Estranho como os mortos também sonham…
Estranho como os nossos sonhos são incrivelmente reais… O passado… Sonhos terrivelmente reais arrastados do passado…
Imagens que se atropelam no meu inconsciente… Palavras que se sobrepõem, como se anterior fosse sempre mais importante que a anterior
Pensamentos que se encadeiam à velocidade dos sonhos, sem coerência ou ponto de ligação. Apenas pensamentos… com uma coisa em comum: tu.
Um leve toque… Um beijo… Ainda te lembras do nosso primeiro beijo?... Deus do Céu! Ainda hoje quando me lembro não consigo evitar sorrir e corar de vergonha…
Palavras soltas…”Porque dizes essas coisas?! O que é preciso para tu entenderes que gosto de ti?!!!!” Aposto que não te lembras destas, mas foram as palavras que me disseste no dia em que quase te vi chorar. E choravas por mim…
Porque é que nunca mais me disseste o que realmente sentias? Porque é que nunca partilhaste os teus pensamentos comigo?
Ainda é tempo.
Agora é a melhor altura… Finge que estamos bêbedos. Eu, com a minha cabeça no teu colo, embrenhada no meu momento cósmico… Tu, encaracolando as pontas do meu cabelo com os teus dedos… Podes contar… Finge que estás sozinho e decidiste desabafar com o silêncio. Eu estou tão bêbeda que nem vou perceber o que dizes. E se conseguir perceber, não me conseguirei lembrar amanhã. Não te preocupes… Eu guardo segredo…Conta-me tudo aquilo que um dia te fez sofrer… Todas as vezes que eu te fiz sofrer… Todas as vezes que te apeteceu rir… Todas as vezes que te apeteceu atirar-me para debaixo das rodas de um camião TIR… Conta-me tudo aquilo que um dia quiseste gritar mas não tiveste coragem… Será o nosso segredo… Eu ouvir-te-ei com a minha cabeça pousada no teu colo. As tuas palavras soar-me-ão distantes, como as palavras de um conto de fadas quando estamos quase a adormecer…
Dá-me palavras que eu possa sentir! Dá-me palavras que eu possa guardar e sentir que são reais.
Dá-me uma razão para eu riscar todas as palavras amargas que escrevi a teu respeito…
Dá-me o arrependimento de te ter julgado mal… Dá-me a certeza de que a crueldade é apenas uma máscara que protege a imensurável sensibilidade da tua alma…
Dá-me a coragem para voltar a fazer tudo aquilo de que arrependi…
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
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