domingo, 27 de abril de 2008

Capitulo XVIII

O meu tempo etsá a chegar ao fim...
Sim, creio que isto é realmente o fim.
Qua mais se pode dizer a quam já se disse tudo?
Que novidade interessante se pode oferecer a alguém de modo a mudar o rumo da sua vida?... De modo a salvar a sua alma?...
Que mais te poderei dizer?
Que Paraíso distante ou Inferno aterrador esconde a minha alma e que tu ainda desconheças?
Que pensamento fútil ou banalidade inutil ainda não partilhei contigo?
Não sei...
Sinto que após todo este tempo te ofereci tudo aquilo que alguma vez possui... Até mesmo a minha vida.
Nunca me arrependi.
Sinto que o meu tempo está a chegar ao fim.
Que vai ser de mim agora?
Quem salvará a minha alma quando eu me afundar?
Quem se lembrará que um dia eu existi?
Se eu ao menos pudesse começar de novo...
Numa outra vida... Num outro tempo...
Relembro a nossa história como um trailer de cinema... Porque é o melhor.... Imagens soltas... Fantasias impossiveis... Risos... Gritos.... Suspense....
No final é tudo o mesmo...
As luzes apagam-se...
A música termina...
E tudo chega ao fim...
Foi tudo um sonho...
Apenas um sonho....
Um sonho que durou quase dois anos e que de alguma estranha forma foi também a minha realidade... a minha vida...
Porque decidi morrer no meu sonho?
Não sei.
As formas que eu arranjo para fugir à dor são sempre estranhas.
Creio que a subjectividade da palavra “morte” me permite dizer que de facto,...talvez,...nalgum ponto do meu sonho, eu morri realmente.
E os meus sonhos são assustadoramente reais....

quarta-feira, 2 de abril de 2008

BLÁ BLÁ BLÁ....

Na vida tudo tem um começo, um meio e um fim.
É a lógica, são as leis planetárias que conspiram para que assim aconteça.
E quando nos recusamos a seguir a lógica e tentamos alterar a ordem das coisas, saltar partes ou evitar que aconteçam?...
A lógica é implacável, e aquilo que ontem começou, hoje é, e amanhã já estará morto.
Como um livro…
Como uma história de amor…
Como a história dos impérios e das civilizações…
A minha vida vai no meio e espero que o meu fim não seja já amanhã pois ainda há muito que eu quero escrever no meu livro e imprimir a minha marca na história do meu pequeno império privado, da minha civilização decadente.
E as histórias de amor….
Blá blá blá….
Hollywood estragou-nos a cabeça com tantas ideias recheadas de amor romântico, da perfeição dos encontros, das almas gémeas, tudo muito rosa, muito sexo, muitos bebés, felizes para sempre…. A verdade é que o “para sempre” nos filmes dura em média entre 90 a 180 minutos. Nesse espaço de tempo qualquer um consegue ser Hollywoodescamente feliz. O problema é que por norma eles cortam a parte do depois, quando o galã começa a reparar nas mamas de todas as amigas que vão lá a casa, a mocinha começa a tomar anti-depresivos para preencher o vazio que tem na alma e aplacar a vontade de matar os bebés que não param de chorar, cagar fraldas e vomitar-lhe no ombro, as almas gémeas deixam de ser semelhantes, sexo três vezes por mês, contas para pagar, o galã começa a comer a secretária e a mocinha procura conforto nos braços musculados do jardineiro.
Uma frase que eu li e adorei adequa-se perfeitamente ao caso: “Quer romance, compre um livro”!
Mas porque será que apesar de sabermos desde crianças que os filmes não são reais, continuamos a achar que sim, que é aquilo que deve acontecer e qualquer coisa abaixo daquilo é risível e totalmente insatisfatório?
Perfeição…
A eterna utopia do ser humano… E ainda assim estamos rodeados de tantas coisas perfeitas, que com a nossa cegueira pela perfeição absoluta, deixamos passar ao lado.
Como o perfume de um jacinto holandês… Uma queda de água no meio do nada… O fogo que nos aquece no Inverno… O sorriso na boca de quem amamos…
O ser humano é sem duvida um bicho estranho…
Ansiamos pelo céu e quando lá chegamos ficamos desiludidos…. Sentimo-nos ultrajados pois esperávamos muito mais… Frustramos as nossas expectativas….
Na história da nossa vida, desprezamos o começo, estragamos o meio e fodemos qualquer possibilidade de um fim perfeito.
Acho que o ideal seria aprender com o começo, viver o meio e sonhar com o fim.