Estranho como os mortos também sonham…
Estranho como os nossos sonhos são incrivelmente reais… O passado… Sonhos terrivelmente reais arrastados do passado…
Imagens que se atropelam no meu inconsciente… Palavras que se sobrepõem, como se anterior fosse sempre mais importante que a anterior
Pensamentos que se encadeiam à velocidade dos sonhos, sem coerência ou ponto de ligação. Apenas pensamentos… com uma coisa em comum: tu.
Um leve toque… Um beijo… Ainda te lembras do nosso primeiro beijo?... Deus do Céu! Ainda hoje quando me lembro não consigo evitar sorrir e corar de vergonha…
Palavras soltas…”Porque dizes essas coisas?! O que é preciso para tu entenderes que gosto de ti?!!!!” Aposto que não te lembras destas, mas foram as palavras que me disseste no dia em que quase te vi chorar. E choravas por mim…
Porque é que nunca mais me disseste o que realmente sentias? Porque é que nunca partilhaste os teus pensamentos comigo?
Ainda é tempo.
Agora é a melhor altura… Finge que estamos bêbedos. Eu, com a minha cabeça no teu colo, embrenhada no meu momento cósmico… Tu, encaracolando as pontas do meu cabelo com os teus dedos… Podes contar… Finge que estás sozinho e decidiste desabafar com o silêncio. Eu estou tão bêbeda que nem vou perceber o que dizes. E se conseguir perceber, não me conseguirei lembrar amanhã. Não te preocupes… Eu guardo segredo…Conta-me tudo aquilo que um dia te fez sofrer… Todas as vezes que eu te fiz sofrer… Todas as vezes que te apeteceu rir… Todas as vezes que te apeteceu atirar-me para debaixo das rodas de um camião TIR… Conta-me tudo aquilo que um dia quiseste gritar mas não tiveste coragem… Será o nosso segredo… Eu ouvir-te-ei com a minha cabeça pousada no teu colo. As tuas palavras soar-me-ão distantes, como as palavras de um conto de fadas quando estamos quase a adormecer…
Dá-me palavras que eu possa sentir! Dá-me palavras que eu possa guardar e sentir que são reais.
Dá-me uma razão para eu riscar todas as palavras amargas que escrevi a teu respeito…
Dá-me o arrependimento de te ter julgado mal… Dá-me a certeza de que a crueldade é apenas uma máscara que protege a imensurável sensibilidade da tua alma…
Dá-me a coragem para voltar a fazer tudo aquilo de que arrependi…
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Continuação do XIV Capitulo
O silêncio é revoltante!
Deixa-nos lembrar tudo o que o barulho nos faz esquecer.
Voltei a lembrar-me de como era estar contigo.
AS memórias, tel como a felicidade é como o som de uma porta que se fevhou. Só reparamos nele quando a porta já se fechou.
Lembro-me que naquele tempo era perseguida por uma estranha obsessão pela morte. Tinha um desejo mais forte que a própria vida de morrer.
Pensa-se que só se deseja morrer quando o fardo da nossa pobre existência é demasiado pesado para suportar.
Eu não sei porque queria morrer.
Talvez porque tinha o que de melhor havia no mundo e não tinha paciência para o entender.
Talvez seja aquele instinto que todos os seres têm e que os leva a descansar quando concluem uma obra. A minha deve ter sido uma grande obra pois eu queria descansar para sempre…
O silêncio…
Procuro desesperadamente o silêncio para nele me poder embrulhar e esquecer todos os erros estúpidos que cometi. Esconder a cabeça no silêncio e gritar, gritar…
Inútil…
É tarde demais.
Aparecem no horizonte os primeiro raios de sol e eu sei que é altura de voltar ao meu mundo.
Um mundo em que não há ar, onde o céu não tem estrelas, onde não há som, onde não há cheiros, onde não há luz…Um mundo triste… De perguntas sem respostas… De perguntas com respostas que magoam… Um mundo de solidão e garrafinhas cheias de memórias… Um mundo onde as memórias substituem a vida e têm como centro gravitacional um Eu…
Memórias de um Eu…
Um Eu infeliz e triste que nada tem de estrela e muito menos de heliocêntrico…
Um Eu parecido com este mundo…
O meu mundo…
Deixa-nos lembrar tudo o que o barulho nos faz esquecer.
Voltei a lembrar-me de como era estar contigo.
AS memórias, tel como a felicidade é como o som de uma porta que se fevhou. Só reparamos nele quando a porta já se fechou.
Lembro-me que naquele tempo era perseguida por uma estranha obsessão pela morte. Tinha um desejo mais forte que a própria vida de morrer.
Pensa-se que só se deseja morrer quando o fardo da nossa pobre existência é demasiado pesado para suportar.
Eu não sei porque queria morrer.
Talvez porque tinha o que de melhor havia no mundo e não tinha paciência para o entender.
Talvez seja aquele instinto que todos os seres têm e que os leva a descansar quando concluem uma obra. A minha deve ter sido uma grande obra pois eu queria descansar para sempre…
O silêncio…
Procuro desesperadamente o silêncio para nele me poder embrulhar e esquecer todos os erros estúpidos que cometi. Esconder a cabeça no silêncio e gritar, gritar…
Inútil…
É tarde demais.
Aparecem no horizonte os primeiro raios de sol e eu sei que é altura de voltar ao meu mundo.
Um mundo em que não há ar, onde o céu não tem estrelas, onde não há som, onde não há cheiros, onde não há luz…Um mundo triste… De perguntas sem respostas… De perguntas com respostas que magoam… Um mundo de solidão e garrafinhas cheias de memórias… Um mundo onde as memórias substituem a vida e têm como centro gravitacional um Eu…
Memórias de um Eu…
Um Eu infeliz e triste que nada tem de estrela e muito menos de heliocêntrico…
Um Eu parecido com este mundo…
O meu mundo…
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
XIV Capitulo
Quando bebemos a vida demasiado depressa não conseguimos apreciar o seu verdadeiro sabor.
A vida torna-se um vazio…
Um abismo escuro e sem significado…
Será que acontece o mesmo com a morte?
Será que morri demasiado depressa? Será que vivi demasiado depressa?
Seja como for, ainda bem que morri depressa.
Acho que seria uma péssima suicida. Pelos meus cálculos rápidos de cabeça acho que precisaria de pelo menos cinquenta anos para fazer tudo o que me falta fazer, mais dez anos para me despedir de todos aqueles que eu gostava… mais dois anos para planear o meu funeral… mais duas horas para sentir pena de mim própria… Enfim, pelos meus cálculos matava-me para aí com oitenta anos se começasse a planear desde já.
Ficaram tantas coisas por acabar. Tantas coisas por fazer. Tantas pessoas a quem não disse adeus.
Os meus livros começados… os meus diários… o meu livro de poemas… Quem lhes dará valor? Quem os irá ler? Quem os deitará para o lixo?
Ficaram tantas coisas para trás.
Como um vazio.
Um pedaço de uma frase que ficou por escrever.
Foi melhor assim…
O silêncio…
Apenas o silêncio… apenas escuridão…
O suficiente para me matar.
Sempre odiei o silêncio. Enlouquecia-me. A possibilidade de ficar totalmente só, apenas com o silêncio a murmurar-me palavras tristes ao ouvido constituía o meu pior pesadelo.
O silêncio não faz sentido…
Talvez seja bom para os vegetais que de nada mais precisam além de um pouco de água e terra para os proteger.
Eu preciso de muito mais…
Há momentos na vida que não são dignos de registo se não tiverem uma música que os acompanhe.
Há palavras que soam vazias e até mesmo ridículas se não tiverem uma melodia que as ajude a respirar.
Como um filme sem banda sonora…
Neste momento não me preocupo com isso.
Quero apenas o silêncio.
Poder contemplar a minha existência na escuridão e aproveitar os últimos rasgos de lucidez que me restam.
O suficiente para me matar…
Pouco a pouco…
O suficiente para criar uma música que acompanhe este momento. Para que ele dure para sempre…
Um pouco de silêncio para me lembrar de todos os momentos de extrema e enojante felicidade que passei contigo.
E sentir pena de mim própria.
A vida torna-se um vazio…
Um abismo escuro e sem significado…
Será que acontece o mesmo com a morte?
Será que morri demasiado depressa? Será que vivi demasiado depressa?
Seja como for, ainda bem que morri depressa.
Acho que seria uma péssima suicida. Pelos meus cálculos rápidos de cabeça acho que precisaria de pelo menos cinquenta anos para fazer tudo o que me falta fazer, mais dez anos para me despedir de todos aqueles que eu gostava… mais dois anos para planear o meu funeral… mais duas horas para sentir pena de mim própria… Enfim, pelos meus cálculos matava-me para aí com oitenta anos se começasse a planear desde já.
Ficaram tantas coisas por acabar. Tantas coisas por fazer. Tantas pessoas a quem não disse adeus.
Os meus livros começados… os meus diários… o meu livro de poemas… Quem lhes dará valor? Quem os irá ler? Quem os deitará para o lixo?
Ficaram tantas coisas para trás.
Como um vazio.
Um pedaço de uma frase que ficou por escrever.
Foi melhor assim…
O silêncio…
Apenas o silêncio… apenas escuridão…
O suficiente para me matar.
Sempre odiei o silêncio. Enlouquecia-me. A possibilidade de ficar totalmente só, apenas com o silêncio a murmurar-me palavras tristes ao ouvido constituía o meu pior pesadelo.
O silêncio não faz sentido…
Talvez seja bom para os vegetais que de nada mais precisam além de um pouco de água e terra para os proteger.
Eu preciso de muito mais…
Há momentos na vida que não são dignos de registo se não tiverem uma música que os acompanhe.
Há palavras que soam vazias e até mesmo ridículas se não tiverem uma melodia que as ajude a respirar.
Como um filme sem banda sonora…
Neste momento não me preocupo com isso.
Quero apenas o silêncio.
Poder contemplar a minha existência na escuridão e aproveitar os últimos rasgos de lucidez que me restam.
O suficiente para me matar…
Pouco a pouco…
O suficiente para criar uma música que acompanhe este momento. Para que ele dure para sempre…
Um pouco de silêncio para me lembrar de todos os momentos de extrema e enojante felicidade que passei contigo.
E sentir pena de mim própria.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Old friends…
Tenho uma pequena colecção de imagens que me acompanham, e uma ainda maior de imagens que há muito me deixaram. Fotografias… Adoro-as simplesmente. Não gosto de me ver fotografada, mas que melhor maneira há de ver as pequenas mudanças que ocorrem na nossa vida e que ficam de alguma forma misteriosa gravadas no nosso rosto. E melhor ainda, as mudanças no rosto daqueles que nos acompanharam no caminho.
Old friends…
Tantos rostos que ficaram no meu passado e que cada vez que abro o meu álbum me vêm visitar. Tantas situações e conversas gravadas silenciosamente em pedaços de papel em formato 15cm/10cm… Tantos locais visitados e revisitados, ecos de locais que já não existem. Lembranças de momentos marcantes, banais, divertidos, tristes, únicos… momentos simples. A cumplicidade retratada daqueles que momentaneamente partilharam o mesmo espaço e o mesmo tempo.
Old friends…
Tantos rostos que ficaram no meu passado e que cada vez que abro o meu álbum me vêm visitar. Tantas situações e conversas gravadas silenciosamente em pedaços de papel em formato 15cm/10cm… Tantos locais visitados e revisitados, ecos de locais que já não existem. Lembranças de momentos marcantes, banais, divertidos, tristes, únicos… momentos simples. A cumplicidade retratada daqueles que momentaneamente partilharam o mesmo espaço e o mesmo tempo.
domingo, 13 de janeiro de 2008
XIII Capitulo
Sabes o que faço quando me sinto só?
Fecho os olhos…
Não sinto nada além da cálida escuridão. Embrulho-me no odor a caramelo do ponche quente e fico assim durante horas.
Por vezes vêm-me à memória a delicadeza com que seguravas no copo entre as tuas mãos e a doçura com que fechavas os olhos e inspiravas o vapor que se desprendia do ponche, e não consigo deixar de esboçar um sorriso de felicidade.
Apetecia-me fotografar-te…
Captar aquela imagem única… para que ela durasse para sempre…
É uma pena que as fotografias não roubem mesmo a alma, como pensavam os índios. É pena que tudo não passe de uma superstição.
O que eu não daria para possuir os segredos de uma alma como a tua…
O que eu não daria para possuir a perfeição de uma alma como a tua….
Tu eras perfeito…
Tudo em ti era tão especial…
Simples gestos que tu fazias… a forma como seguravas num copo, o teu andar, a forma como colocavas as mãos debaixo do queixo com os cotovelos apoiados na mesa quando prestavas atenção a alguma coisa, a tua mania de cruzares as pernas quando estavas cansado de estar em pé, a forma como fechavas o punho e coçavas o nariz com as articulações dos dedos, a forma como as tuas pupilas dilatavam quando ouvias algo que te deixava feliz…
Passava horas a observar-te, como uma etóloga que realiza um estudo exaustivo sobre o comportamento de um animal raro.
Por vezes quando te observava era assaltada por pensamentos fúteis e egoístas. Desejava que alguém fizesse o mesmo comigo. Que alguém me observasse com a mesma admiração…
Alguém que fosses tu.
Eu teria sido a pessoa mais feliz do mundo se um dia me tivesses dito que eu era perfeita tal como eu era.
“Não ficarias feliz pois não acreditarias.”
É… És capaz de ter razão…
Estou triste.
Não me perguntes porquê.
É como se carregasse toda a tristeza deste mundo nas costas e não tivesse um motivo para tal.
Estou só…
Mais uma vez uma chuva de lágrimas começa nos meus olhos e cai suavemente sobre o teu telhado.
Sabes o que é estar-se só?
Não é estar momentaneamente sozinho em casa ou na rua. Quando estás sozinho tens como companhia a certeza de que alguém pode chegar a qualquer momento…. Chamar pelo teu nome… Sorrir-te… Oferecer-te palavras quentes que te dizem que não estás só neste mundo.
Estar-se só é estar-se completamente sozinho.
É estar no meio de milhões de pessoas e ser-se indiferente a todas elas… é ninguém te sorrir…
A solidão é a morte da alma.
Ele diz-me que não poderei ter paz enquanto não acertar contas com o passado. Enquanto eu não escrever a minha última página. Aquela que começava com o teu nome e acabava com reticências. Aquela onde eu deveria escrever com a consciência tranquila e o coração despreocupado a palavra “Fim”.
“Esquece o que passou”, diz-me ele.
Mas como posso eu esquecer toda a minha vida? Como posso eu esquecer a felicidade?
Diz-me…
Diz-me o que me aconteceu.
Mas o meu Eu continua o mesmo. Algures no escuro… bem perto de mim… ele fala baixinho, por isso tenho que o ouvir com muita atenção.
Eu continuo a mesma.
A mesma que traiu todas as suas convicções e atirou a própria alma ao fogo só por te adorar mais que a própria vida, a mesma com quem dançavas pela rua, a mesma que teria dado a vida por ti…sem pensar duas vezes.
A mesma que não conseguiste entender e por isso mataste.
Fecho os olhos…
Não sinto nada além da cálida escuridão. Embrulho-me no odor a caramelo do ponche quente e fico assim durante horas.
Por vezes vêm-me à memória a delicadeza com que seguravas no copo entre as tuas mãos e a doçura com que fechavas os olhos e inspiravas o vapor que se desprendia do ponche, e não consigo deixar de esboçar um sorriso de felicidade.
Apetecia-me fotografar-te…
Captar aquela imagem única… para que ela durasse para sempre…
É uma pena que as fotografias não roubem mesmo a alma, como pensavam os índios. É pena que tudo não passe de uma superstição.
O que eu não daria para possuir os segredos de uma alma como a tua…
O que eu não daria para possuir a perfeição de uma alma como a tua….
Tu eras perfeito…
Tudo em ti era tão especial…
Simples gestos que tu fazias… a forma como seguravas num copo, o teu andar, a forma como colocavas as mãos debaixo do queixo com os cotovelos apoiados na mesa quando prestavas atenção a alguma coisa, a tua mania de cruzares as pernas quando estavas cansado de estar em pé, a forma como fechavas o punho e coçavas o nariz com as articulações dos dedos, a forma como as tuas pupilas dilatavam quando ouvias algo que te deixava feliz…
Passava horas a observar-te, como uma etóloga que realiza um estudo exaustivo sobre o comportamento de um animal raro.
Por vezes quando te observava era assaltada por pensamentos fúteis e egoístas. Desejava que alguém fizesse o mesmo comigo. Que alguém me observasse com a mesma admiração…
Alguém que fosses tu.
Eu teria sido a pessoa mais feliz do mundo se um dia me tivesses dito que eu era perfeita tal como eu era.
“Não ficarias feliz pois não acreditarias.”
É… És capaz de ter razão…
Estou triste.
Não me perguntes porquê.
É como se carregasse toda a tristeza deste mundo nas costas e não tivesse um motivo para tal.
Estou só…
Mais uma vez uma chuva de lágrimas começa nos meus olhos e cai suavemente sobre o teu telhado.
Sabes o que é estar-se só?
Não é estar momentaneamente sozinho em casa ou na rua. Quando estás sozinho tens como companhia a certeza de que alguém pode chegar a qualquer momento…. Chamar pelo teu nome… Sorrir-te… Oferecer-te palavras quentes que te dizem que não estás só neste mundo.
Estar-se só é estar-se completamente sozinho.
É estar no meio de milhões de pessoas e ser-se indiferente a todas elas… é ninguém te sorrir…
A solidão é a morte da alma.
Ele diz-me que não poderei ter paz enquanto não acertar contas com o passado. Enquanto eu não escrever a minha última página. Aquela que começava com o teu nome e acabava com reticências. Aquela onde eu deveria escrever com a consciência tranquila e o coração despreocupado a palavra “Fim”.
“Esquece o que passou”, diz-me ele.
Mas como posso eu esquecer toda a minha vida? Como posso eu esquecer a felicidade?
Diz-me…
Diz-me o que me aconteceu.
Mas o meu Eu continua o mesmo. Algures no escuro… bem perto de mim… ele fala baixinho, por isso tenho que o ouvir com muita atenção.
Eu continuo a mesma.
A mesma que traiu todas as suas convicções e atirou a própria alma ao fogo só por te adorar mais que a própria vida, a mesma com quem dançavas pela rua, a mesma que teria dado a vida por ti…sem pensar duas vezes.
A mesma que não conseguiste entender e por isso mataste.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
Sabes que dia é hoje?
Sabes que dia é hoje?
É Natal…
“O Natal é quando o Homem quiser!”
Grande peta!
O Natal é só no dia 25 de Dezembro e é preciso ter dinheiro para isso.
Lembro-me de que quando estava viva não achava piada nenhuma ao Natal. Aliás, até me dava raiva todo aquele desperdício de electricidade nas ruas iluminadas, o sorriso estúpido no rosto das criancinhas, o instinto consumista que entrava em erupção, o “tlim” das máquinas registadoras que abriam e fechavam sem parar…
Odiava tudo isto!...
Mas sabes o que eu odiava mais? Mais do que tudo isto era o facto de passar o Natal sozinha.
Nunca tive a família toda em volta da árvore a abrir os presentes.
Ficava à espera que o Pai Natal descesse pela chaminé que não havia, mas ele nunca apareceu…
Estou a ser demasiado piegas… não ligues!
A verdade é que nem todos os meus Natais foram maus, mas dos bons eu não me consigo lembrar.
Estava sozinha…
Tal como estou agora…
É noite de Natal…
Vagueio pelas ruas desertas e iluminadas.
Cânticos de Natal vêm-me fazer companhia e trazem com eles o cheiro da comida da casa das pessoas.
Estão todas tão felizes!
E eu estou sozinha…
Tal como para um vagabundo, não existe Natal para mim. Não tenho uma casa para onde ir, não tenho um presente à minha espera, não tenho ninguém que me sorri e me deseja feliz Natal.
Mais uma vez estou só…
Não tive coragem para ir a minha casa e muito menos à tua. Seria demasiada tortura ver a tua felicidade e compará-la com a minha tristeza. Seria tortura a mais…
Acho que vou subir a um qualquer telhado e tentar esquecer o Natal…
Só por hoje…
Imaginar que estou contigo.
Que estamos nataliciamente felizes.
Imaginar que não estou só porque te tenho a ti.
Apetece-me suicidar-me...
Têm razão quando dizem que esta é uma das piores alturas do ano para os suicidas.
“Enquanto uns abrem os presentes, outros abrem os pulsos”.
É exactamente o que me apetece fazer agora.
Morrer…
Docemente…
Ao som dos cânticos de Natal…
Como um passarinho que fica preso na neve e morre aos poucos de frio.
Devagarinho…
Silenciosamente…
Protegida pelo sorriso dos outros… pelo cheiro a peru… Iluminada pelas luzes que brilham na rua.
Com aquela sensação de paz que se tem no coração quando estamos quase a adormecer…
Docemente…
Levar-te na alma…
Apetece-me morrer…
Só por hoje… voltar amanhã…
Apetece-me morrer.
Mas desta vez a sério.
Com tudo aquilo a que tenho direito.
Quero anjos… anjos que venham do céu para me buscar. Quero que venham montados em cavalos selvagens…como as valquírias…
Quero-te a ti.
Meu eterno Anjo de Olhos Tristes…
O meu Anjo…
Onde estás tu agora quando eu mais preciso de ti? Logo agora que me sinto voar e não tenho para onde ir.
É tudo tão triste…
Não! Não quero voltar a chorar!... Não vale a pena.
Sabes qual é o mal de tudo?! É a música!
São estes odiosos cânticos de Natal que as pessoas ouvem!
Acho que vou fazer o meu próprio cântico de Natal…
Só com violinos… e violoncelos.
Deitar fogo a todos eles!
Imagina como seria belo… Um Natal ao som de violoncelos e violinos em chamas…
Como seria belo o teu rosto iluminado pelas chamas…
Deus do Céu!!!
É tudo tão belo… É tudo tão triste…
Estou tão cansada…
Apetece-me morrer… Só por hoje.
O Pai Natal deixou-me um presente. A tua imagem emoldurada num pensamento breve.
Estavas tão feliz…
E eu fiquei tão feliz…
Acho que é altura de partir.
Até amanhã…
Feliz Natal Meu Doce Anjo….
É Natal…
“O Natal é quando o Homem quiser!”
Grande peta!
O Natal é só no dia 25 de Dezembro e é preciso ter dinheiro para isso.
Lembro-me de que quando estava viva não achava piada nenhuma ao Natal. Aliás, até me dava raiva todo aquele desperdício de electricidade nas ruas iluminadas, o sorriso estúpido no rosto das criancinhas, o instinto consumista que entrava em erupção, o “tlim” das máquinas registadoras que abriam e fechavam sem parar…
Odiava tudo isto!...
Mas sabes o que eu odiava mais? Mais do que tudo isto era o facto de passar o Natal sozinha.
Nunca tive a família toda em volta da árvore a abrir os presentes.
Ficava à espera que o Pai Natal descesse pela chaminé que não havia, mas ele nunca apareceu…
Estou a ser demasiado piegas… não ligues!
A verdade é que nem todos os meus Natais foram maus, mas dos bons eu não me consigo lembrar.
Estava sozinha…
Tal como estou agora…
É noite de Natal…
Vagueio pelas ruas desertas e iluminadas.
Cânticos de Natal vêm-me fazer companhia e trazem com eles o cheiro da comida da casa das pessoas.
Estão todas tão felizes!
E eu estou sozinha…
Tal como para um vagabundo, não existe Natal para mim. Não tenho uma casa para onde ir, não tenho um presente à minha espera, não tenho ninguém que me sorri e me deseja feliz Natal.
Mais uma vez estou só…
Não tive coragem para ir a minha casa e muito menos à tua. Seria demasiada tortura ver a tua felicidade e compará-la com a minha tristeza. Seria tortura a mais…
Acho que vou subir a um qualquer telhado e tentar esquecer o Natal…
Só por hoje…
Imaginar que estou contigo.
Que estamos nataliciamente felizes.
Imaginar que não estou só porque te tenho a ti.
Apetece-me suicidar-me...
Têm razão quando dizem que esta é uma das piores alturas do ano para os suicidas.
“Enquanto uns abrem os presentes, outros abrem os pulsos”.
É exactamente o que me apetece fazer agora.
Morrer…
Docemente…
Ao som dos cânticos de Natal…
Como um passarinho que fica preso na neve e morre aos poucos de frio.
Devagarinho…
Silenciosamente…
Protegida pelo sorriso dos outros… pelo cheiro a peru… Iluminada pelas luzes que brilham na rua.
Com aquela sensação de paz que se tem no coração quando estamos quase a adormecer…
Docemente…
Levar-te na alma…
Apetece-me morrer…
Só por hoje… voltar amanhã…
Apetece-me morrer.
Mas desta vez a sério.
Com tudo aquilo a que tenho direito.
Quero anjos… anjos que venham do céu para me buscar. Quero que venham montados em cavalos selvagens…como as valquírias…
Quero-te a ti.
Meu eterno Anjo de Olhos Tristes…
O meu Anjo…
Onde estás tu agora quando eu mais preciso de ti? Logo agora que me sinto voar e não tenho para onde ir.
É tudo tão triste…
Não! Não quero voltar a chorar!... Não vale a pena.
Sabes qual é o mal de tudo?! É a música!
São estes odiosos cânticos de Natal que as pessoas ouvem!
Acho que vou fazer o meu próprio cântico de Natal…
Só com violinos… e violoncelos.
Deitar fogo a todos eles!
Imagina como seria belo… Um Natal ao som de violoncelos e violinos em chamas…
Como seria belo o teu rosto iluminado pelas chamas…
Deus do Céu!!!
É tudo tão belo… É tudo tão triste…
Estou tão cansada…
Apetece-me morrer… Só por hoje.
O Pai Natal deixou-me um presente. A tua imagem emoldurada num pensamento breve.
Estavas tão feliz…
E eu fiquei tão feliz…
Acho que é altura de partir.
Até amanhã…
Feliz Natal Meu Doce Anjo….
XII Capitulo
Imagina como seris estar viva de novo…
É um bocado difícil…
É como imaginar alguém feio que de repente se torna bonito. É como imaginar que o Sol ilumina a noite e a Lua aquece o dia. É como imaginar que Deus afinal é um cabrão safado que se diverte a lixar a vida dos outros e o Diabo, coitadinho, afinal é o bom da fita.
Imagino todas as coisas que eu poderia estar a fazer se ainda pertencesse ao mundo dos vivos…
Lembras-te do meu riso que ecoava por todos os cantos num raio de 5 km… ou o meu ar de superioridade perante todas as forças destrutivas deste mundo… ou o meu sorriso cínico que eu generosamente distribuía por todos aqueles que eu detestava…
Lembras-te?
Imagina-me a fazer tudo isto de novo.
Sinceramente, sob este ponto de vista, acho que o mundo não perdeu nada com o meu desaparecimento.
É realmente frustrante…
Eu não fiz nada durante a minha efémera passagem por este mundo.
Em dezasseis anos de miserável existência eu não consegui fazer nada de bom, nada que marcou o mundo… Não marquei presença na vida de ninguém.
Como eu gostaria de saber se sentes a minha falta….Se te arrependeste daquilo que me fizeste… Se tens saudades do tempo em que fomos felizes…
Eu poderia saber tudo isto. Como morta tenho esse poder. Mas tenho medo… Talvez porque algo dentro de mim já conheça a resposta e eu tenha medo de a ouvir de novo.
Seria demasiado cruel para mim saber que fui apenas mais uma pessoa que cruzou o teu caminho e que ficou para trás.
Tenho medo de descobrir que afinal não fui ninguém e que nem faz sentido chamar-me “morta” pois requer existir primeiro vida para depois existir a morte.
Tenho medo de descobrir que afinal nem sequer existi…
Foi tudo um sonho…
Foi tudo um sonho…
E eu acordo de manhã na minha cama e sou alguém completamente diferente… Tu nunca exististe na minha vida…
Apenas um sonho…
“Faz um filho, escreve um livro e planta uma árvore.”
Era este o conselho que davam a quem queria deixar uma marca neste mundo.
“Faz um filho….” Não tive tempo para isso. Além do mais acho que seria uma péssima mãe, e a última coisa que eu queria era contribuir para a infelicidade de mais um ser neste planeta.
“Escreve um livro…” Neste ponto eu tentei, juro que tentei, mas eu não nasci dotada de talento e todos aqueles que eu comecei ficaram por acabar pois eram demasiado maus para terem um fim digno.
“Planta uma árvore.” Este ponto concretizei pouco tempo antes de morrer mas não me realizou em nada. Quem se lembra que um dia eu contribui para que haja mais uma ínfima percentagem de oxigénio no planeta? A memória das árvores é muito breve e dura o mesmo que uma moto-serra demora a cortá-las.
A minha vida foi um vazio…
É um bocado difícil…
É como imaginar alguém feio que de repente se torna bonito. É como imaginar que o Sol ilumina a noite e a Lua aquece o dia. É como imaginar que Deus afinal é um cabrão safado que se diverte a lixar a vida dos outros e o Diabo, coitadinho, afinal é o bom da fita.
Imagino todas as coisas que eu poderia estar a fazer se ainda pertencesse ao mundo dos vivos…
Lembras-te do meu riso que ecoava por todos os cantos num raio de 5 km… ou o meu ar de superioridade perante todas as forças destrutivas deste mundo… ou o meu sorriso cínico que eu generosamente distribuía por todos aqueles que eu detestava…
Lembras-te?
Imagina-me a fazer tudo isto de novo.
Sinceramente, sob este ponto de vista, acho que o mundo não perdeu nada com o meu desaparecimento.
É realmente frustrante…
Eu não fiz nada durante a minha efémera passagem por este mundo.
Em dezasseis anos de miserável existência eu não consegui fazer nada de bom, nada que marcou o mundo… Não marquei presença na vida de ninguém.
Como eu gostaria de saber se sentes a minha falta….Se te arrependeste daquilo que me fizeste… Se tens saudades do tempo em que fomos felizes…
Eu poderia saber tudo isto. Como morta tenho esse poder. Mas tenho medo… Talvez porque algo dentro de mim já conheça a resposta e eu tenha medo de a ouvir de novo.
Seria demasiado cruel para mim saber que fui apenas mais uma pessoa que cruzou o teu caminho e que ficou para trás.
Tenho medo de descobrir que afinal não fui ninguém e que nem faz sentido chamar-me “morta” pois requer existir primeiro vida para depois existir a morte.
Tenho medo de descobrir que afinal nem sequer existi…
Foi tudo um sonho…
Foi tudo um sonho…
E eu acordo de manhã na minha cama e sou alguém completamente diferente… Tu nunca exististe na minha vida…
Apenas um sonho…
“Faz um filho, escreve um livro e planta uma árvore.”
Era este o conselho que davam a quem queria deixar uma marca neste mundo.
“Faz um filho….” Não tive tempo para isso. Além do mais acho que seria uma péssima mãe, e a última coisa que eu queria era contribuir para a infelicidade de mais um ser neste planeta.
“Escreve um livro…” Neste ponto eu tentei, juro que tentei, mas eu não nasci dotada de talento e todos aqueles que eu comecei ficaram por acabar pois eram demasiado maus para terem um fim digno.
“Planta uma árvore.” Este ponto concretizei pouco tempo antes de morrer mas não me realizou em nada. Quem se lembra que um dia eu contribui para que haja mais uma ínfima percentagem de oxigénio no planeta? A memória das árvores é muito breve e dura o mesmo que uma moto-serra demora a cortá-las.
A minha vida foi um vazio…
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