quarta-feira, 2 de abril de 2008

BLÁ BLÁ BLÁ....

Na vida tudo tem um começo, um meio e um fim.
É a lógica, são as leis planetárias que conspiram para que assim aconteça.
E quando nos recusamos a seguir a lógica e tentamos alterar a ordem das coisas, saltar partes ou evitar que aconteçam?...
A lógica é implacável, e aquilo que ontem começou, hoje é, e amanhã já estará morto.
Como um livro…
Como uma história de amor…
Como a história dos impérios e das civilizações…
A minha vida vai no meio e espero que o meu fim não seja já amanhã pois ainda há muito que eu quero escrever no meu livro e imprimir a minha marca na história do meu pequeno império privado, da minha civilização decadente.
E as histórias de amor….
Blá blá blá….
Hollywood estragou-nos a cabeça com tantas ideias recheadas de amor romântico, da perfeição dos encontros, das almas gémeas, tudo muito rosa, muito sexo, muitos bebés, felizes para sempre…. A verdade é que o “para sempre” nos filmes dura em média entre 90 a 180 minutos. Nesse espaço de tempo qualquer um consegue ser Hollywoodescamente feliz. O problema é que por norma eles cortam a parte do depois, quando o galã começa a reparar nas mamas de todas as amigas que vão lá a casa, a mocinha começa a tomar anti-depresivos para preencher o vazio que tem na alma e aplacar a vontade de matar os bebés que não param de chorar, cagar fraldas e vomitar-lhe no ombro, as almas gémeas deixam de ser semelhantes, sexo três vezes por mês, contas para pagar, o galã começa a comer a secretária e a mocinha procura conforto nos braços musculados do jardineiro.
Uma frase que eu li e adorei adequa-se perfeitamente ao caso: “Quer romance, compre um livro”!
Mas porque será que apesar de sabermos desde crianças que os filmes não são reais, continuamos a achar que sim, que é aquilo que deve acontecer e qualquer coisa abaixo daquilo é risível e totalmente insatisfatório?
Perfeição…
A eterna utopia do ser humano… E ainda assim estamos rodeados de tantas coisas perfeitas, que com a nossa cegueira pela perfeição absoluta, deixamos passar ao lado.
Como o perfume de um jacinto holandês… Uma queda de água no meio do nada… O fogo que nos aquece no Inverno… O sorriso na boca de quem amamos…
O ser humano é sem duvida um bicho estranho…
Ansiamos pelo céu e quando lá chegamos ficamos desiludidos…. Sentimo-nos ultrajados pois esperávamos muito mais… Frustramos as nossas expectativas….
Na história da nossa vida, desprezamos o começo, estragamos o meio e fodemos qualquer possibilidade de um fim perfeito.
Acho que o ideal seria aprender com o começo, viver o meio e sonhar com o fim.

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