Deixa-me contar-te a história de uma escola cinzenta e triste, e de um colete marroquino tecido com todas as cores da felicidade.
Deixa-me falar-te acerca de tardes passadas a beber Malibu com Cola, e de como gastávamos dinheiro inconscientemente naquela altura…
Deixa-me falar um pouco acerca de ti e de como conseguiste trazer cor a uma escola cinzenta. Bom, se não a coloriste toda, ao menos conseguiste colorir uma parte. A parte que os meus olhos conseguiam alcançar.
Horas passadas em Pubs bebendo Malibu com Cola, partilhando sonhos e a mesma palhinha.
Não me lembro de uma Primavera como aquela...
Deixa-me falar da felicidade e do engano da alma....
Deixa-me falar acerca de gostar de estar viva pela primeira vez na vida.
Uma tarde... Três horas num bar a beber Senas e licor de ginja. Perdidos nas horas, palando sobre o passado, o presente e o futuro.
Deixa-me falr acerca do dia em que vi o mundo através dos olhos de um anjo. Tu, sentado na base de cimento dum mastro de bandeira, mesmo à minha frente, falando de frustrações, solidão e das tuas viagens.
Deixa-me falar do renascimento de uma alma esquecida. De como as tuas histórias e risos e olhares e sonhos a fizeram ressuscitar.
Será que o poderás fazer de novo?
Melhor ainda, será que estás disposto?
Penso que não...
Ainda assim, deixa-me falar acerca de simplicidade e da inocência...
Da tua inocência...
Momentos de riso incontrolável nas alturas mais inconvenientes.
Cumplicidade levada ao extremo.
Uma alma demasiado grande para habitar um só corpo e que por isso se dividiu em dois.
O teu...
O meu...
O que aconteceu à alma, agora que um dos corpos morreu?
Que foi que nos aconteceu?
Nada de especial...
Tu continuas a tua vida....
Eu continuo a minha morte...
Dois caminhos diferentes e ainda assim tanto em comum.
Nenhum dos dois está feliz.
Magoa-me sabê-lo.
Onde foi que perdeste esses sorrisos, todos diferentes e que podiam iluminar a vida de uma pessoa?
E esse entusiasmo que dançava nos teus olhos e que dedicavas a cada novidade?
E essa tus inocência...
O que aconteceu a essa inocência que me fazia adorar-te mais que tudo o que se movia e respirava?
Que ainda me faz adorar-te...
Ainda assim, deixa-me falar acerca da felicidade...
De como um dia eu fui feliz até aos extremos da rtealidade.
Não precisei de muito...
Naquela altura a minha vida andava um caos... os meus amigos contavam-se pelos dedos de uma mão... Ainda assim, falem-me de felicidade e lembrar-me-ei para sempre de ti.
Como era fácil adorar-te! Como era fácil ser feliz só pelo facto de te adorar!
Mergulhar nos teus olhos e saber que se um dia essees olhos se fechassem eu morreria também.
True love...
Ou amores verdadeiro... como preferirem.
Hoje sei que encontrei o meu.
E fico feliz.
Fico feliz pois encontrei algo que muitos levam várias vidas para encontrar.
Fico feliz pois um dia bebemos Malibu com Cola e partilhámos sonhos, muitos sonhos... e a mesma palhinha.
domingo, 30 de março de 2008
quarta-feira, 12 de março de 2008
Momento franciu
Para a minha mais assidua leitora blóguica, aqui vai um cheirinho franciu, que bem podia ser o "Paris" de Yves Saint Laurent, ou um petit Jean Paul Gaultier, ou quem sabe um produto contrafeito do mercado com um cheiro pestilento e tendências a provocar alergias.
Bem sei que partilhas os meus gostos musicais, e assim, suspira e delicia-te com este pequeno momento franciu, só pa ti!
Não tenho a música, só a letra, além disso tás a trabalhar, não podes estar a ouvir música. Lembra-te que tens que manter as aparencias de menina trabalhadora!!!
Je t'aimais, je t'aime et je t'aimerai...
Mon enfant, nue sur les galets,
Le vent dans tes cheveux défaits,
Comme un printemps sur mon trajet,
Un diamant tombé d'un coffret.
Seule la lumière pourrait
Défaire nos repères secrets
Où mes doigts pris sur tes poignets,
Je t'aimais, je t'aime et je t'aimerai...
Quoi que tu fasses, l'amour est partout ou tu regardes
Dans les moindres recoins de l'espace,
Dans le moindre rêve ou tu t'attardes
L'amour, comme s'il en pleuvait,
Nu sur les galets...
Le ciel prétend qu'il te connait
Il est si beau c'est sûrement vrai.
Lui qui s'approche jamais
Je l'ai vu pris dans tes filets.
Le monde a tellement de regrets
Tellement de choses qu'on promet.
Une seule pour laquelle je suis fait
Je t'aimais, je t'aime et je t'aimerai...
Quoi que tu fasses, l'amour est partout ou tu regardes,
Dans les moindres recoins de l'espace,
Dans le moindre rêve ou tu t'attardes.
L'amour, comme s'il en pleuvait,
Nu sur les galets...
On s'envolera du même quai
Les yeux dans les mêmes reflets,
Pour cette vie et celle d'après
Tu seras mon unique projet.
Je m'en irai poser tes portraits
A tous les plafonds de tous les palais,
Sur tous les murs que je trouverai
Et juste en-dessous j'écrirai
Que seule la lumière pourrait...
Et mes doigts pris sur tes poignets,
Je t'aimais, je t'aime et je t'aimerai
Bem sei que partilhas os meus gostos musicais, e assim, suspira e delicia-te com este pequeno momento franciu, só pa ti!
Não tenho a música, só a letra, além disso tás a trabalhar, não podes estar a ouvir música. Lembra-te que tens que manter as aparencias de menina trabalhadora!!!
Je t'aimais, je t'aime et je t'aimerai...
Mon enfant, nue sur les galets,
Le vent dans tes cheveux défaits,
Comme un printemps sur mon trajet,
Un diamant tombé d'un coffret.
Seule la lumière pourrait
Défaire nos repères secrets
Où mes doigts pris sur tes poignets,
Je t'aimais, je t'aime et je t'aimerai...
Quoi que tu fasses, l'amour est partout ou tu regardes
Dans les moindres recoins de l'espace,
Dans le moindre rêve ou tu t'attardes
L'amour, comme s'il en pleuvait,
Nu sur les galets...
Le ciel prétend qu'il te connait
Il est si beau c'est sûrement vrai.
Lui qui s'approche jamais
Je l'ai vu pris dans tes filets.
Le monde a tellement de regrets
Tellement de choses qu'on promet.
Une seule pour laquelle je suis fait
Je t'aimais, je t'aime et je t'aimerai...
Quoi que tu fasses, l'amour est partout ou tu regardes,
Dans les moindres recoins de l'espace,
Dans le moindre rêve ou tu t'attardes.
L'amour, comme s'il en pleuvait,
Nu sur les galets...
On s'envolera du même quai
Les yeux dans les mêmes reflets,
Pour cette vie et celle d'après
Tu seras mon unique projet.
Je m'en irai poser tes portraits
A tous les plafonds de tous les palais,
Sur tous les murs que je trouverai
Et juste en-dessous j'écrirai
Que seule la lumière pourrait...
Et mes doigts pris sur tes poignets,
Je t'aimais, je t'aime et je t'aimerai
domingo, 9 de março de 2008
XVI Capítulo

Continuo a girar à tua volta como uma pobre borboleta tonta, ofuscada pela tua luz. Eu sei que mais cedo ou mais tarde ela acabará por me aniquilar, mas ainda assim não me consigo afastar.
Triste… Uma pobre borboleta insignificante… Uma borboleta que percorre os confins da noite à procura da tua luz, para me aquecer, para me embriagar.
Torna-me vulnerável, como um aviso aos sádicos que eventualmente acabarão por me esborrachar contra a parede, mas ainda assim não faz mal. Aceito esse risco como uma justificação e desculpa para a minha felicidade.
Felicidade…
Estranha forma de felicidade…
O Passado vem ter comigo e atira-me à cara que será sempre melhor que o presente. Infelizmente sou forçada a concordar com ele.
O passado é sempre melhor que o presente por muito mau que ele tenha sido.
O verbo sofrer conjugado no pretérito perfeito é sempre mais suave que conjugado no presente.
Acho que devia arranjar melhor ocupação para o meu tempo que andar sempre à tua volta, mas peço desculpa, não encontro coisa melhor para fazer.
A verdade é que nunca me dei bem com a “vida”, especialmente com a minha.
Um dia, alguém extremamente sensato aconselhou-me: “Arranja uma vida!”. Na altura encolhi os ombros e barafustei algo incoerente, mas a verdade é que eu até arranjava uma “vida”, se alguma me quisesse.
Basicamente a vida é como o tango, quando um não quer, dois não dançam.
Acho que a vida nunca gostou muito de mim. Um sentimento recíproco, devo confessar.
Passo os dias escondida atrás de um espelho…
Através dele posso ver tudo o que acontece, tudo aquilo que me magoa… No entanto ninguém me pode ver. Tu não me podes ver.
Mesmo se te aproximares para veres o que há do outro lado, a única coisa que verás será a tua imagem reflectida. Uns dias feliz, outros mais pálida e esbatida, outros plena de raiva e amargura.
É sempre o teu reflexo que vês. Nunca eu.
Talvez porque no fundo eu me resuma a isso mesmo: um espelho.
Algo morto e sem personalidade que quando colocado num determinado ângulo reflecte o estado de espírito dos outros. Apenas dos outros…
Eu não sou nada…
Eu não sou ninguém…
Apenas um Espelho…
Voltei a sonhar…
Sonhei que voltava a dar os teus passos e era feliz novamente.
Apenas aquela sensação de paz….
Não me lembro muito bem do sonho. A única sensação que retive foi o prazer de te voltar a tocar novamente. Como quando dançava contigo…
Ou quando me deitava contigo na relva orvalhada…
Senti-me tão feliz…
Estupidamente feliz
Acordei ao som da tua música preferida.
Voltei a ver-te do outro lado do Espelho onde nunca me poderás ver.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Fim do XIV Capitulo
Estranho como os mortos também sonham…
Estranho como os nossos sonhos são incrivelmente reais… O passado… Sonhos terrivelmente reais arrastados do passado…
Imagens que se atropelam no meu inconsciente… Palavras que se sobrepõem, como se anterior fosse sempre mais importante que a anterior
Pensamentos que se encadeiam à velocidade dos sonhos, sem coerência ou ponto de ligação. Apenas pensamentos… com uma coisa em comum: tu.
Um leve toque… Um beijo… Ainda te lembras do nosso primeiro beijo?... Deus do Céu! Ainda hoje quando me lembro não consigo evitar sorrir e corar de vergonha…
Palavras soltas…”Porque dizes essas coisas?! O que é preciso para tu entenderes que gosto de ti?!!!!” Aposto que não te lembras destas, mas foram as palavras que me disseste no dia em que quase te vi chorar. E choravas por mim…
Porque é que nunca mais me disseste o que realmente sentias? Porque é que nunca partilhaste os teus pensamentos comigo?
Ainda é tempo.
Agora é a melhor altura… Finge que estamos bêbedos. Eu, com a minha cabeça no teu colo, embrenhada no meu momento cósmico… Tu, encaracolando as pontas do meu cabelo com os teus dedos… Podes contar… Finge que estás sozinho e decidiste desabafar com o silêncio. Eu estou tão bêbeda que nem vou perceber o que dizes. E se conseguir perceber, não me conseguirei lembrar amanhã. Não te preocupes… Eu guardo segredo…Conta-me tudo aquilo que um dia te fez sofrer… Todas as vezes que eu te fiz sofrer… Todas as vezes que te apeteceu rir… Todas as vezes que te apeteceu atirar-me para debaixo das rodas de um camião TIR… Conta-me tudo aquilo que um dia quiseste gritar mas não tiveste coragem… Será o nosso segredo… Eu ouvir-te-ei com a minha cabeça pousada no teu colo. As tuas palavras soar-me-ão distantes, como as palavras de um conto de fadas quando estamos quase a adormecer…
Dá-me palavras que eu possa sentir! Dá-me palavras que eu possa guardar e sentir que são reais.
Dá-me uma razão para eu riscar todas as palavras amargas que escrevi a teu respeito…
Dá-me o arrependimento de te ter julgado mal… Dá-me a certeza de que a crueldade é apenas uma máscara que protege a imensurável sensibilidade da tua alma…
Dá-me a coragem para voltar a fazer tudo aquilo de que arrependi…
Estranho como os nossos sonhos são incrivelmente reais… O passado… Sonhos terrivelmente reais arrastados do passado…
Imagens que se atropelam no meu inconsciente… Palavras que se sobrepõem, como se anterior fosse sempre mais importante que a anterior
Pensamentos que se encadeiam à velocidade dos sonhos, sem coerência ou ponto de ligação. Apenas pensamentos… com uma coisa em comum: tu.
Um leve toque… Um beijo… Ainda te lembras do nosso primeiro beijo?... Deus do Céu! Ainda hoje quando me lembro não consigo evitar sorrir e corar de vergonha…
Palavras soltas…”Porque dizes essas coisas?! O que é preciso para tu entenderes que gosto de ti?!!!!” Aposto que não te lembras destas, mas foram as palavras que me disseste no dia em que quase te vi chorar. E choravas por mim…
Porque é que nunca mais me disseste o que realmente sentias? Porque é que nunca partilhaste os teus pensamentos comigo?
Ainda é tempo.
Agora é a melhor altura… Finge que estamos bêbedos. Eu, com a minha cabeça no teu colo, embrenhada no meu momento cósmico… Tu, encaracolando as pontas do meu cabelo com os teus dedos… Podes contar… Finge que estás sozinho e decidiste desabafar com o silêncio. Eu estou tão bêbeda que nem vou perceber o que dizes. E se conseguir perceber, não me conseguirei lembrar amanhã. Não te preocupes… Eu guardo segredo…Conta-me tudo aquilo que um dia te fez sofrer… Todas as vezes que eu te fiz sofrer… Todas as vezes que te apeteceu rir… Todas as vezes que te apeteceu atirar-me para debaixo das rodas de um camião TIR… Conta-me tudo aquilo que um dia quiseste gritar mas não tiveste coragem… Será o nosso segredo… Eu ouvir-te-ei com a minha cabeça pousada no teu colo. As tuas palavras soar-me-ão distantes, como as palavras de um conto de fadas quando estamos quase a adormecer…
Dá-me palavras que eu possa sentir! Dá-me palavras que eu possa guardar e sentir que são reais.
Dá-me uma razão para eu riscar todas as palavras amargas que escrevi a teu respeito…
Dá-me o arrependimento de te ter julgado mal… Dá-me a certeza de que a crueldade é apenas uma máscara que protege a imensurável sensibilidade da tua alma…
Dá-me a coragem para voltar a fazer tudo aquilo de que arrependi…
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Continuação do XIV Capitulo
O silêncio é revoltante!
Deixa-nos lembrar tudo o que o barulho nos faz esquecer.
Voltei a lembrar-me de como era estar contigo.
AS memórias, tel como a felicidade é como o som de uma porta que se fevhou. Só reparamos nele quando a porta já se fechou.
Lembro-me que naquele tempo era perseguida por uma estranha obsessão pela morte. Tinha um desejo mais forte que a própria vida de morrer.
Pensa-se que só se deseja morrer quando o fardo da nossa pobre existência é demasiado pesado para suportar.
Eu não sei porque queria morrer.
Talvez porque tinha o que de melhor havia no mundo e não tinha paciência para o entender.
Talvez seja aquele instinto que todos os seres têm e que os leva a descansar quando concluem uma obra. A minha deve ter sido uma grande obra pois eu queria descansar para sempre…
O silêncio…
Procuro desesperadamente o silêncio para nele me poder embrulhar e esquecer todos os erros estúpidos que cometi. Esconder a cabeça no silêncio e gritar, gritar…
Inútil…
É tarde demais.
Aparecem no horizonte os primeiro raios de sol e eu sei que é altura de voltar ao meu mundo.
Um mundo em que não há ar, onde o céu não tem estrelas, onde não há som, onde não há cheiros, onde não há luz…Um mundo triste… De perguntas sem respostas… De perguntas com respostas que magoam… Um mundo de solidão e garrafinhas cheias de memórias… Um mundo onde as memórias substituem a vida e têm como centro gravitacional um Eu…
Memórias de um Eu…
Um Eu infeliz e triste que nada tem de estrela e muito menos de heliocêntrico…
Um Eu parecido com este mundo…
O meu mundo…
Deixa-nos lembrar tudo o que o barulho nos faz esquecer.
Voltei a lembrar-me de como era estar contigo.
AS memórias, tel como a felicidade é como o som de uma porta que se fevhou. Só reparamos nele quando a porta já se fechou.
Lembro-me que naquele tempo era perseguida por uma estranha obsessão pela morte. Tinha um desejo mais forte que a própria vida de morrer.
Pensa-se que só se deseja morrer quando o fardo da nossa pobre existência é demasiado pesado para suportar.
Eu não sei porque queria morrer.
Talvez porque tinha o que de melhor havia no mundo e não tinha paciência para o entender.
Talvez seja aquele instinto que todos os seres têm e que os leva a descansar quando concluem uma obra. A minha deve ter sido uma grande obra pois eu queria descansar para sempre…
O silêncio…
Procuro desesperadamente o silêncio para nele me poder embrulhar e esquecer todos os erros estúpidos que cometi. Esconder a cabeça no silêncio e gritar, gritar…
Inútil…
É tarde demais.
Aparecem no horizonte os primeiro raios de sol e eu sei que é altura de voltar ao meu mundo.
Um mundo em que não há ar, onde o céu não tem estrelas, onde não há som, onde não há cheiros, onde não há luz…Um mundo triste… De perguntas sem respostas… De perguntas com respostas que magoam… Um mundo de solidão e garrafinhas cheias de memórias… Um mundo onde as memórias substituem a vida e têm como centro gravitacional um Eu…
Memórias de um Eu…
Um Eu infeliz e triste que nada tem de estrela e muito menos de heliocêntrico…
Um Eu parecido com este mundo…
O meu mundo…
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
XIV Capitulo
Quando bebemos a vida demasiado depressa não conseguimos apreciar o seu verdadeiro sabor.
A vida torna-se um vazio…
Um abismo escuro e sem significado…
Será que acontece o mesmo com a morte?
Será que morri demasiado depressa? Será que vivi demasiado depressa?
Seja como for, ainda bem que morri depressa.
Acho que seria uma péssima suicida. Pelos meus cálculos rápidos de cabeça acho que precisaria de pelo menos cinquenta anos para fazer tudo o que me falta fazer, mais dez anos para me despedir de todos aqueles que eu gostava… mais dois anos para planear o meu funeral… mais duas horas para sentir pena de mim própria… Enfim, pelos meus cálculos matava-me para aí com oitenta anos se começasse a planear desde já.
Ficaram tantas coisas por acabar. Tantas coisas por fazer. Tantas pessoas a quem não disse adeus.
Os meus livros começados… os meus diários… o meu livro de poemas… Quem lhes dará valor? Quem os irá ler? Quem os deitará para o lixo?
Ficaram tantas coisas para trás.
Como um vazio.
Um pedaço de uma frase que ficou por escrever.
Foi melhor assim…
O silêncio…
Apenas o silêncio… apenas escuridão…
O suficiente para me matar.
Sempre odiei o silêncio. Enlouquecia-me. A possibilidade de ficar totalmente só, apenas com o silêncio a murmurar-me palavras tristes ao ouvido constituía o meu pior pesadelo.
O silêncio não faz sentido…
Talvez seja bom para os vegetais que de nada mais precisam além de um pouco de água e terra para os proteger.
Eu preciso de muito mais…
Há momentos na vida que não são dignos de registo se não tiverem uma música que os acompanhe.
Há palavras que soam vazias e até mesmo ridículas se não tiverem uma melodia que as ajude a respirar.
Como um filme sem banda sonora…
Neste momento não me preocupo com isso.
Quero apenas o silêncio.
Poder contemplar a minha existência na escuridão e aproveitar os últimos rasgos de lucidez que me restam.
O suficiente para me matar…
Pouco a pouco…
O suficiente para criar uma música que acompanhe este momento. Para que ele dure para sempre…
Um pouco de silêncio para me lembrar de todos os momentos de extrema e enojante felicidade que passei contigo.
E sentir pena de mim própria.
A vida torna-se um vazio…
Um abismo escuro e sem significado…
Será que acontece o mesmo com a morte?
Será que morri demasiado depressa? Será que vivi demasiado depressa?
Seja como for, ainda bem que morri depressa.
Acho que seria uma péssima suicida. Pelos meus cálculos rápidos de cabeça acho que precisaria de pelo menos cinquenta anos para fazer tudo o que me falta fazer, mais dez anos para me despedir de todos aqueles que eu gostava… mais dois anos para planear o meu funeral… mais duas horas para sentir pena de mim própria… Enfim, pelos meus cálculos matava-me para aí com oitenta anos se começasse a planear desde já.
Ficaram tantas coisas por acabar. Tantas coisas por fazer. Tantas pessoas a quem não disse adeus.
Os meus livros começados… os meus diários… o meu livro de poemas… Quem lhes dará valor? Quem os irá ler? Quem os deitará para o lixo?
Ficaram tantas coisas para trás.
Como um vazio.
Um pedaço de uma frase que ficou por escrever.
Foi melhor assim…
O silêncio…
Apenas o silêncio… apenas escuridão…
O suficiente para me matar.
Sempre odiei o silêncio. Enlouquecia-me. A possibilidade de ficar totalmente só, apenas com o silêncio a murmurar-me palavras tristes ao ouvido constituía o meu pior pesadelo.
O silêncio não faz sentido…
Talvez seja bom para os vegetais que de nada mais precisam além de um pouco de água e terra para os proteger.
Eu preciso de muito mais…
Há momentos na vida que não são dignos de registo se não tiverem uma música que os acompanhe.
Há palavras que soam vazias e até mesmo ridículas se não tiverem uma melodia que as ajude a respirar.
Como um filme sem banda sonora…
Neste momento não me preocupo com isso.
Quero apenas o silêncio.
Poder contemplar a minha existência na escuridão e aproveitar os últimos rasgos de lucidez que me restam.
O suficiente para me matar…
Pouco a pouco…
O suficiente para criar uma música que acompanhe este momento. Para que ele dure para sempre…
Um pouco de silêncio para me lembrar de todos os momentos de extrema e enojante felicidade que passei contigo.
E sentir pena de mim própria.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Old friends…
Tenho uma pequena colecção de imagens que me acompanham, e uma ainda maior de imagens que há muito me deixaram. Fotografias… Adoro-as simplesmente. Não gosto de me ver fotografada, mas que melhor maneira há de ver as pequenas mudanças que ocorrem na nossa vida e que ficam de alguma forma misteriosa gravadas no nosso rosto. E melhor ainda, as mudanças no rosto daqueles que nos acompanharam no caminho.
Old friends…
Tantos rostos que ficaram no meu passado e que cada vez que abro o meu álbum me vêm visitar. Tantas situações e conversas gravadas silenciosamente em pedaços de papel em formato 15cm/10cm… Tantos locais visitados e revisitados, ecos de locais que já não existem. Lembranças de momentos marcantes, banais, divertidos, tristes, únicos… momentos simples. A cumplicidade retratada daqueles que momentaneamente partilharam o mesmo espaço e o mesmo tempo.
Old friends…
Tantos rostos que ficaram no meu passado e que cada vez que abro o meu álbum me vêm visitar. Tantas situações e conversas gravadas silenciosamente em pedaços de papel em formato 15cm/10cm… Tantos locais visitados e revisitados, ecos de locais que já não existem. Lembranças de momentos marcantes, banais, divertidos, tristes, únicos… momentos simples. A cumplicidade retratada daqueles que momentaneamente partilharam o mesmo espaço e o mesmo tempo.
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