Sabes que dia é hoje?
É Natal…
“O Natal é quando o Homem quiser!”
Grande peta!
O Natal é só no dia 25 de Dezembro e é preciso ter dinheiro para isso.
Lembro-me de que quando estava viva não achava piada nenhuma ao Natal. Aliás, até me dava raiva todo aquele desperdício de electricidade nas ruas iluminadas, o sorriso estúpido no rosto das criancinhas, o instinto consumista que entrava em erupção, o “tlim” das máquinas registadoras que abriam e fechavam sem parar…
Odiava tudo isto!...
Mas sabes o que eu odiava mais? Mais do que tudo isto era o facto de passar o Natal sozinha.
Nunca tive a família toda em volta da árvore a abrir os presentes.
Ficava à espera que o Pai Natal descesse pela chaminé que não havia, mas ele nunca apareceu…
Estou a ser demasiado piegas… não ligues!
A verdade é que nem todos os meus Natais foram maus, mas dos bons eu não me consigo lembrar.
Estava sozinha…
Tal como estou agora…
É noite de Natal…
Vagueio pelas ruas desertas e iluminadas.
Cânticos de Natal vêm-me fazer companhia e trazem com eles o cheiro da comida da casa das pessoas.
Estão todas tão felizes!
E eu estou sozinha…
Tal como para um vagabundo, não existe Natal para mim. Não tenho uma casa para onde ir, não tenho um presente à minha espera, não tenho ninguém que me sorri e me deseja feliz Natal.
Mais uma vez estou só…
Não tive coragem para ir a minha casa e muito menos à tua. Seria demasiada tortura ver a tua felicidade e compará-la com a minha tristeza. Seria tortura a mais…
Acho que vou subir a um qualquer telhado e tentar esquecer o Natal…
Só por hoje…
Imaginar que estou contigo.
Que estamos nataliciamente felizes.
Imaginar que não estou só porque te tenho a ti.
Apetece-me suicidar-me...
Têm razão quando dizem que esta é uma das piores alturas do ano para os suicidas.
“Enquanto uns abrem os presentes, outros abrem os pulsos”.
É exactamente o que me apetece fazer agora.
Morrer…
Docemente…
Ao som dos cânticos de Natal…
Como um passarinho que fica preso na neve e morre aos poucos de frio.
Devagarinho…
Silenciosamente…
Protegida pelo sorriso dos outros… pelo cheiro a peru… Iluminada pelas luzes que brilham na rua.
Com aquela sensação de paz que se tem no coração quando estamos quase a adormecer…
Docemente…
Levar-te na alma…
Apetece-me morrer…
Só por hoje… voltar amanhã…
Apetece-me morrer.
Mas desta vez a sério.
Com tudo aquilo a que tenho direito.
Quero anjos… anjos que venham do céu para me buscar. Quero que venham montados em cavalos selvagens…como as valquírias…
Quero-te a ti.
Meu eterno Anjo de Olhos Tristes…
O meu Anjo…
Onde estás tu agora quando eu mais preciso de ti? Logo agora que me sinto voar e não tenho para onde ir.
É tudo tão triste…
Não! Não quero voltar a chorar!... Não vale a pena.
Sabes qual é o mal de tudo?! É a música!
São estes odiosos cânticos de Natal que as pessoas ouvem!
Acho que vou fazer o meu próprio cântico de Natal…
Só com violinos… e violoncelos.
Deitar fogo a todos eles!
Imagina como seria belo… Um Natal ao som de violoncelos e violinos em chamas…
Como seria belo o teu rosto iluminado pelas chamas…
Deus do Céu!!!
É tudo tão belo… É tudo tão triste…
Estou tão cansada…
Apetece-me morrer… Só por hoje.
O Pai Natal deixou-me um presente. A tua imagem emoldurada num pensamento breve.
Estavas tão feliz…
E eu fiquei tão feliz…
Acho que é altura de partir.
Até amanhã…
Feliz Natal Meu Doce Anjo….
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
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1 comentário:
qual a vantagem de morrer se continuamos a sentir??
gaja, vou fazer um ritual para te ressuscitar :p faz me falta uma amiga viva...
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