria ver.
Agora vejo-o como um amigo de longa data que eu procuro desesperadamente, mas do qual desconheço o número de telefone ou a morada.
Nada acontece…
Nunca.
O Tempo senta-se à minha frente e olha-me com olhos tristes, como se fosse um cão a pedir-me para ir à rua.
E eu sinto que tenho tempo para tudo, menos para levar o Tempo a passear
Sinto-me triste…
O Tempo nunca foi meu…
Agora estou a viver em todos os oceanos…
Finalmente descobri o que é que o rapaz fez com a minha velha carcaça.
Sem saber ele realizou o meu último desejo.
É tão estranho estar a passar por isto, e mais estranho ainda é poder contá-lo, mas…
Vi-me morta.
É uma sensação peculiar, acredita. Muito difícil de colocar em palavras pois ninguém vivo a poderá sentir.
Olhar a minha carne seca e acinzentada que já mal conseguia cobrir os ossos e os tendões, o meu cabelo estava sujo e desgrenhado, e os meus olhos… já não estavam , nas órbitas, que eram dois buracos escuros. Ali estava eu, apenas uma casca vazia, como o exoesqueleto de um insecto morto.
O que sentir num momento destes?
Foi o rapaz que trouxe o meu corpo até esta praia.
E nesta mesma praia ele fez a minha cremação.
Tive direito a um funeral celta improvisado com um equipamento desportivo dos tempos modernos. Graciosamente ele substituiu a jangada de troncos de carvalho por uma prancha de surf, e empurrou-me para longe da costa, enviando-me para o meu descanso como os antigos reis e guerreiros.
O que sobrou foram apenas as minhas cinzas que se misturaram com a espuma do mar.
Estou feliz…
Fiquei feliz com o meu fim.
Estúpido, bem sei, mas é como se a minha vida fosse uma peça de teatro à qual fui assistir, e a última cena é exactamente esta: o meu corpo a arder no meio do mar.
E quando finalmente cai o pana, eu levanto-me, aplaudo calorosamente e regresso a casa com a agradável sensação no coração de que o final da peça foi perfeito.
Quanto ao rapaz… Não sei.
A tristeza ainda habita os seus lindos olhos negros, e o vazio não se consumiu com o fogo.
Ainda assim uma parte de mim ficou com aquele rapaz.
Uma parte de mim que eu nunca esquecerei…
Nunca…
Não há sol que te queime nem chuva que dissolva a máscara da máscara que um dia criaste.
Tal como o resto da humanidade, também tu nasceste da falta de imaginação de dois amantes numa noite de insónia.
De que nos serve estarmos vivos se não para dissertarmos todas as nossas angustias?
Que nos importa saber que a vida se fenece?
De que nos serve saber que estamos vivos?
Anormalmente vivos…
O Tempo não é mais que um vazio morto entre duas coisas que acontecem.
O Tempo…
É com obsessão que o tento agarrar.
E o Tempo escapasse sempre por entre os meus dedos como grãos de areia.
O Tempo…
Antigamente aborrecia-me. Via-o como um inimigo irritante que passava por mim quando menos o queria ver.
Agora vejo-o como um amigo de longa data que eu procuro desesperadamente, mas do qual desconheço o número de telefone ou a morada.
Nada acontece…
Nunca.
O Tempo senta-se à minha frente e olha-me com olhos tristes, como se fosse um cão a pedir-me para ir à rua.
E eu sinto que tenho tempo para tudo, menos para levar o Tempo a passear
Sinto-me triste…
O Tempo nunca foi meu…
Agora estou a viver em todos os oceanos…
Finalmente descobri o que é que o rapaz fez com a minha velha carcaça.
Sem saber ele realizou o meu último desejo.
É tão estranho estar a passar por isto, e mais estranho ainda é poder contá-lo, mas…
Vi-me morta.
É uma sensação peculiar, acredita. Muito difícil de colocar em palavras pois ninguém vivo a poderá sentir.
Olhar a minha carne seca e acinzentada que já mal conseguia cobrir os ossos e os tendões, o meu cabelo estava sujo e desgrenhado, e os meus olhos… já não estavam , nas órbitas, que eram dois buracos escuros. Ali estava eu, apenas uma casca vazia, como o exoesqueleto de um insecto morto.
O que sentir num momento destes?
Foi o rapaz que trouxe o meu corpo até esta praia.
E nesta mesma praia ele fez a minha cremação.
Tive direito a um funeral celta improvisado com um equipamento desportivo dos tempos modernos. Graciosamente ele substituiu a jangada de troncos de carvalho por uma prancha de surf, e empurrou-me para longe da costa, enviando-me para o meu descanso como os antigos reis e guerreiros.
O que sobrou foram apenas as minhas cinzas que se misturaram com a espuma do mar.
Estou feliz…
Fiquei feliz com o meu fim.
Estúpido, bem sei, mas é como se a minha vida fosse uma peça de teatro à qual fui assistir, e a última cena é exactamente esta: o meu corpo a arder no meio do mar.
E quando finalmente cai o pana, eu levanto-me, aplaudo calorosamente e regresso a casa com a agradável sensação no coração de que o final da peça foi perfeito.
Quanto ao rapaz… Não sei.
A tristeza ainda habita os seus lindos olhos negros, e o vazio não se consumiu com o fogo.
Ainda assim uma parte de mim ficou com aquele rapaz.
Uma parte de mim que eu nunca esquecerei…
domingo, 16 de dezembro de 2007
Correspondências.....
Andando eu alegremente, trá-lá-lá, a arrumar as minhas merdas escolares, descobri num velho dossier, verdadeiras pérolas do humor português!!!
A verdade é que já há muito que não me ria assim.
É incrível o que o aborrecimento das aulas leva duas criaturas a fazer.
Seguem-se correspondências escolares com alguém que me faz muita falta.
I Capitulo
(…)
Sua espécie de bicha-solitária!
“ Mais vale ser bicha-solitária do que enfiar o dedo no cú para coçar uma reles e pegajosa lombriga!”
Na parte de coçar fala por ti! Tu lá sabes onde enfias o dedo ou outra coisa, não é bichona!
“Mas é por um bom motivo… É para te coçar.”
Eu sei, eu sei que tu me adoras e que a tua bunda não seria a mesma coisa sem mim!
“ Ó more, tu sem essa bichona solitária que tens dentro de ti não serias a mesma coisa, serias MAIS GORDA! Agradece-me!”
Olha bem para mim! Eu tenho ancas de quem tem uma bicha-solitária?!!! Ah!!! I don’t think so!
“E eu tenho bunda de quem te tem enfiada pelo buraco a dentro??!!! AH!! Logo tu! Isso querias tu!!!”
Bunda talvez não… mas cara tens de certeza absoluta! Esse teu sorriso de satisfação é inconfundível. Só mesmo eu para o provocar!
“Sua ténia arraçada de lombriga que nem pedigree tens!”
Pedigree têm os cães, seu lulu rafeiroso!
“Eu ao menos sou um lulu! Tu és um Chiwawa que por vezes desaparece! Oops!
(...)
II Capitulo
(…)
E tu não passas dum sapo leproso!
“Eu ao menos sou um sapo leproso, tu és um peixe semi-decomposto pelas radiações de Chernobil!”
E tu apresentas fortes semelhanças com as vacas nascidas no Japão depois da 2ª Guerra Mundial!
“Pelo menos a minha parecença é desse género. Tu tens semelhanças com os abortos de Chernobil!”
Eu tenho semelhanças, tu és o exemplo de aborto apresentado nas enciclopédias.
“Eu ao menos apareço nas enciclopédias mundiais, tu estás num museu ranhoso de aldeia onde ninguém vai ver a tua cara de peixe mal morto!”
Amiguito! Eu tenho cara de peixe mal morto, tu tiveste a sorte de ter o cheiro!
“Ao menos eu cheiro a peixe mal morto. Tu cheiras a uma pessoa com lepra no seu estado mais fedorento misturado com o suave aroma a doninha fedorenta com escorbuto!”
Eu ao menos ainda tenho doenças. O teu cheiro é tão repelente que nem os vírus se aproximam!
“De mim não se aproximam pelo cheiro, a ti deitaram-te numa vala no meio do deserto pelo teu estado de decomposição e pelo cheiro das bolhas com puz vermelho pastoso que sai dos teus olhos!”
Ridículo…Eu ao menos ainda tenho puz vermelho nos olhos… a lepra há muito que comeu os teus. Já para não falar de toda a fauna e flora que insistes em criar nos dentes…
“Sinceramente tu és patética! Fauna e flora?!! Ah!! (gargalhadas de despreso) Quem és tu para falar de fauna e flora, quando os teus sovacos empestam meio mundo com o cheiro a furúnculos mal cheirosos!”
Agora entendo porque é que passas a vida a comer cogumelos. Colhe-los na plantação privada que conservas …protegida pelos boxers.
“Não sei quem os come, se sou eu, ou… mas há quem goste! O mesmo já não se pode dizer das tuas crostas com puz que escondes por detrás da seda falsificada do mercado!”
… Já me dói o estômago… É que sinceramente… Tu cheiras mal da boca! Não me dirijas mais a caneta!
“Sinceramente duvido que a tua dor de estômago tenha origem no meu suave odor bucal, mas olha que o odor que a tua boca emana, vindo do teu estômago putrefacto é de não merecer mais resposta! Canetas cerrada!”
Graças a Deus!...Oremos irmãos!
“Ámen”
A verdade é que já há muito que não me ria assim.
É incrível o que o aborrecimento das aulas leva duas criaturas a fazer.
Seguem-se correspondências escolares com alguém que me faz muita falta.
I Capitulo
(…)
Sua espécie de bicha-solitária!
“ Mais vale ser bicha-solitária do que enfiar o dedo no cú para coçar uma reles e pegajosa lombriga!”
Na parte de coçar fala por ti! Tu lá sabes onde enfias o dedo ou outra coisa, não é bichona!
“Mas é por um bom motivo… É para te coçar.”
Eu sei, eu sei que tu me adoras e que a tua bunda não seria a mesma coisa sem mim!
“ Ó more, tu sem essa bichona solitária que tens dentro de ti não serias a mesma coisa, serias MAIS GORDA! Agradece-me!”
Olha bem para mim! Eu tenho ancas de quem tem uma bicha-solitária?!!! Ah!!! I don’t think so!
“E eu tenho bunda de quem te tem enfiada pelo buraco a dentro??!!! AH!! Logo tu! Isso querias tu!!!”
Bunda talvez não… mas cara tens de certeza absoluta! Esse teu sorriso de satisfação é inconfundível. Só mesmo eu para o provocar!
“Sua ténia arraçada de lombriga que nem pedigree tens!”
Pedigree têm os cães, seu lulu rafeiroso!
“Eu ao menos sou um lulu! Tu és um Chiwawa que por vezes desaparece! Oops!
(...)
II Capitulo
(…)
E tu não passas dum sapo leproso!
“Eu ao menos sou um sapo leproso, tu és um peixe semi-decomposto pelas radiações de Chernobil!”
E tu apresentas fortes semelhanças com as vacas nascidas no Japão depois da 2ª Guerra Mundial!
“Pelo menos a minha parecença é desse género. Tu tens semelhanças com os abortos de Chernobil!”
Eu tenho semelhanças, tu és o exemplo de aborto apresentado nas enciclopédias.
“Eu ao menos apareço nas enciclopédias mundiais, tu estás num museu ranhoso de aldeia onde ninguém vai ver a tua cara de peixe mal morto!”
Amiguito! Eu tenho cara de peixe mal morto, tu tiveste a sorte de ter o cheiro!
“Ao menos eu cheiro a peixe mal morto. Tu cheiras a uma pessoa com lepra no seu estado mais fedorento misturado com o suave aroma a doninha fedorenta com escorbuto!”
Eu ao menos ainda tenho doenças. O teu cheiro é tão repelente que nem os vírus se aproximam!
“De mim não se aproximam pelo cheiro, a ti deitaram-te numa vala no meio do deserto pelo teu estado de decomposição e pelo cheiro das bolhas com puz vermelho pastoso que sai dos teus olhos!”
Ridículo…Eu ao menos ainda tenho puz vermelho nos olhos… a lepra há muito que comeu os teus. Já para não falar de toda a fauna e flora que insistes em criar nos dentes…
“Sinceramente tu és patética! Fauna e flora?!! Ah!! (gargalhadas de despreso) Quem és tu para falar de fauna e flora, quando os teus sovacos empestam meio mundo com o cheiro a furúnculos mal cheirosos!”
Agora entendo porque é que passas a vida a comer cogumelos. Colhe-los na plantação privada que conservas …protegida pelos boxers.
“Não sei quem os come, se sou eu, ou… mas há quem goste! O mesmo já não se pode dizer das tuas crostas com puz que escondes por detrás da seda falsificada do mercado!”
… Já me dói o estômago… É que sinceramente… Tu cheiras mal da boca! Não me dirijas mais a caneta!
“Sinceramente duvido que a tua dor de estômago tenha origem no meu suave odor bucal, mas olha que o odor que a tua boca emana, vindo do teu estômago putrefacto é de não merecer mais resposta! Canetas cerrada!”
Graças a Deus!...Oremos irmãos!
“Ámen”
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Continuação do X capítulo
Quando a lua brilha no céu e as estrelas se reúnem em alegres constelações, costumo dançar sobre o teu telhado.
Cuido do teu sono de anjo e faço para que nenhum mel te aconteça.
Por vezes sou eu que sonho…
Imagino-te perseguindo borboletas numa floresta escura. O céu é completamente negro, mas as plantas, as flores, as borboletas emitem luz própria.
E enquanto danças com as borboletas, as criaturas da floresta vêm dançar contigo.
Soa-te familiar?
Não tem importância…
Para quê imaginação quando se tem o coração cheio de boas intenções.
Para quê imaginação, se é assim mesmo que eu te vejo: perseguindo borboletas numa noite como esta.
É dançando sobre o teu telhado que sacudo da ponta dos meus dedos as minhas lembranças de ti.
O odor a espuma do mar que tinha o teu cabelo…
As tuas mãos macias como veludo…
O brilho dos teus olhos…
O calor das tuas costas…
AS pequenas imperfeições da pele do teu pescoço…
O sabor agre e doce da tua saliva…
E quando me canso, sento-me sobre o teu telhado e bebo cada recordação como se fossem garrafinhas de licor… uma atrás da outra… até que fico tão embriagada que mal me consigo mexer.
É então que fecho os olhos e adormeço embalada pelo suave sussurro do vento, que passa pelo meu rosto como um suspiro…
É apenas paz…
É em noites como esta, em que a luz da lua é ideal e persegues borboletas no céu, que eu vou ter contigo.
É em noites como esta que eu ressuscito e volto a ser a borboleta que um dia pregaste na parede com alfinetes e lágrimas.
É em noites como esta que eu tenho a maravilhosa sensação de que o mundo é perfeito.
A chuva…
Já alguma vez reparaste na doce melodia que a chuva produz ao cair na estrada, nos passeios, nos telhados?
É lindo…
Hoje voltei a sentar-me no teu telhado e um denso cobertor de chuva veio aquecer-me.
É tudo tão lindo…
A chuva faz-me lembras as lágrimas que um dia choraste.
Lágrimas que eu nunca vi, mas que sei que derramaste.
Como a memória de uma porta já batida, o silêncio vem ter comigo. A chuva desaparece.
Aí apercebo-me de que a chuva de lágrimas era minha, mas que tu nunca serás.
Os meus pensamentos são interrompidos pelo som do teu telefone.
Corres para o atender.
Sou eu…
Como sempre sou eu…
Passamos duas horas ao telefone falando de banalidades interessantes.
A futilidade de um murmúrio intimo que circula à velocidade do som por entre os fios.
Como um deus solitário que corre por entre os claustros de uma velha catedral e que por fim descansa no altar da tua orelha.
Vivemos em eterno défice de palavras como se utilizando todas não conseguíssemos esgotar nenhuma.
Passa o tempo…
Desligas.
Eu também.
Regresso ao teu telhado tremendo de frio e ansiedade, esperando pela doce melodia da chuva que cai dos meus olhos.
Cuido do teu sono de anjo e faço para que nenhum mel te aconteça.
Por vezes sou eu que sonho…
Imagino-te perseguindo borboletas numa floresta escura. O céu é completamente negro, mas as plantas, as flores, as borboletas emitem luz própria.
E enquanto danças com as borboletas, as criaturas da floresta vêm dançar contigo.
Soa-te familiar?
Não tem importância…
Para quê imaginação quando se tem o coração cheio de boas intenções.
Para quê imaginação, se é assim mesmo que eu te vejo: perseguindo borboletas numa noite como esta.
É dançando sobre o teu telhado que sacudo da ponta dos meus dedos as minhas lembranças de ti.
O odor a espuma do mar que tinha o teu cabelo…
As tuas mãos macias como veludo…
O brilho dos teus olhos…
O calor das tuas costas…
AS pequenas imperfeições da pele do teu pescoço…
O sabor agre e doce da tua saliva…
E quando me canso, sento-me sobre o teu telhado e bebo cada recordação como se fossem garrafinhas de licor… uma atrás da outra… até que fico tão embriagada que mal me consigo mexer.
É então que fecho os olhos e adormeço embalada pelo suave sussurro do vento, que passa pelo meu rosto como um suspiro…
É apenas paz…
É em noites como esta, em que a luz da lua é ideal e persegues borboletas no céu, que eu vou ter contigo.
É em noites como esta que eu ressuscito e volto a ser a borboleta que um dia pregaste na parede com alfinetes e lágrimas.
É em noites como esta que eu tenho a maravilhosa sensação de que o mundo é perfeito.
A chuva…
Já alguma vez reparaste na doce melodia que a chuva produz ao cair na estrada, nos passeios, nos telhados?
É lindo…
Hoje voltei a sentar-me no teu telhado e um denso cobertor de chuva veio aquecer-me.
É tudo tão lindo…
A chuva faz-me lembras as lágrimas que um dia choraste.
Lágrimas que eu nunca vi, mas que sei que derramaste.
Como a memória de uma porta já batida, o silêncio vem ter comigo. A chuva desaparece.
Aí apercebo-me de que a chuva de lágrimas era minha, mas que tu nunca serás.
Os meus pensamentos são interrompidos pelo som do teu telefone.
Corres para o atender.
Sou eu…
Como sempre sou eu…
Passamos duas horas ao telefone falando de banalidades interessantes.
A futilidade de um murmúrio intimo que circula à velocidade do som por entre os fios.
Como um deus solitário que corre por entre os claustros de uma velha catedral e que por fim descansa no altar da tua orelha.
Vivemos em eterno défice de palavras como se utilizando todas não conseguíssemos esgotar nenhuma.
Passa o tempo…
Desligas.
Eu também.
Regresso ao teu telhado tremendo de frio e ansiedade, esperando pela doce melodia da chuva que cai dos meus olhos.
domingo, 2 de dezembro de 2007
X Capítulo
Eu sei que ando a pôr-te louco.
É bem feito!
Para aprenderes!
Para não seres mau!
Invado os teus sonhos.
Levo-te numa volta alucinante de montanha russa pelos recantos mais lascivos da tua imaginação…
Não te deixo dormir.
Violo a tua memória com imagens, palavras, recordações.
Sabes qual é a minha preferida?
Aquela em que me vês sobre um enorme piano de cauda no meio de um luxuoso salão de baile com chão de mármore.
É apenas um flash, e no entanto deixa-te um efeito durante horas…
Reconheces?
Devias lembrar-te… Afinal foste tu quem me deu a ideia.
Espero que gostes.
Espero que sintas saudades da tua paz.
Espero que percebas agora o que é deitar a cabeça na almofada e aperceberes-te que nem acordado nem a dormir consegues fugir ao pesadelo.
Sentires vontade de arrancar cada fio de cabelo para que a dor física substitua a dor da alma, pois é tão mais fácil de suportar.
É horrível, não é?
Sabes agora o que é não ter paz?
É muito fácil esquecer os mortos pois como se costuma dizer, longe dos olhos, longe do coração.
Eu não quero que me esqueças!!!!
Não permitirei que tal aconteça.
A mentira dilui-se tão bem na verdade!
É como o leite quente e o açúcar…
A verdade é o leite. Branquito, desenxabido, aquela coisa apagada do costume.
A mentira é o açúcar. Basta uma colherzinha, e a verdade… mnhami! Ganha logo outro sabor!
Já deves saber que cada palavra que eu acabei de escrever é a mais pura mentira. Um éfemero rasgo de estéril imaginação.
A minha personalidade é demasiado passiva para engendrar algo t~qo trabalhoso como uma vingança.
Tenho lá eu tempo para isso!!
Tenho mais que fazer!
Mas ficou bem, não achas?
Adoro perseguir-te pela rua à noite…
Tornas-te numa criatura particularmente estranha quando caminhas pela rua sozinho.
Quem poderá resistir a esse charme?
Sigo-te pela rua sem transito…
Lembras-te?
Nela vivemos momentos verdadeiramente mágicos.
Tantas vezes que nela dançamos… Eu, segurando uma rosa selvagem na boca… os nossos rostos colados… deslizando suavemente pela calçada…
Não precisávamos de musica, não precisávamos de nada…
Dava meia volta e inclinava-me apoiada no teu braço, e quando tudo terminava, inclinavas-te languidamente e beijavas-me suavemente nos lábios.
Tudo aquilo levava-me numa viagem no tempo… Como se fossemos dois amantes dançando tango num bairro boémio de Paris, nos anos 50.
Momentos como este ninguém terá…
São pensamentos egoístas como este que me consolam em noites de frustração.
Em noites que deslizas pela mesma rua,… sozinho.
Em noites que não o poderemos voltar a fazer pois… eu estou morta, e os mortos dançam sozinhos.
É bem feito!
Para aprenderes!
Para não seres mau!
Invado os teus sonhos.
Levo-te numa volta alucinante de montanha russa pelos recantos mais lascivos da tua imaginação…
Não te deixo dormir.
Violo a tua memória com imagens, palavras, recordações.
Sabes qual é a minha preferida?
Aquela em que me vês sobre um enorme piano de cauda no meio de um luxuoso salão de baile com chão de mármore.
É apenas um flash, e no entanto deixa-te um efeito durante horas…
Reconheces?
Devias lembrar-te… Afinal foste tu quem me deu a ideia.
Espero que gostes.
Espero que sintas saudades da tua paz.
Espero que percebas agora o que é deitar a cabeça na almofada e aperceberes-te que nem acordado nem a dormir consegues fugir ao pesadelo.
Sentires vontade de arrancar cada fio de cabelo para que a dor física substitua a dor da alma, pois é tão mais fácil de suportar.
É horrível, não é?
Sabes agora o que é não ter paz?
É muito fácil esquecer os mortos pois como se costuma dizer, longe dos olhos, longe do coração.
Eu não quero que me esqueças!!!!
Não permitirei que tal aconteça.
A mentira dilui-se tão bem na verdade!
É como o leite quente e o açúcar…
A verdade é o leite. Branquito, desenxabido, aquela coisa apagada do costume.
A mentira é o açúcar. Basta uma colherzinha, e a verdade… mnhami! Ganha logo outro sabor!
Já deves saber que cada palavra que eu acabei de escrever é a mais pura mentira. Um éfemero rasgo de estéril imaginação.
A minha personalidade é demasiado passiva para engendrar algo t~qo trabalhoso como uma vingança.
Tenho lá eu tempo para isso!!
Tenho mais que fazer!
Mas ficou bem, não achas?
Adoro perseguir-te pela rua à noite…
Tornas-te numa criatura particularmente estranha quando caminhas pela rua sozinho.
Quem poderá resistir a esse charme?
Sigo-te pela rua sem transito…
Lembras-te?
Nela vivemos momentos verdadeiramente mágicos.
Tantas vezes que nela dançamos… Eu, segurando uma rosa selvagem na boca… os nossos rostos colados… deslizando suavemente pela calçada…
Não precisávamos de musica, não precisávamos de nada…
Dava meia volta e inclinava-me apoiada no teu braço, e quando tudo terminava, inclinavas-te languidamente e beijavas-me suavemente nos lábios.
Tudo aquilo levava-me numa viagem no tempo… Como se fossemos dois amantes dançando tango num bairro boémio de Paris, nos anos 50.
Momentos como este ninguém terá…
São pensamentos egoístas como este que me consolam em noites de frustração.
Em noites que deslizas pela mesma rua,… sozinho.
Em noites que não o poderemos voltar a fazer pois… eu estou morta, e os mortos dançam sozinhos.
Subscrever:
Mensagens (Atom)