domingo, 20 de julho de 2008

Épilogo

Entreguei aqui a minha história pois há muito que já não é minha.
Ofereço-a aos filamentos de fibra óptica, aos rooters, aos satélites...
Ou a quem a ler.
Ou a quem a quiser.
Tal como os iogurtes, também as histórias têm prazo de validade, e este iogurte já expirou há muitos anos.
É um atentado à saúde pública.
Já não o quero.
Não faz sentido.
Tudo o que fez este livro está morto.
A história de amor...
O rapaz...
Não fui eu quem fez o trabalho, mas sei que ele morreu porque o guardei numa caixa em forma de coração e enterrei-o no meu jardim.Plantei por cima roseiras que dão flor todo o ano.
A narradora está morta desde o início.
Tragédia grega de cordel.
Tentativa Shakespeeriana lamentável.
Não faz mal.
Nesta história nã talento mas sim memórias.E é aí que reside a sua principal falha. A memória é mentirosa, manipuladora, esquisofrénica e sociopata. Histórias baseadas em memórias não são credíveis!!!
Não faz mal.
É engraçado como eu nunca consegui dar um nome a esta história.
Que nome se podá dar a uma parte da nossa vida? Haverá algum nome suficientemente bom?
E estranho como dutante várioas anos a senti como um membro amputado. Coçava-a todos os dias. Até fazer sangue. Depois deitava alcool na ferida. Contrariei o adagio popular. Nem tudo o que arde cura.
Cansei-me de gurdar memórias.
Decidi esquecer.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

The end

O meu tempo está realmente a chegar ao fim.
Sabes? Quando comecei esta história, não sabia onde me ia levar. Não tinha qualquer perspectiva, ou objectivo ou intenção. Apenas agarrei numa caneta e descrevi da melhor forma que consegui o que eu sentia. Salvou-me a vida, acredita.
Mas como qualquer história que se preze, também esta chega ao fim. Uma parte de mim da qual eu me estou a despedir.
Entristece-me…
Sempre pensei que não teria que chegar a esta parte. Sempre pensei que de alguma forma tudo isto morreria comigo. Mas algo espantoso fez-me continuar.
Talvez tenhas sido tu….
Esta história também é tua. É para ti.
Será que me achas fútil?
Uma sentimentalóide patética com excesso de tempo entre mãos?
Não importa…
Continua a ser a tua história.
Uma história com um bom começo e difícil de ter um fim.
Uma Never Ending Storie.
Tal como me aconselhaste a fazer…
Diz adeus meu amor.
Desta vez não vou voltar.
Nunca mais voltarei a ti.
Vou tentar esquecer e escrever com a consciência tranquila e o coração despreocupado a palavra

Fim

domingo, 27 de abril de 2008

Capitulo XVIII

O meu tempo etsá a chegar ao fim...
Sim, creio que isto é realmente o fim.
Qua mais se pode dizer a quam já se disse tudo?
Que novidade interessante se pode oferecer a alguém de modo a mudar o rumo da sua vida?... De modo a salvar a sua alma?...
Que mais te poderei dizer?
Que Paraíso distante ou Inferno aterrador esconde a minha alma e que tu ainda desconheças?
Que pensamento fútil ou banalidade inutil ainda não partilhei contigo?
Não sei...
Sinto que após todo este tempo te ofereci tudo aquilo que alguma vez possui... Até mesmo a minha vida.
Nunca me arrependi.
Sinto que o meu tempo está a chegar ao fim.
Que vai ser de mim agora?
Quem salvará a minha alma quando eu me afundar?
Quem se lembrará que um dia eu existi?
Se eu ao menos pudesse começar de novo...
Numa outra vida... Num outro tempo...
Relembro a nossa história como um trailer de cinema... Porque é o melhor.... Imagens soltas... Fantasias impossiveis... Risos... Gritos.... Suspense....
No final é tudo o mesmo...
As luzes apagam-se...
A música termina...
E tudo chega ao fim...
Foi tudo um sonho...
Apenas um sonho....
Um sonho que durou quase dois anos e que de alguma estranha forma foi também a minha realidade... a minha vida...
Porque decidi morrer no meu sonho?
Não sei.
As formas que eu arranjo para fugir à dor são sempre estranhas.
Creio que a subjectividade da palavra “morte” me permite dizer que de facto,...talvez,...nalgum ponto do meu sonho, eu morri realmente.
E os meus sonhos são assustadoramente reais....

quarta-feira, 2 de abril de 2008

BLÁ BLÁ BLÁ....

Na vida tudo tem um começo, um meio e um fim.
É a lógica, são as leis planetárias que conspiram para que assim aconteça.
E quando nos recusamos a seguir a lógica e tentamos alterar a ordem das coisas, saltar partes ou evitar que aconteçam?...
A lógica é implacável, e aquilo que ontem começou, hoje é, e amanhã já estará morto.
Como um livro…
Como uma história de amor…
Como a história dos impérios e das civilizações…
A minha vida vai no meio e espero que o meu fim não seja já amanhã pois ainda há muito que eu quero escrever no meu livro e imprimir a minha marca na história do meu pequeno império privado, da minha civilização decadente.
E as histórias de amor….
Blá blá blá….
Hollywood estragou-nos a cabeça com tantas ideias recheadas de amor romântico, da perfeição dos encontros, das almas gémeas, tudo muito rosa, muito sexo, muitos bebés, felizes para sempre…. A verdade é que o “para sempre” nos filmes dura em média entre 90 a 180 minutos. Nesse espaço de tempo qualquer um consegue ser Hollywoodescamente feliz. O problema é que por norma eles cortam a parte do depois, quando o galã começa a reparar nas mamas de todas as amigas que vão lá a casa, a mocinha começa a tomar anti-depresivos para preencher o vazio que tem na alma e aplacar a vontade de matar os bebés que não param de chorar, cagar fraldas e vomitar-lhe no ombro, as almas gémeas deixam de ser semelhantes, sexo três vezes por mês, contas para pagar, o galã começa a comer a secretária e a mocinha procura conforto nos braços musculados do jardineiro.
Uma frase que eu li e adorei adequa-se perfeitamente ao caso: “Quer romance, compre um livro”!
Mas porque será que apesar de sabermos desde crianças que os filmes não são reais, continuamos a achar que sim, que é aquilo que deve acontecer e qualquer coisa abaixo daquilo é risível e totalmente insatisfatório?
Perfeição…
A eterna utopia do ser humano… E ainda assim estamos rodeados de tantas coisas perfeitas, que com a nossa cegueira pela perfeição absoluta, deixamos passar ao lado.
Como o perfume de um jacinto holandês… Uma queda de água no meio do nada… O fogo que nos aquece no Inverno… O sorriso na boca de quem amamos…
O ser humano é sem duvida um bicho estranho…
Ansiamos pelo céu e quando lá chegamos ficamos desiludidos…. Sentimo-nos ultrajados pois esperávamos muito mais… Frustramos as nossas expectativas….
Na história da nossa vida, desprezamos o começo, estragamos o meio e fodemos qualquer possibilidade de um fim perfeito.
Acho que o ideal seria aprender com o começo, viver o meio e sonhar com o fim.

domingo, 30 de março de 2008

Capitulo XVII

Deixa-me contar-te a história de uma escola cinzenta e triste, e de um colete marroquino tecido com todas as cores da felicidade.
Deixa-me falar-te acerca de tardes passadas a beber Malibu com Cola, e de como gastávamos dinheiro inconscientemente naquela altura…
Deixa-me falar um pouco acerca de ti e de como conseguiste trazer cor a uma escola cinzenta. Bom, se não a coloriste toda, ao menos conseguiste colorir uma parte. A parte que os meus olhos conseguiam alcançar.
Horas passadas em Pubs bebendo Malibu com Cola, partilhando sonhos e a mesma palhinha.
Não me lembro de uma Primavera como aquela...
Deixa-me falar da felicidade e do engano da alma....
Deixa-me falar acerca de gostar de estar viva pela primeira vez na vida.
Uma tarde... Três horas num bar a beber Senas e licor de ginja. Perdidos nas horas, palando sobre o passado, o presente e o futuro.
Deixa-me falr acerca do dia em que vi o mundo através dos olhos de um anjo. Tu, sentado na base de cimento dum mastro de bandeira, mesmo à minha frente, falando de frustrações, solidão e das tuas viagens.
Deixa-me falar do renascimento de uma alma esquecida. De como as tuas histórias e risos e olhares e sonhos a fizeram ressuscitar.
Será que o poderás fazer de novo?
Melhor ainda, será que estás disposto?
Penso que não...
Ainda assim, deixa-me falar acerca de simplicidade e da inocência...
Da tua inocência...
Momentos de riso incontrolável nas alturas mais inconvenientes.
Cumplicidade levada ao extremo.
Uma alma demasiado grande para habitar um só corpo e que por isso se dividiu em dois.
O teu...
O meu...
O que aconteceu à alma, agora que um dos corpos morreu?
Que foi que nos aconteceu?
Nada de especial...
Tu continuas a tua vida....
Eu continuo a minha morte...
Dois caminhos diferentes e ainda assim tanto em comum.
Nenhum dos dois está feliz.
Magoa-me sabê-lo.
Onde foi que perdeste esses sorrisos, todos diferentes e que podiam iluminar a vida de uma pessoa?
E esse entusiasmo que dançava nos teus olhos e que dedicavas a cada novidade?
E essa tus inocência...
O que aconteceu a essa inocência que me fazia adorar-te mais que tudo o que se movia e respirava?
Que ainda me faz adorar-te...
Ainda assim, deixa-me falar acerca da felicidade...
De como um dia eu fui feliz até aos extremos da rtealidade.
Não precisei de muito...
Naquela altura a minha vida andava um caos... os meus amigos contavam-se pelos dedos de uma mão... Ainda assim, falem-me de felicidade e lembrar-me-ei para sempre de ti.
Como era fácil adorar-te! Como era fácil ser feliz só pelo facto de te adorar!
Mergulhar nos teus olhos e saber que se um dia essees olhos se fechassem eu morreria também.
True love...
Ou amores verdadeiro... como preferirem.
Hoje sei que encontrei o meu.
E fico feliz.
Fico feliz pois encontrei algo que muitos levam várias vidas para encontrar.
Fico feliz pois um dia bebemos Malibu com Cola e partilhámos sonhos, muitos sonhos... e a mesma palhinha.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Momento franciu

Para a minha mais assidua leitora blóguica, aqui vai um cheirinho franciu, que bem podia ser o "Paris" de Yves Saint Laurent, ou um petit Jean Paul Gaultier, ou quem sabe um produto contrafeito do mercado com um cheiro pestilento e tendências a provocar alergias.
Bem sei que partilhas os meus gostos musicais, e assim, suspira e delicia-te com este pequeno momento franciu, só pa ti!

Não tenho a música, só a letra, além disso tás a trabalhar, não podes estar a ouvir música. Lembra-te que tens que manter as aparencias de menina trabalhadora!!!


Je t'aimais, je t'aime et je t'aimerai...

Mon enfant, nue sur les galets,
Le vent dans tes cheveux défaits,
Comme un printemps sur mon trajet,
Un diamant tombé d'un coffret.

Seule la lumière pourrait
Défaire nos repères secrets
Où mes doigts pris sur tes poignets,
Je t'aimais, je t'aime et je t'aimerai...

Quoi que tu fasses, l'amour est partout ou tu regardes
Dans les moindres recoins de l'espace,
Dans le moindre rêve ou tu t'attardes
L'amour, comme s'il en pleuvait,
Nu sur les galets...

Le ciel prétend qu'il te connait
Il est si beau c'est sûrement vrai.
Lui qui s'approche jamais
Je l'ai vu pris dans tes filets.

Le monde a tellement de regrets
Tellement de choses qu'on promet.
Une seule pour laquelle je suis fait
Je t'aimais, je t'aime et je t'aimerai...

Quoi que tu fasses, l'amour est partout ou tu regardes,
Dans les moindres recoins de l'espace,
Dans le moindre rêve ou tu t'attardes.
L'amour, comme s'il en pleuvait,
Nu sur les galets...

On s'envolera du même quai
Les yeux dans les mêmes reflets,
Pour cette vie et celle d'après
Tu seras mon unique projet.

Je m'en irai poser tes portraits
A tous les plafonds de tous les palais,
Sur tous les murs que je trouverai
Et juste en-dessous j'écrirai

Que seule la lumière pourrait...

Et mes doigts pris sur tes poignets,
Je t'aimais, je t'aime et je t'aimerai

domingo, 9 de março de 2008

XVI Capítulo




Continuo a girar à tua volta como uma pobre borboleta tonta, ofuscada pela tua luz. Eu sei que mais cedo ou mais tarde ela acabará por me aniquilar, mas ainda assim não me consigo afastar.
Triste… Uma pobre borboleta insignificante… Uma borboleta que percorre os confins da noite à procura da tua luz, para me aquecer, para me embriagar.
Torna-me vulnerável, como um aviso aos sádicos que eventualmente acabarão por me esborrachar contra a parede, mas ainda assim não faz mal. Aceito esse risco como uma justificação e desculpa para a minha felicidade.
Felicidade…
Estranha forma de felicidade…
O Passado vem ter comigo e atira-me à cara que será sempre melhor que o presente. Infelizmente sou forçada a concordar com ele.
O passado é sempre melhor que o presente por muito mau que ele tenha sido.
O verbo sofrer conjugado no pretérito perfeito é sempre mais suave que conjugado no presente.
Acho que devia arranjar melhor ocupação para o meu tempo que andar sempre à tua volta, mas peço desculpa, não encontro coisa melhor para fazer.

A verdade é que nunca me dei bem com a “vida”, especialmente com a minha.
Um dia, alguém extremamente sensato aconselhou-me: “Arranja uma vida!”. Na altura encolhi os ombros e barafustei algo incoerente, mas a verdade é que eu até arranjava uma “vida”, se alguma me quisesse.
Basicamente a vida é como o tango, quando um não quer, dois não dançam.
Acho que a vida nunca gostou muito de mim. Um sentimento recíproco, devo confessar.

Passo os dias escondida atrás de um espelho…
Através dele posso ver tudo o que acontece, tudo aquilo que me magoa… No entanto ninguém me pode ver. Tu não me podes ver.
Mesmo se te aproximares para veres o que há do outro lado, a única coisa que verás será a tua imagem reflectida. Uns dias feliz, outros mais pálida e esbatida, outros plena de raiva e amargura.
É sempre o teu reflexo que vês. Nunca eu.
Talvez porque no fundo eu me resuma a isso mesmo: um espelho.
Algo morto e sem personalidade que quando colocado num determinado ângulo reflecte o estado de espírito dos outros. Apenas dos outros…
Eu não sou nada…
Eu não sou ninguém…
Apenas um Espelho…

Voltei a sonhar…
Sonhei que voltava a dar os teus passos e era feliz novamente.
Apenas aquela sensação de paz….
Não me lembro muito bem do sonho. A única sensação que retive foi o prazer de te voltar a tocar novamente. Como quando dançava contigo…
Ou quando me deitava contigo na relva orvalhada…
Senti-me tão feliz…
Estupidamente feliz
Acordei ao som da tua música preferida.
Voltei a ver-te do outro lado do Espelho onde nunca me poderás ver.