domingo, 9 de setembro de 2007

"Galaxie Erotique"...
Enquanto adormecia sentia aquele corpo que dormia do seu lado como se fizesse parte do seu próprio corpo, a textura da pele já lhe era familiar, enquanto dormiam a temperatura subiu, num estado febril começou a relembrar de como tudo tinha acontecido. Do nada, apenas como que por um acto de ilusão provocado pelo melhor ilusionista do mundo. Estava olhos nos olhos com aquele olhar que lhe prendia a atenção e dificultava a respiração, os pensamentos tornavam-se vagos e tudo o que passava na sua cabeça era a cor daqueles olhos que o olhavam com uma doçura e inocência que nunca antes sentira. Quase sem se conhecerem tocaram-se como se já conhecessem todos os cantos do corpo um do outro, a intimidade crescia descontroladamente, tudo parecia etéreo, e demasiado perfeito. Na rua sob o olhar disfarçadamente atento dos transeuntes beijaram-se como se esse fosse o ultimo e sempre o primeiro beijo que dariam, as cores tornavam-se mais brilhantes, e o coração disparava a cada respiração, que se tornava sexualmente ofegante. O tempo não passava, tudo parecia que girava em torno dessa energia que emanava de ambos. Foram para casa, o som era o de uma melodia em francês, "Galaxie Erotique", o ambiente era avermelhado e quente, algo acontecia, tocaram-se envergonhadamente como se quisessem descobrir a reacção a cada toque, despiram-se, a presença de ambos os corpos nus estimulava ainda mais ao toque, enrolados num manto de luz vermelha, mapearam com todos os sentidos cada centimetero de pele, a luz ofuscava os sentidos e a adrenalina aumentava com o odor sexual que emanava da energia que os envolvia, a temperatura subia a cada toque, "Je t'adore, je t'adore" tocava baixinho no radio enquanto que com toda precisão de quem toca num copo de cristal pela primeira vez envolveram-se como se ambos se experimentassem, como se aquela fosse a primeira noite e ao mesmo tempo a ultima, a respiração tornava-se mais forte, os gemidos e as palavras tomaram um volume mais alto, agarraram-se e as unhas fincaram bem fundo na carne nua, em gemidos de prazer alcançaram o êxtase, como se uma cortina os tivesse transportado para uma realidade diferente, onde nada é real. Abraçaram-se e sentiram-se sem que o tempo os afectasse. Dormiram e acordaram como se sempre estivessem estado ali, naquela posição, como se ambos fossem um só.
Acordava hoje com aquele corpo quente, ardentemente febril, que aos poucos desaparecia, sentia o espaço aumentar necessitava que algo ocupasse o lugar vazio do corpo febril que abraçava. Desaparecia, e ele acordou como se tudo fosse um sonho, demasiado perfeito para ser real, demasiado ideal para ser verdadeiro.
Parado na entrada do palácio, vem-lhe a memoria a cor daqueles olhos que o olhavam com uma doçura e inocência que nunca antes sentira. Dentro do palácio varias vozes o chamavam. Lá dentro um odor de luxuria e desprendimento tomavam conta dos corpos dos presentes que se agarravam e possuíam despudoradamente, como que se o final da existência da humanidade se celebrasse naquela noite e não existisse o amanhã, chamavam-no e arrancavam-lhe as roupas. Friamente beijou os primeiros lábios que tocaram os seus, envolveu-se com aquela multidão enlouquecida pelo álcool e pelo cheiro de hormonas que pairava no ar. Sempre com a mesma atitude fria e desprendida de si mesmo deixou-se levar até ao fim, sempre com a imagem daqueles olhos, daquele olhar que lhe prendia a atenção e dificultava a respiração.
Acordou, os desconhecidos que preenchiam agora o vazio, desconcertadamente levantavam-se e saiam, como se nunca se tivessem visto. fechou os olhos e adormeceu.

Sem comentários: