terça-feira, 18 de setembro de 2007

V Capítulo

Se me perguntassem por que é que me apaixonei por ti, acho que não saberia o que responder.
O nosso amor não era racional, não tinha lógica ou método. Se um psicólogo o tentasse estudar, ou desistia ou enlouquecia.
Era impossível.
Não éramos iguais a ninguém.
Não conseguíamos fazer o que os outros faziam, por isso inventamos algo novo.
O nosso amor.
Diferente.
Bom.
Ou talvez não.
Tanto faz…

Aquele dia…
Gostaria do poder descrever, de contar a nossa história, para que mais ninguém caísse nesse engano. Na tentação de cometer o mesmo erro, mas não sou capaz…
Para contar uma história é preciso ter a cabeça fria, não estar envolvido emocionalmente, e eu neste momento… Além disso nunca fui muito boa a contar histórias. Deixava sempre essa tarefa para ti. Tinhas mais imaginação, mais paciência.
Aquele dia…
Uma tarde de primavera…
Estavas lindo…
Umas calças que julgavas serem modelo único, mesmo quando vias cem iguais à tua frente. Tinham tantas manchas que a minha imaginação divagava tentando descobrir como as tinhas feito.
Uma sweat-shirt preta… Era suposto ser preta, mas a tua espuma já a tinha massacrado tanto, que de preta só tinha mesmo o nome.
Os teus cabelos estavam selvaticamente soltos, pois para amargura tua ainda não eram suficientemente compridos para os prenderes, e as toneladas de espumas que lhes punhas escorriam em gotas pelo teu pescoço.
Estavas lindo…
Nesse dia contaste-me que um dia te deste ao trabalho de fazeres uma lista das pessoas que achavas mais feias que tu. Ainda hoje me pergunto como o teu ego e a tua auto-estima exacerbada to permitiram fazer, mas se calhar até fizeste mesmo. No entanto aposto que desististe quando a lista se tornou demasiado extensa.
Como é que não vias que eras lindo?!
Eu sei que nunca ninguém to disse, pelo menos não assim, a bandeiras despregadas, mas é para isso mesmo que eu existo. Para inchar ainda masi esse ego que cobre todo o Universo.
Aquele dia…
Estava tão feliz…
Tu também.
Parecia que todo o mundo estava feliz.
A felicidade é contagiosa.
Mal nós sabíamos o que estava para acontecer.
Ainda bem…
Ainda bem que a vida é feita de ignorância.
Aconteceu tudo tão depressa que nem tive tempo para respirar.
Ente um copo e outro, aconteceu uma vida de emoções e merdas.
Não dei por nada.
Aconteceu tudo tão naturalmente que nem dei pela chegada da felicidade.
Felicidade…
É tão desinteressante.
Não tem história.
Passa ao lado.
Só pensamos nela quando já se foi embora.
Merda! Só de pensar nisso fiquei triste outra vez!
E tu, continuas contente?
“Não tens nada a ver com isso!”
Eu sei que estás feliz.
“Mete-te mas é na tua vida!”
Estás feliz porque eu também estou.
“Somos tão parecidos que até enjoa!”
Não digas isso…
“Porquê?”
Porque é verdade e a mentira é que é boa!
Tu não consegues mentir.
“Quem se rala?”
Eu.
“Estou-me a cagar completamente para ti!”

Isto está errado.
Nós não éramos assim. Dávamo-nos bem, e dávamo-nos mal, mas nunca me trataste mal.
Jogo de engate…
É o melhor da história.
O nosso foi o melhor. Como a foda do século.
Foda que nunca demos, com muita pena minha.
Por vezes penso em sexo…
Sexo…
Suor…
Saliva…
Lágrimas…
Mãos no meu corpo. Mãos que me despem e me arrepiam.
Noites inteiras de sexo louco e selvagem…
Não existiram…
“Azarito, minha amiga”
Fica para a próxima…

O mal de tudo é o amor.
O amor fode tudo, mesmo aquilo que nunca foi fodido.
O amor… Entra na nossa vida como um amigo inesperado que veio para jantar. Sem aviso prévio ele chega e fode todos os nossos planos.
O amor… Creio que o amor é um pouco como a morte. É mau, mas necessário.
Estou morta…
Adoro-te…
Merda!
Dois males de uma só vez! É um pouco demais!
Queria esquecer-te.
Queria deixar de amar.
Assumir o meu papel de morta a tempo inteiro.
Estou farta!
Quero arranjar um morto jeitoso.
Não o quero amar.
Quero fodê-lo até que um de nós parta o esqueleto.
Quero divertir-me!
Quero aproveitar esta morte até que não sobre mais morte para aproveitar.

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