Que fazer quando não se consegue dormir?
Será que não consigo dormir porque não tenho nada para fazer?
Vou dormir sobre o assunto.
quinta-feira, 12 de março de 2009
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Comove-me a bondade alheia
Se calhar é defeito meu, mas não consigo evitar surpreencer-me com a bondade dos seres humanos. Talvez porque nunca conto encontrá-la. E quando essa bondade me é dirigida fico completamente desarmada e confusa. Não sei como reagir, não estou preparada. Já conheci algumas pessaos genuinamente boas, mas perdem-se nas percentagens do meus relacionamentos sociais. Alguns dizem que eu tenho um radar freak instalado de origem, consigo relacionar-me com eles, deve ser porque os freaks se atraem. E a verdade é que os adoro. Ensinaram-me muitas coisas e fizeram-me esquecer outras que já não precisava. Até porque tenho tendência a acumular muito conhecimento inutil.
Conversas com amigos deixam-me sempre um gosto amargo na boca. Estúpido bem sei, mas não consigo ter sentimentos decentes acerca do que quer que seja. Normalmente as conversas entre criaturas que se conhecem circulam à volta de assuntos mais sérios ou mais superficiais. Eu lido um bocado mal com a superficialidade, dá-me sono o que é pessimo quando se quer dar atenção ao outro, mas devo admitir que por vezes as conversas sérias me fazem sentir mais do que desejaria. E eu sou um bocado aversa a sentir. Custa muito. Exige concentração e consciência. Consciência de que sentir costuma doer. Ou então sou eu que sinto demasiado. Os sentimentos tomam conta de mim. Em conversa no outro dia com um amigo disse-lhe exactamente isso, que os meus sentimentos mandam mais que eu. Ele não compreendeu porquê. E agora que repenso na conversa também não consigo perceber como é que é possivel que os sentimentos mandem mais que nós. Quem é que os sentimentos pensam que são?!!!!!!!!!!!!!! Se calhar é por iso que eu evito sentir, para que os sentimentos não mandem mais que eu, para que eu os possa ter em rédea curta. Os sentimentos são como cachorros hiperactivos, quando não tem estimulo suficiente podem destruir a nossa casa. Não tenho paciência para estimular os meus por isso prefiro não os ter.
Mas confesso que por vezes lhes sinto a falta... Sinto falta de me assoberbar com coisas maiores do que quilo que se passa dentro do meu cérebro. Gostava de não me sentir tão dormente.
Conversas com amigos deixam-me sempre um gosto amargo na boca. Estúpido bem sei, mas não consigo ter sentimentos decentes acerca do que quer que seja. Normalmente as conversas entre criaturas que se conhecem circulam à volta de assuntos mais sérios ou mais superficiais. Eu lido um bocado mal com a superficialidade, dá-me sono o que é pessimo quando se quer dar atenção ao outro, mas devo admitir que por vezes as conversas sérias me fazem sentir mais do que desejaria. E eu sou um bocado aversa a sentir. Custa muito. Exige concentração e consciência. Consciência de que sentir costuma doer. Ou então sou eu que sinto demasiado. Os sentimentos tomam conta de mim. Em conversa no outro dia com um amigo disse-lhe exactamente isso, que os meus sentimentos mandam mais que eu. Ele não compreendeu porquê. E agora que repenso na conversa também não consigo perceber como é que é possivel que os sentimentos mandem mais que nós. Quem é que os sentimentos pensam que são?!!!!!!!!!!!!!! Se calhar é por iso que eu evito sentir, para que os sentimentos não mandem mais que eu, para que eu os possa ter em rédea curta. Os sentimentos são como cachorros hiperactivos, quando não tem estimulo suficiente podem destruir a nossa casa. Não tenho paciência para estimular os meus por isso prefiro não os ter.
Mas confesso que por vezes lhes sinto a falta... Sinto falta de me assoberbar com coisas maiores do que quilo que se passa dentro do meu cérebro. Gostava de não me sentir tão dormente.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Fuck it!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Sei que já não digo nada há muito tempo, mas que se foda, ninguém lê de qualquer maneira!
Sinto-me fodida, e não no sentido bom da palavra!!!!
Pensei que tinha arranjado emprego... Big mistake!!!
Pensei que ia tirar o pé da lama... Big mistake!!!
Pensei que era desta que a minha vida andava para a frente e deixava de ser um parasita nada simbiótico dos meus pais... Big mistake!!!
Tenho 28 anos.... Fuck it!!!!
Se a minha versão de 18 anos viesse hoje ter comigo e visse o que eu fiz com a minha vida... Provavelmente dava-me um grande chocho seguido de um monumental pontapé no traseiro!!!!
Chocho porque eu sou eu e sou sexualmente irresistivel (eheheheheh sure!!!) e porque tenho alguém que eu amo e me ama também, mas o pontapé, mais que merecido, seria por causa da minha triste e inexistente carreira profissional.
Durante a minha atribulada e fantástica adolescência o que me mais atormentava era a minha vida sentimental... a incerteza de vir a ser algum dia feliz neste departamento... Assunto tratado!!! Mas curiosamente a vida profissional nunca me stressou muito porque sempre achei que tirando o meu curso, estudando, esforçando-me tudo iria dar certo... Big mistake!!!!
Continuo fora da Grande Máquina. O sistema capitalista ainda não começou a consumir-me. Ainda não entrei na engrenagem.
Aos olhos de uns serei coitadinha, aos olhos de outros serei uma vergonha para a minha familia, aos olhos de outros serei uma sortuda dum caraças porque tenho boa vida e não tenho que vergar a mola. Aos meus olhos....Fuck it!!!
Ainda não morri, ainda não passo fome e tenho pessoas neste mundo que me amam. So far so good!!!!
O que o futuro me reserva continua uma feliz incógnita e se me safei até agora, certamente que continuarei a safar-me, com trabalho de preferência...
Seja como for, a todos os que estão na minha situação, muitos miminhos fofos e que corra tudo bem.
E já que estamos em época natalicia...
Fuck Christmas!!!!!!!!!!!!!!!
Porque o Natal já me fodeu e doeu!!!!!
Sinto-me fodida, e não no sentido bom da palavra!!!!
Pensei que tinha arranjado emprego... Big mistake!!!
Pensei que ia tirar o pé da lama... Big mistake!!!
Pensei que era desta que a minha vida andava para a frente e deixava de ser um parasita nada simbiótico dos meus pais... Big mistake!!!
Tenho 28 anos.... Fuck it!!!!
Se a minha versão de 18 anos viesse hoje ter comigo e visse o que eu fiz com a minha vida... Provavelmente dava-me um grande chocho seguido de um monumental pontapé no traseiro!!!!
Chocho porque eu sou eu e sou sexualmente irresistivel (eheheheheh sure!!!) e porque tenho alguém que eu amo e me ama também, mas o pontapé, mais que merecido, seria por causa da minha triste e inexistente carreira profissional.
Durante a minha atribulada e fantástica adolescência o que me mais atormentava era a minha vida sentimental... a incerteza de vir a ser algum dia feliz neste departamento... Assunto tratado!!! Mas curiosamente a vida profissional nunca me stressou muito porque sempre achei que tirando o meu curso, estudando, esforçando-me tudo iria dar certo... Big mistake!!!!
Continuo fora da Grande Máquina. O sistema capitalista ainda não começou a consumir-me. Ainda não entrei na engrenagem.
Aos olhos de uns serei coitadinha, aos olhos de outros serei uma vergonha para a minha familia, aos olhos de outros serei uma sortuda dum caraças porque tenho boa vida e não tenho que vergar a mola. Aos meus olhos....Fuck it!!!
Ainda não morri, ainda não passo fome e tenho pessoas neste mundo que me amam. So far so good!!!!
O que o futuro me reserva continua uma feliz incógnita e se me safei até agora, certamente que continuarei a safar-me, com trabalho de preferência...
Seja como for, a todos os que estão na minha situação, muitos miminhos fofos e que corra tudo bem.
E já que estamos em época natalicia...
Fuck Christmas!!!!!!!!!!!!!!!
Porque o Natal já me fodeu e doeu!!!!!
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Back to Black
Amy Amy...
Dou por mim a compreender a cachopa.
Também sou junkie, nada tão extremo, e é legal!!!! Também eu tento expulsar os demónios através da escrita.
Também amei demais e fodi-me.
O pior é que eu não sou famosa nem tenho nenhum talento especial, o que só me torna mais patética!!!
Só pode ser falta do que fazer!!!!!
Esta é a minha música favorita dela.
Enjoy!!!!
"Back To Black"
He left no time to regret
Kept his dick wet
With his same old safe bet
Me and my head high
And my tears dry
Get on without my guy
You went back to what you knew
So far removed from all that we went through
And I tread a troubled track
My odds are stacked
I'll go back to black
We only said good-bye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to.....
I go back to us
I love you much
It's not enough
You love blow and I love puff
And life is like a pipe
And I'm a tiny penny rolling up the walls inside
We only said goodbye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to
Black, black, black, black, black, black, black,
I go back to
I go back to
We only said good-bye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to
We only said good-bye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to black
Dou por mim a compreender a cachopa.
Também sou junkie, nada tão extremo, e é legal!!!! Também eu tento expulsar os demónios através da escrita.
Também amei demais e fodi-me.
O pior é que eu não sou famosa nem tenho nenhum talento especial, o que só me torna mais patética!!!
Só pode ser falta do que fazer!!!!!
Esta é a minha música favorita dela.
Enjoy!!!!
"Back To Black"
He left no time to regret
Kept his dick wet
With his same old safe bet
Me and my head high
And my tears dry
Get on without my guy
You went back to what you knew
So far removed from all that we went through
And I tread a troubled track
My odds are stacked
I'll go back to black
We only said good-bye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to.....
I go back to us
I love you much
It's not enough
You love blow and I love puff
And life is like a pipe
And I'm a tiny penny rolling up the walls inside
We only said goodbye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to
Black, black, black, black, black, black, black,
I go back to
I go back to
We only said good-bye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to
We only said good-bye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to black
domingo, 20 de julho de 2008
Épilogo
Entreguei aqui a minha história pois há muito que já não é minha.
Ofereço-a aos filamentos de fibra óptica, aos rooters, aos satélites...
Ou a quem a ler.
Ou a quem a quiser.
Tal como os iogurtes, também as histórias têm prazo de validade, e este iogurte já expirou há muitos anos.
É um atentado à saúde pública.
Já não o quero.
Não faz sentido.
Tudo o que fez este livro está morto.
A história de amor...
O rapaz...
Não fui eu quem fez o trabalho, mas sei que ele morreu porque o guardei numa caixa em forma de coração e enterrei-o no meu jardim.Plantei por cima roseiras que dão flor todo o ano.
A narradora está morta desde o início.
Tragédia grega de cordel.
Tentativa Shakespeeriana lamentável.
Não faz mal.
Nesta história nã talento mas sim memórias.E é aí que reside a sua principal falha. A memória é mentirosa, manipuladora, esquisofrénica e sociopata. Histórias baseadas em memórias não são credíveis!!!
Não faz mal.
É engraçado como eu nunca consegui dar um nome a esta história.
Que nome se podá dar a uma parte da nossa vida? Haverá algum nome suficientemente bom?
E estranho como dutante várioas anos a senti como um membro amputado. Coçava-a todos os dias. Até fazer sangue. Depois deitava alcool na ferida. Contrariei o adagio popular. Nem tudo o que arde cura.
Cansei-me de gurdar memórias.
Decidi esquecer.
Ofereço-a aos filamentos de fibra óptica, aos rooters, aos satélites...
Ou a quem a ler.
Ou a quem a quiser.
Tal como os iogurtes, também as histórias têm prazo de validade, e este iogurte já expirou há muitos anos.
É um atentado à saúde pública.
Já não o quero.
Não faz sentido.
Tudo o que fez este livro está morto.
A história de amor...
O rapaz...
Não fui eu quem fez o trabalho, mas sei que ele morreu porque o guardei numa caixa em forma de coração e enterrei-o no meu jardim.Plantei por cima roseiras que dão flor todo o ano.
A narradora está morta desde o início.
Tragédia grega de cordel.
Tentativa Shakespeeriana lamentável.
Não faz mal.
Nesta história nã talento mas sim memórias.E é aí que reside a sua principal falha. A memória é mentirosa, manipuladora, esquisofrénica e sociopata. Histórias baseadas em memórias não são credíveis!!!
Não faz mal.
É engraçado como eu nunca consegui dar um nome a esta história.
Que nome se podá dar a uma parte da nossa vida? Haverá algum nome suficientemente bom?
E estranho como dutante várioas anos a senti como um membro amputado. Coçava-a todos os dias. Até fazer sangue. Depois deitava alcool na ferida. Contrariei o adagio popular. Nem tudo o que arde cura.
Cansei-me de gurdar memórias.
Decidi esquecer.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
The end
O meu tempo está realmente a chegar ao fim.
Sabes? Quando comecei esta história, não sabia onde me ia levar. Não tinha qualquer perspectiva, ou objectivo ou intenção. Apenas agarrei numa caneta e descrevi da melhor forma que consegui o que eu sentia. Salvou-me a vida, acredita.
Mas como qualquer história que se preze, também esta chega ao fim. Uma parte de mim da qual eu me estou a despedir.
Entristece-me…
Sempre pensei que não teria que chegar a esta parte. Sempre pensei que de alguma forma tudo isto morreria comigo. Mas algo espantoso fez-me continuar.
Talvez tenhas sido tu….
Esta história também é tua. É para ti.
Será que me achas fútil?
Uma sentimentalóide patética com excesso de tempo entre mãos?
Não importa…
Continua a ser a tua história.
Uma história com um bom começo e difícil de ter um fim.
Uma Never Ending Storie.
Tal como me aconselhaste a fazer…
Diz adeus meu amor.
Desta vez não vou voltar.
Nunca mais voltarei a ti.
Vou tentar esquecer e escrever com a consciência tranquila e o coração despreocupado a palavra
Fim
Sabes? Quando comecei esta história, não sabia onde me ia levar. Não tinha qualquer perspectiva, ou objectivo ou intenção. Apenas agarrei numa caneta e descrevi da melhor forma que consegui o que eu sentia. Salvou-me a vida, acredita.
Mas como qualquer história que se preze, também esta chega ao fim. Uma parte de mim da qual eu me estou a despedir.
Entristece-me…
Sempre pensei que não teria que chegar a esta parte. Sempre pensei que de alguma forma tudo isto morreria comigo. Mas algo espantoso fez-me continuar.
Talvez tenhas sido tu….
Esta história também é tua. É para ti.
Será que me achas fútil?
Uma sentimentalóide patética com excesso de tempo entre mãos?
Não importa…
Continua a ser a tua história.
Uma história com um bom começo e difícil de ter um fim.
Uma Never Ending Storie.
Tal como me aconselhaste a fazer…
Diz adeus meu amor.
Desta vez não vou voltar.
Nunca mais voltarei a ti.
Vou tentar esquecer e escrever com a consciência tranquila e o coração despreocupado a palavra
Fim
domingo, 27 de abril de 2008
Capitulo XVIII
O meu tempo etsá a chegar ao fim...
Sim, creio que isto é realmente o fim.
Qua mais se pode dizer a quam já se disse tudo?
Que novidade interessante se pode oferecer a alguém de modo a mudar o rumo da sua vida?... De modo a salvar a sua alma?...
Que mais te poderei dizer?
Que Paraíso distante ou Inferno aterrador esconde a minha alma e que tu ainda desconheças?
Que pensamento fútil ou banalidade inutil ainda não partilhei contigo?
Não sei...
Sinto que após todo este tempo te ofereci tudo aquilo que alguma vez possui... Até mesmo a minha vida.
Nunca me arrependi.
Sinto que o meu tempo está a chegar ao fim.
Que vai ser de mim agora?
Quem salvará a minha alma quando eu me afundar?
Quem se lembrará que um dia eu existi?
Se eu ao menos pudesse começar de novo...
Numa outra vida... Num outro tempo...
Relembro a nossa história como um trailer de cinema... Porque é o melhor.... Imagens soltas... Fantasias impossiveis... Risos... Gritos.... Suspense....
No final é tudo o mesmo...
As luzes apagam-se...
A música termina...
E tudo chega ao fim...
Foi tudo um sonho...
Apenas um sonho....
Um sonho que durou quase dois anos e que de alguma estranha forma foi também a minha realidade... a minha vida...
Porque decidi morrer no meu sonho?
Não sei.
As formas que eu arranjo para fugir à dor são sempre estranhas.
Creio que a subjectividade da palavra “morte” me permite dizer que de facto,...talvez,...nalgum ponto do meu sonho, eu morri realmente.
E os meus sonhos são assustadoramente reais....
Sim, creio que isto é realmente o fim.
Qua mais se pode dizer a quam já se disse tudo?
Que novidade interessante se pode oferecer a alguém de modo a mudar o rumo da sua vida?... De modo a salvar a sua alma?...
Que mais te poderei dizer?
Que Paraíso distante ou Inferno aterrador esconde a minha alma e que tu ainda desconheças?
Que pensamento fútil ou banalidade inutil ainda não partilhei contigo?
Não sei...
Sinto que após todo este tempo te ofereci tudo aquilo que alguma vez possui... Até mesmo a minha vida.
Nunca me arrependi.
Sinto que o meu tempo está a chegar ao fim.
Que vai ser de mim agora?
Quem salvará a minha alma quando eu me afundar?
Quem se lembrará que um dia eu existi?
Se eu ao menos pudesse começar de novo...
Numa outra vida... Num outro tempo...
Relembro a nossa história como um trailer de cinema... Porque é o melhor.... Imagens soltas... Fantasias impossiveis... Risos... Gritos.... Suspense....
No final é tudo o mesmo...
As luzes apagam-se...
A música termina...
E tudo chega ao fim...
Foi tudo um sonho...
Apenas um sonho....
Um sonho que durou quase dois anos e que de alguma estranha forma foi também a minha realidade... a minha vida...
Porque decidi morrer no meu sonho?
Não sei.
As formas que eu arranjo para fugir à dor são sempre estranhas.
Creio que a subjectividade da palavra “morte” me permite dizer que de facto,...talvez,...nalgum ponto do meu sonho, eu morri realmente.
E os meus sonhos são assustadoramente reais....
quarta-feira, 2 de abril de 2008
BLÁ BLÁ BLÁ....
Na vida tudo tem um começo, um meio e um fim.
É a lógica, são as leis planetárias que conspiram para que assim aconteça.
E quando nos recusamos a seguir a lógica e tentamos alterar a ordem das coisas, saltar partes ou evitar que aconteçam?...
A lógica é implacável, e aquilo que ontem começou, hoje é, e amanhã já estará morto.
Como um livro…
Como uma história de amor…
Como a história dos impérios e das civilizações…
A minha vida vai no meio e espero que o meu fim não seja já amanhã pois ainda há muito que eu quero escrever no meu livro e imprimir a minha marca na história do meu pequeno império privado, da minha civilização decadente.
E as histórias de amor….
Blá blá blá….
Hollywood estragou-nos a cabeça com tantas ideias recheadas de amor romântico, da perfeição dos encontros, das almas gémeas, tudo muito rosa, muito sexo, muitos bebés, felizes para sempre…. A verdade é que o “para sempre” nos filmes dura em média entre 90 a 180 minutos. Nesse espaço de tempo qualquer um consegue ser Hollywoodescamente feliz. O problema é que por norma eles cortam a parte do depois, quando o galã começa a reparar nas mamas de todas as amigas que vão lá a casa, a mocinha começa a tomar anti-depresivos para preencher o vazio que tem na alma e aplacar a vontade de matar os bebés que não param de chorar, cagar fraldas e vomitar-lhe no ombro, as almas gémeas deixam de ser semelhantes, sexo três vezes por mês, contas para pagar, o galã começa a comer a secretária e a mocinha procura conforto nos braços musculados do jardineiro.
Uma frase que eu li e adorei adequa-se perfeitamente ao caso: “Quer romance, compre um livro”!
Mas porque será que apesar de sabermos desde crianças que os filmes não são reais, continuamos a achar que sim, que é aquilo que deve acontecer e qualquer coisa abaixo daquilo é risível e totalmente insatisfatório?
Perfeição…
A eterna utopia do ser humano… E ainda assim estamos rodeados de tantas coisas perfeitas, que com a nossa cegueira pela perfeição absoluta, deixamos passar ao lado.
Como o perfume de um jacinto holandês… Uma queda de água no meio do nada… O fogo que nos aquece no Inverno… O sorriso na boca de quem amamos…
O ser humano é sem duvida um bicho estranho…
Ansiamos pelo céu e quando lá chegamos ficamos desiludidos…. Sentimo-nos ultrajados pois esperávamos muito mais… Frustramos as nossas expectativas….
Na história da nossa vida, desprezamos o começo, estragamos o meio e fodemos qualquer possibilidade de um fim perfeito.
Acho que o ideal seria aprender com o começo, viver o meio e sonhar com o fim.
É a lógica, são as leis planetárias que conspiram para que assim aconteça.
E quando nos recusamos a seguir a lógica e tentamos alterar a ordem das coisas, saltar partes ou evitar que aconteçam?...
A lógica é implacável, e aquilo que ontem começou, hoje é, e amanhã já estará morto.
Como um livro…
Como uma história de amor…
Como a história dos impérios e das civilizações…
A minha vida vai no meio e espero que o meu fim não seja já amanhã pois ainda há muito que eu quero escrever no meu livro e imprimir a minha marca na história do meu pequeno império privado, da minha civilização decadente.
E as histórias de amor….
Blá blá blá….
Hollywood estragou-nos a cabeça com tantas ideias recheadas de amor romântico, da perfeição dos encontros, das almas gémeas, tudo muito rosa, muito sexo, muitos bebés, felizes para sempre…. A verdade é que o “para sempre” nos filmes dura em média entre 90 a 180 minutos. Nesse espaço de tempo qualquer um consegue ser Hollywoodescamente feliz. O problema é que por norma eles cortam a parte do depois, quando o galã começa a reparar nas mamas de todas as amigas que vão lá a casa, a mocinha começa a tomar anti-depresivos para preencher o vazio que tem na alma e aplacar a vontade de matar os bebés que não param de chorar, cagar fraldas e vomitar-lhe no ombro, as almas gémeas deixam de ser semelhantes, sexo três vezes por mês, contas para pagar, o galã começa a comer a secretária e a mocinha procura conforto nos braços musculados do jardineiro.
Uma frase que eu li e adorei adequa-se perfeitamente ao caso: “Quer romance, compre um livro”!
Mas porque será que apesar de sabermos desde crianças que os filmes não são reais, continuamos a achar que sim, que é aquilo que deve acontecer e qualquer coisa abaixo daquilo é risível e totalmente insatisfatório?
Perfeição…
A eterna utopia do ser humano… E ainda assim estamos rodeados de tantas coisas perfeitas, que com a nossa cegueira pela perfeição absoluta, deixamos passar ao lado.
Como o perfume de um jacinto holandês… Uma queda de água no meio do nada… O fogo que nos aquece no Inverno… O sorriso na boca de quem amamos…
O ser humano é sem duvida um bicho estranho…
Ansiamos pelo céu e quando lá chegamos ficamos desiludidos…. Sentimo-nos ultrajados pois esperávamos muito mais… Frustramos as nossas expectativas….
Na história da nossa vida, desprezamos o começo, estragamos o meio e fodemos qualquer possibilidade de um fim perfeito.
Acho que o ideal seria aprender com o começo, viver o meio e sonhar com o fim.
domingo, 30 de março de 2008
Capitulo XVII
Deixa-me contar-te a história de uma escola cinzenta e triste, e de um colete marroquino tecido com todas as cores da felicidade.
Deixa-me falar-te acerca de tardes passadas a beber Malibu com Cola, e de como gastávamos dinheiro inconscientemente naquela altura…
Deixa-me falar um pouco acerca de ti e de como conseguiste trazer cor a uma escola cinzenta. Bom, se não a coloriste toda, ao menos conseguiste colorir uma parte. A parte que os meus olhos conseguiam alcançar.
Horas passadas em Pubs bebendo Malibu com Cola, partilhando sonhos e a mesma palhinha.
Não me lembro de uma Primavera como aquela...
Deixa-me falar da felicidade e do engano da alma....
Deixa-me falar acerca de gostar de estar viva pela primeira vez na vida.
Uma tarde... Três horas num bar a beber Senas e licor de ginja. Perdidos nas horas, palando sobre o passado, o presente e o futuro.
Deixa-me falr acerca do dia em que vi o mundo através dos olhos de um anjo. Tu, sentado na base de cimento dum mastro de bandeira, mesmo à minha frente, falando de frustrações, solidão e das tuas viagens.
Deixa-me falar do renascimento de uma alma esquecida. De como as tuas histórias e risos e olhares e sonhos a fizeram ressuscitar.
Será que o poderás fazer de novo?
Melhor ainda, será que estás disposto?
Penso que não...
Ainda assim, deixa-me falar acerca de simplicidade e da inocência...
Da tua inocência...
Momentos de riso incontrolável nas alturas mais inconvenientes.
Cumplicidade levada ao extremo.
Uma alma demasiado grande para habitar um só corpo e que por isso se dividiu em dois.
O teu...
O meu...
O que aconteceu à alma, agora que um dos corpos morreu?
Que foi que nos aconteceu?
Nada de especial...
Tu continuas a tua vida....
Eu continuo a minha morte...
Dois caminhos diferentes e ainda assim tanto em comum.
Nenhum dos dois está feliz.
Magoa-me sabê-lo.
Onde foi que perdeste esses sorrisos, todos diferentes e que podiam iluminar a vida de uma pessoa?
E esse entusiasmo que dançava nos teus olhos e que dedicavas a cada novidade?
E essa tus inocência...
O que aconteceu a essa inocência que me fazia adorar-te mais que tudo o que se movia e respirava?
Que ainda me faz adorar-te...
Ainda assim, deixa-me falar acerca da felicidade...
De como um dia eu fui feliz até aos extremos da rtealidade.
Não precisei de muito...
Naquela altura a minha vida andava um caos... os meus amigos contavam-se pelos dedos de uma mão... Ainda assim, falem-me de felicidade e lembrar-me-ei para sempre de ti.
Como era fácil adorar-te! Como era fácil ser feliz só pelo facto de te adorar!
Mergulhar nos teus olhos e saber que se um dia essees olhos se fechassem eu morreria também.
True love...
Ou amores verdadeiro... como preferirem.
Hoje sei que encontrei o meu.
E fico feliz.
Fico feliz pois encontrei algo que muitos levam várias vidas para encontrar.
Fico feliz pois um dia bebemos Malibu com Cola e partilhámos sonhos, muitos sonhos... e a mesma palhinha.
Deixa-me falar-te acerca de tardes passadas a beber Malibu com Cola, e de como gastávamos dinheiro inconscientemente naquela altura…
Deixa-me falar um pouco acerca de ti e de como conseguiste trazer cor a uma escola cinzenta. Bom, se não a coloriste toda, ao menos conseguiste colorir uma parte. A parte que os meus olhos conseguiam alcançar.
Horas passadas em Pubs bebendo Malibu com Cola, partilhando sonhos e a mesma palhinha.
Não me lembro de uma Primavera como aquela...
Deixa-me falar da felicidade e do engano da alma....
Deixa-me falar acerca de gostar de estar viva pela primeira vez na vida.
Uma tarde... Três horas num bar a beber Senas e licor de ginja. Perdidos nas horas, palando sobre o passado, o presente e o futuro.
Deixa-me falr acerca do dia em que vi o mundo através dos olhos de um anjo. Tu, sentado na base de cimento dum mastro de bandeira, mesmo à minha frente, falando de frustrações, solidão e das tuas viagens.
Deixa-me falar do renascimento de uma alma esquecida. De como as tuas histórias e risos e olhares e sonhos a fizeram ressuscitar.
Será que o poderás fazer de novo?
Melhor ainda, será que estás disposto?
Penso que não...
Ainda assim, deixa-me falar acerca de simplicidade e da inocência...
Da tua inocência...
Momentos de riso incontrolável nas alturas mais inconvenientes.
Cumplicidade levada ao extremo.
Uma alma demasiado grande para habitar um só corpo e que por isso se dividiu em dois.
O teu...
O meu...
O que aconteceu à alma, agora que um dos corpos morreu?
Que foi que nos aconteceu?
Nada de especial...
Tu continuas a tua vida....
Eu continuo a minha morte...
Dois caminhos diferentes e ainda assim tanto em comum.
Nenhum dos dois está feliz.
Magoa-me sabê-lo.
Onde foi que perdeste esses sorrisos, todos diferentes e que podiam iluminar a vida de uma pessoa?
E esse entusiasmo que dançava nos teus olhos e que dedicavas a cada novidade?
E essa tus inocência...
O que aconteceu a essa inocência que me fazia adorar-te mais que tudo o que se movia e respirava?
Que ainda me faz adorar-te...
Ainda assim, deixa-me falar acerca da felicidade...
De como um dia eu fui feliz até aos extremos da rtealidade.
Não precisei de muito...
Naquela altura a minha vida andava um caos... os meus amigos contavam-se pelos dedos de uma mão... Ainda assim, falem-me de felicidade e lembrar-me-ei para sempre de ti.
Como era fácil adorar-te! Como era fácil ser feliz só pelo facto de te adorar!
Mergulhar nos teus olhos e saber que se um dia essees olhos se fechassem eu morreria também.
True love...
Ou amores verdadeiro... como preferirem.
Hoje sei que encontrei o meu.
E fico feliz.
Fico feliz pois encontrei algo que muitos levam várias vidas para encontrar.
Fico feliz pois um dia bebemos Malibu com Cola e partilhámos sonhos, muitos sonhos... e a mesma palhinha.
quarta-feira, 12 de março de 2008
Momento franciu
Para a minha mais assidua leitora blóguica, aqui vai um cheirinho franciu, que bem podia ser o "Paris" de Yves Saint Laurent, ou um petit Jean Paul Gaultier, ou quem sabe um produto contrafeito do mercado com um cheiro pestilento e tendências a provocar alergias.
Bem sei que partilhas os meus gostos musicais, e assim, suspira e delicia-te com este pequeno momento franciu, só pa ti!
Não tenho a música, só a letra, além disso tás a trabalhar, não podes estar a ouvir música. Lembra-te que tens que manter as aparencias de menina trabalhadora!!!
Je t'aimais, je t'aime et je t'aimerai...
Mon enfant, nue sur les galets,
Le vent dans tes cheveux défaits,
Comme un printemps sur mon trajet,
Un diamant tombé d'un coffret.
Seule la lumière pourrait
Défaire nos repères secrets
Où mes doigts pris sur tes poignets,
Je t'aimais, je t'aime et je t'aimerai...
Quoi que tu fasses, l'amour est partout ou tu regardes
Dans les moindres recoins de l'espace,
Dans le moindre rêve ou tu t'attardes
L'amour, comme s'il en pleuvait,
Nu sur les galets...
Le ciel prétend qu'il te connait
Il est si beau c'est sûrement vrai.
Lui qui s'approche jamais
Je l'ai vu pris dans tes filets.
Le monde a tellement de regrets
Tellement de choses qu'on promet.
Une seule pour laquelle je suis fait
Je t'aimais, je t'aime et je t'aimerai...
Quoi que tu fasses, l'amour est partout ou tu regardes,
Dans les moindres recoins de l'espace,
Dans le moindre rêve ou tu t'attardes.
L'amour, comme s'il en pleuvait,
Nu sur les galets...
On s'envolera du même quai
Les yeux dans les mêmes reflets,
Pour cette vie et celle d'après
Tu seras mon unique projet.
Je m'en irai poser tes portraits
A tous les plafonds de tous les palais,
Sur tous les murs que je trouverai
Et juste en-dessous j'écrirai
Que seule la lumière pourrait...
Et mes doigts pris sur tes poignets,
Je t'aimais, je t'aime et je t'aimerai
Bem sei que partilhas os meus gostos musicais, e assim, suspira e delicia-te com este pequeno momento franciu, só pa ti!
Não tenho a música, só a letra, além disso tás a trabalhar, não podes estar a ouvir música. Lembra-te que tens que manter as aparencias de menina trabalhadora!!!
Je t'aimais, je t'aime et je t'aimerai...
Mon enfant, nue sur les galets,
Le vent dans tes cheveux défaits,
Comme un printemps sur mon trajet,
Un diamant tombé d'un coffret.
Seule la lumière pourrait
Défaire nos repères secrets
Où mes doigts pris sur tes poignets,
Je t'aimais, je t'aime et je t'aimerai...
Quoi que tu fasses, l'amour est partout ou tu regardes
Dans les moindres recoins de l'espace,
Dans le moindre rêve ou tu t'attardes
L'amour, comme s'il en pleuvait,
Nu sur les galets...
Le ciel prétend qu'il te connait
Il est si beau c'est sûrement vrai.
Lui qui s'approche jamais
Je l'ai vu pris dans tes filets.
Le monde a tellement de regrets
Tellement de choses qu'on promet.
Une seule pour laquelle je suis fait
Je t'aimais, je t'aime et je t'aimerai...
Quoi que tu fasses, l'amour est partout ou tu regardes,
Dans les moindres recoins de l'espace,
Dans le moindre rêve ou tu t'attardes.
L'amour, comme s'il en pleuvait,
Nu sur les galets...
On s'envolera du même quai
Les yeux dans les mêmes reflets,
Pour cette vie et celle d'après
Tu seras mon unique projet.
Je m'en irai poser tes portraits
A tous les plafonds de tous les palais,
Sur tous les murs que je trouverai
Et juste en-dessous j'écrirai
Que seule la lumière pourrait...
Et mes doigts pris sur tes poignets,
Je t'aimais, je t'aime et je t'aimerai
domingo, 9 de março de 2008
XVI Capítulo

Continuo a girar à tua volta como uma pobre borboleta tonta, ofuscada pela tua luz. Eu sei que mais cedo ou mais tarde ela acabará por me aniquilar, mas ainda assim não me consigo afastar.
Triste… Uma pobre borboleta insignificante… Uma borboleta que percorre os confins da noite à procura da tua luz, para me aquecer, para me embriagar.
Torna-me vulnerável, como um aviso aos sádicos que eventualmente acabarão por me esborrachar contra a parede, mas ainda assim não faz mal. Aceito esse risco como uma justificação e desculpa para a minha felicidade.
Felicidade…
Estranha forma de felicidade…
O Passado vem ter comigo e atira-me à cara que será sempre melhor que o presente. Infelizmente sou forçada a concordar com ele.
O passado é sempre melhor que o presente por muito mau que ele tenha sido.
O verbo sofrer conjugado no pretérito perfeito é sempre mais suave que conjugado no presente.
Acho que devia arranjar melhor ocupação para o meu tempo que andar sempre à tua volta, mas peço desculpa, não encontro coisa melhor para fazer.
A verdade é que nunca me dei bem com a “vida”, especialmente com a minha.
Um dia, alguém extremamente sensato aconselhou-me: “Arranja uma vida!”. Na altura encolhi os ombros e barafustei algo incoerente, mas a verdade é que eu até arranjava uma “vida”, se alguma me quisesse.
Basicamente a vida é como o tango, quando um não quer, dois não dançam.
Acho que a vida nunca gostou muito de mim. Um sentimento recíproco, devo confessar.
Passo os dias escondida atrás de um espelho…
Através dele posso ver tudo o que acontece, tudo aquilo que me magoa… No entanto ninguém me pode ver. Tu não me podes ver.
Mesmo se te aproximares para veres o que há do outro lado, a única coisa que verás será a tua imagem reflectida. Uns dias feliz, outros mais pálida e esbatida, outros plena de raiva e amargura.
É sempre o teu reflexo que vês. Nunca eu.
Talvez porque no fundo eu me resuma a isso mesmo: um espelho.
Algo morto e sem personalidade que quando colocado num determinado ângulo reflecte o estado de espírito dos outros. Apenas dos outros…
Eu não sou nada…
Eu não sou ninguém…
Apenas um Espelho…
Voltei a sonhar…
Sonhei que voltava a dar os teus passos e era feliz novamente.
Apenas aquela sensação de paz….
Não me lembro muito bem do sonho. A única sensação que retive foi o prazer de te voltar a tocar novamente. Como quando dançava contigo…
Ou quando me deitava contigo na relva orvalhada…
Senti-me tão feliz…
Estupidamente feliz
Acordei ao som da tua música preferida.
Voltei a ver-te do outro lado do Espelho onde nunca me poderás ver.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Fim do XIV Capitulo
Estranho como os mortos também sonham…
Estranho como os nossos sonhos são incrivelmente reais… O passado… Sonhos terrivelmente reais arrastados do passado…
Imagens que se atropelam no meu inconsciente… Palavras que se sobrepõem, como se anterior fosse sempre mais importante que a anterior
Pensamentos que se encadeiam à velocidade dos sonhos, sem coerência ou ponto de ligação. Apenas pensamentos… com uma coisa em comum: tu.
Um leve toque… Um beijo… Ainda te lembras do nosso primeiro beijo?... Deus do Céu! Ainda hoje quando me lembro não consigo evitar sorrir e corar de vergonha…
Palavras soltas…”Porque dizes essas coisas?! O que é preciso para tu entenderes que gosto de ti?!!!!” Aposto que não te lembras destas, mas foram as palavras que me disseste no dia em que quase te vi chorar. E choravas por mim…
Porque é que nunca mais me disseste o que realmente sentias? Porque é que nunca partilhaste os teus pensamentos comigo?
Ainda é tempo.
Agora é a melhor altura… Finge que estamos bêbedos. Eu, com a minha cabeça no teu colo, embrenhada no meu momento cósmico… Tu, encaracolando as pontas do meu cabelo com os teus dedos… Podes contar… Finge que estás sozinho e decidiste desabafar com o silêncio. Eu estou tão bêbeda que nem vou perceber o que dizes. E se conseguir perceber, não me conseguirei lembrar amanhã. Não te preocupes… Eu guardo segredo…Conta-me tudo aquilo que um dia te fez sofrer… Todas as vezes que eu te fiz sofrer… Todas as vezes que te apeteceu rir… Todas as vezes que te apeteceu atirar-me para debaixo das rodas de um camião TIR… Conta-me tudo aquilo que um dia quiseste gritar mas não tiveste coragem… Será o nosso segredo… Eu ouvir-te-ei com a minha cabeça pousada no teu colo. As tuas palavras soar-me-ão distantes, como as palavras de um conto de fadas quando estamos quase a adormecer…
Dá-me palavras que eu possa sentir! Dá-me palavras que eu possa guardar e sentir que são reais.
Dá-me uma razão para eu riscar todas as palavras amargas que escrevi a teu respeito…
Dá-me o arrependimento de te ter julgado mal… Dá-me a certeza de que a crueldade é apenas uma máscara que protege a imensurável sensibilidade da tua alma…
Dá-me a coragem para voltar a fazer tudo aquilo de que arrependi…
Estranho como os nossos sonhos são incrivelmente reais… O passado… Sonhos terrivelmente reais arrastados do passado…
Imagens que se atropelam no meu inconsciente… Palavras que se sobrepõem, como se anterior fosse sempre mais importante que a anterior
Pensamentos que se encadeiam à velocidade dos sonhos, sem coerência ou ponto de ligação. Apenas pensamentos… com uma coisa em comum: tu.
Um leve toque… Um beijo… Ainda te lembras do nosso primeiro beijo?... Deus do Céu! Ainda hoje quando me lembro não consigo evitar sorrir e corar de vergonha…
Palavras soltas…”Porque dizes essas coisas?! O que é preciso para tu entenderes que gosto de ti?!!!!” Aposto que não te lembras destas, mas foram as palavras que me disseste no dia em que quase te vi chorar. E choravas por mim…
Porque é que nunca mais me disseste o que realmente sentias? Porque é que nunca partilhaste os teus pensamentos comigo?
Ainda é tempo.
Agora é a melhor altura… Finge que estamos bêbedos. Eu, com a minha cabeça no teu colo, embrenhada no meu momento cósmico… Tu, encaracolando as pontas do meu cabelo com os teus dedos… Podes contar… Finge que estás sozinho e decidiste desabafar com o silêncio. Eu estou tão bêbeda que nem vou perceber o que dizes. E se conseguir perceber, não me conseguirei lembrar amanhã. Não te preocupes… Eu guardo segredo…Conta-me tudo aquilo que um dia te fez sofrer… Todas as vezes que eu te fiz sofrer… Todas as vezes que te apeteceu rir… Todas as vezes que te apeteceu atirar-me para debaixo das rodas de um camião TIR… Conta-me tudo aquilo que um dia quiseste gritar mas não tiveste coragem… Será o nosso segredo… Eu ouvir-te-ei com a minha cabeça pousada no teu colo. As tuas palavras soar-me-ão distantes, como as palavras de um conto de fadas quando estamos quase a adormecer…
Dá-me palavras que eu possa sentir! Dá-me palavras que eu possa guardar e sentir que são reais.
Dá-me uma razão para eu riscar todas as palavras amargas que escrevi a teu respeito…
Dá-me o arrependimento de te ter julgado mal… Dá-me a certeza de que a crueldade é apenas uma máscara que protege a imensurável sensibilidade da tua alma…
Dá-me a coragem para voltar a fazer tudo aquilo de que arrependi…
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Continuação do XIV Capitulo
O silêncio é revoltante!
Deixa-nos lembrar tudo o que o barulho nos faz esquecer.
Voltei a lembrar-me de como era estar contigo.
AS memórias, tel como a felicidade é como o som de uma porta que se fevhou. Só reparamos nele quando a porta já se fechou.
Lembro-me que naquele tempo era perseguida por uma estranha obsessão pela morte. Tinha um desejo mais forte que a própria vida de morrer.
Pensa-se que só se deseja morrer quando o fardo da nossa pobre existência é demasiado pesado para suportar.
Eu não sei porque queria morrer.
Talvez porque tinha o que de melhor havia no mundo e não tinha paciência para o entender.
Talvez seja aquele instinto que todos os seres têm e que os leva a descansar quando concluem uma obra. A minha deve ter sido uma grande obra pois eu queria descansar para sempre…
O silêncio…
Procuro desesperadamente o silêncio para nele me poder embrulhar e esquecer todos os erros estúpidos que cometi. Esconder a cabeça no silêncio e gritar, gritar…
Inútil…
É tarde demais.
Aparecem no horizonte os primeiro raios de sol e eu sei que é altura de voltar ao meu mundo.
Um mundo em que não há ar, onde o céu não tem estrelas, onde não há som, onde não há cheiros, onde não há luz…Um mundo triste… De perguntas sem respostas… De perguntas com respostas que magoam… Um mundo de solidão e garrafinhas cheias de memórias… Um mundo onde as memórias substituem a vida e têm como centro gravitacional um Eu…
Memórias de um Eu…
Um Eu infeliz e triste que nada tem de estrela e muito menos de heliocêntrico…
Um Eu parecido com este mundo…
O meu mundo…
Deixa-nos lembrar tudo o que o barulho nos faz esquecer.
Voltei a lembrar-me de como era estar contigo.
AS memórias, tel como a felicidade é como o som de uma porta que se fevhou. Só reparamos nele quando a porta já se fechou.
Lembro-me que naquele tempo era perseguida por uma estranha obsessão pela morte. Tinha um desejo mais forte que a própria vida de morrer.
Pensa-se que só se deseja morrer quando o fardo da nossa pobre existência é demasiado pesado para suportar.
Eu não sei porque queria morrer.
Talvez porque tinha o que de melhor havia no mundo e não tinha paciência para o entender.
Talvez seja aquele instinto que todos os seres têm e que os leva a descansar quando concluem uma obra. A minha deve ter sido uma grande obra pois eu queria descansar para sempre…
O silêncio…
Procuro desesperadamente o silêncio para nele me poder embrulhar e esquecer todos os erros estúpidos que cometi. Esconder a cabeça no silêncio e gritar, gritar…
Inútil…
É tarde demais.
Aparecem no horizonte os primeiro raios de sol e eu sei que é altura de voltar ao meu mundo.
Um mundo em que não há ar, onde o céu não tem estrelas, onde não há som, onde não há cheiros, onde não há luz…Um mundo triste… De perguntas sem respostas… De perguntas com respostas que magoam… Um mundo de solidão e garrafinhas cheias de memórias… Um mundo onde as memórias substituem a vida e têm como centro gravitacional um Eu…
Memórias de um Eu…
Um Eu infeliz e triste que nada tem de estrela e muito menos de heliocêntrico…
Um Eu parecido com este mundo…
O meu mundo…
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
XIV Capitulo
Quando bebemos a vida demasiado depressa não conseguimos apreciar o seu verdadeiro sabor.
A vida torna-se um vazio…
Um abismo escuro e sem significado…
Será que acontece o mesmo com a morte?
Será que morri demasiado depressa? Será que vivi demasiado depressa?
Seja como for, ainda bem que morri depressa.
Acho que seria uma péssima suicida. Pelos meus cálculos rápidos de cabeça acho que precisaria de pelo menos cinquenta anos para fazer tudo o que me falta fazer, mais dez anos para me despedir de todos aqueles que eu gostava… mais dois anos para planear o meu funeral… mais duas horas para sentir pena de mim própria… Enfim, pelos meus cálculos matava-me para aí com oitenta anos se começasse a planear desde já.
Ficaram tantas coisas por acabar. Tantas coisas por fazer. Tantas pessoas a quem não disse adeus.
Os meus livros começados… os meus diários… o meu livro de poemas… Quem lhes dará valor? Quem os irá ler? Quem os deitará para o lixo?
Ficaram tantas coisas para trás.
Como um vazio.
Um pedaço de uma frase que ficou por escrever.
Foi melhor assim…
O silêncio…
Apenas o silêncio… apenas escuridão…
O suficiente para me matar.
Sempre odiei o silêncio. Enlouquecia-me. A possibilidade de ficar totalmente só, apenas com o silêncio a murmurar-me palavras tristes ao ouvido constituía o meu pior pesadelo.
O silêncio não faz sentido…
Talvez seja bom para os vegetais que de nada mais precisam além de um pouco de água e terra para os proteger.
Eu preciso de muito mais…
Há momentos na vida que não são dignos de registo se não tiverem uma música que os acompanhe.
Há palavras que soam vazias e até mesmo ridículas se não tiverem uma melodia que as ajude a respirar.
Como um filme sem banda sonora…
Neste momento não me preocupo com isso.
Quero apenas o silêncio.
Poder contemplar a minha existência na escuridão e aproveitar os últimos rasgos de lucidez que me restam.
O suficiente para me matar…
Pouco a pouco…
O suficiente para criar uma música que acompanhe este momento. Para que ele dure para sempre…
Um pouco de silêncio para me lembrar de todos os momentos de extrema e enojante felicidade que passei contigo.
E sentir pena de mim própria.
A vida torna-se um vazio…
Um abismo escuro e sem significado…
Será que acontece o mesmo com a morte?
Será que morri demasiado depressa? Será que vivi demasiado depressa?
Seja como for, ainda bem que morri depressa.
Acho que seria uma péssima suicida. Pelos meus cálculos rápidos de cabeça acho que precisaria de pelo menos cinquenta anos para fazer tudo o que me falta fazer, mais dez anos para me despedir de todos aqueles que eu gostava… mais dois anos para planear o meu funeral… mais duas horas para sentir pena de mim própria… Enfim, pelos meus cálculos matava-me para aí com oitenta anos se começasse a planear desde já.
Ficaram tantas coisas por acabar. Tantas coisas por fazer. Tantas pessoas a quem não disse adeus.
Os meus livros começados… os meus diários… o meu livro de poemas… Quem lhes dará valor? Quem os irá ler? Quem os deitará para o lixo?
Ficaram tantas coisas para trás.
Como um vazio.
Um pedaço de uma frase que ficou por escrever.
Foi melhor assim…
O silêncio…
Apenas o silêncio… apenas escuridão…
O suficiente para me matar.
Sempre odiei o silêncio. Enlouquecia-me. A possibilidade de ficar totalmente só, apenas com o silêncio a murmurar-me palavras tristes ao ouvido constituía o meu pior pesadelo.
O silêncio não faz sentido…
Talvez seja bom para os vegetais que de nada mais precisam além de um pouco de água e terra para os proteger.
Eu preciso de muito mais…
Há momentos na vida que não são dignos de registo se não tiverem uma música que os acompanhe.
Há palavras que soam vazias e até mesmo ridículas se não tiverem uma melodia que as ajude a respirar.
Como um filme sem banda sonora…
Neste momento não me preocupo com isso.
Quero apenas o silêncio.
Poder contemplar a minha existência na escuridão e aproveitar os últimos rasgos de lucidez que me restam.
O suficiente para me matar…
Pouco a pouco…
O suficiente para criar uma música que acompanhe este momento. Para que ele dure para sempre…
Um pouco de silêncio para me lembrar de todos os momentos de extrema e enojante felicidade que passei contigo.
E sentir pena de mim própria.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Old friends…
Tenho uma pequena colecção de imagens que me acompanham, e uma ainda maior de imagens que há muito me deixaram. Fotografias… Adoro-as simplesmente. Não gosto de me ver fotografada, mas que melhor maneira há de ver as pequenas mudanças que ocorrem na nossa vida e que ficam de alguma forma misteriosa gravadas no nosso rosto. E melhor ainda, as mudanças no rosto daqueles que nos acompanharam no caminho.
Old friends…
Tantos rostos que ficaram no meu passado e que cada vez que abro o meu álbum me vêm visitar. Tantas situações e conversas gravadas silenciosamente em pedaços de papel em formato 15cm/10cm… Tantos locais visitados e revisitados, ecos de locais que já não existem. Lembranças de momentos marcantes, banais, divertidos, tristes, únicos… momentos simples. A cumplicidade retratada daqueles que momentaneamente partilharam o mesmo espaço e o mesmo tempo.
Old friends…
Tantos rostos que ficaram no meu passado e que cada vez que abro o meu álbum me vêm visitar. Tantas situações e conversas gravadas silenciosamente em pedaços de papel em formato 15cm/10cm… Tantos locais visitados e revisitados, ecos de locais que já não existem. Lembranças de momentos marcantes, banais, divertidos, tristes, únicos… momentos simples. A cumplicidade retratada daqueles que momentaneamente partilharam o mesmo espaço e o mesmo tempo.
domingo, 13 de janeiro de 2008
XIII Capitulo
Sabes o que faço quando me sinto só?
Fecho os olhos…
Não sinto nada além da cálida escuridão. Embrulho-me no odor a caramelo do ponche quente e fico assim durante horas.
Por vezes vêm-me à memória a delicadeza com que seguravas no copo entre as tuas mãos e a doçura com que fechavas os olhos e inspiravas o vapor que se desprendia do ponche, e não consigo deixar de esboçar um sorriso de felicidade.
Apetecia-me fotografar-te…
Captar aquela imagem única… para que ela durasse para sempre…
É uma pena que as fotografias não roubem mesmo a alma, como pensavam os índios. É pena que tudo não passe de uma superstição.
O que eu não daria para possuir os segredos de uma alma como a tua…
O que eu não daria para possuir a perfeição de uma alma como a tua….
Tu eras perfeito…
Tudo em ti era tão especial…
Simples gestos que tu fazias… a forma como seguravas num copo, o teu andar, a forma como colocavas as mãos debaixo do queixo com os cotovelos apoiados na mesa quando prestavas atenção a alguma coisa, a tua mania de cruzares as pernas quando estavas cansado de estar em pé, a forma como fechavas o punho e coçavas o nariz com as articulações dos dedos, a forma como as tuas pupilas dilatavam quando ouvias algo que te deixava feliz…
Passava horas a observar-te, como uma etóloga que realiza um estudo exaustivo sobre o comportamento de um animal raro.
Por vezes quando te observava era assaltada por pensamentos fúteis e egoístas. Desejava que alguém fizesse o mesmo comigo. Que alguém me observasse com a mesma admiração…
Alguém que fosses tu.
Eu teria sido a pessoa mais feliz do mundo se um dia me tivesses dito que eu era perfeita tal como eu era.
“Não ficarias feliz pois não acreditarias.”
É… És capaz de ter razão…
Estou triste.
Não me perguntes porquê.
É como se carregasse toda a tristeza deste mundo nas costas e não tivesse um motivo para tal.
Estou só…
Mais uma vez uma chuva de lágrimas começa nos meus olhos e cai suavemente sobre o teu telhado.
Sabes o que é estar-se só?
Não é estar momentaneamente sozinho em casa ou na rua. Quando estás sozinho tens como companhia a certeza de que alguém pode chegar a qualquer momento…. Chamar pelo teu nome… Sorrir-te… Oferecer-te palavras quentes que te dizem que não estás só neste mundo.
Estar-se só é estar-se completamente sozinho.
É estar no meio de milhões de pessoas e ser-se indiferente a todas elas… é ninguém te sorrir…
A solidão é a morte da alma.
Ele diz-me que não poderei ter paz enquanto não acertar contas com o passado. Enquanto eu não escrever a minha última página. Aquela que começava com o teu nome e acabava com reticências. Aquela onde eu deveria escrever com a consciência tranquila e o coração despreocupado a palavra “Fim”.
“Esquece o que passou”, diz-me ele.
Mas como posso eu esquecer toda a minha vida? Como posso eu esquecer a felicidade?
Diz-me…
Diz-me o que me aconteceu.
Mas o meu Eu continua o mesmo. Algures no escuro… bem perto de mim… ele fala baixinho, por isso tenho que o ouvir com muita atenção.
Eu continuo a mesma.
A mesma que traiu todas as suas convicções e atirou a própria alma ao fogo só por te adorar mais que a própria vida, a mesma com quem dançavas pela rua, a mesma que teria dado a vida por ti…sem pensar duas vezes.
A mesma que não conseguiste entender e por isso mataste.
Fecho os olhos…
Não sinto nada além da cálida escuridão. Embrulho-me no odor a caramelo do ponche quente e fico assim durante horas.
Por vezes vêm-me à memória a delicadeza com que seguravas no copo entre as tuas mãos e a doçura com que fechavas os olhos e inspiravas o vapor que se desprendia do ponche, e não consigo deixar de esboçar um sorriso de felicidade.
Apetecia-me fotografar-te…
Captar aquela imagem única… para que ela durasse para sempre…
É uma pena que as fotografias não roubem mesmo a alma, como pensavam os índios. É pena que tudo não passe de uma superstição.
O que eu não daria para possuir os segredos de uma alma como a tua…
O que eu não daria para possuir a perfeição de uma alma como a tua….
Tu eras perfeito…
Tudo em ti era tão especial…
Simples gestos que tu fazias… a forma como seguravas num copo, o teu andar, a forma como colocavas as mãos debaixo do queixo com os cotovelos apoiados na mesa quando prestavas atenção a alguma coisa, a tua mania de cruzares as pernas quando estavas cansado de estar em pé, a forma como fechavas o punho e coçavas o nariz com as articulações dos dedos, a forma como as tuas pupilas dilatavam quando ouvias algo que te deixava feliz…
Passava horas a observar-te, como uma etóloga que realiza um estudo exaustivo sobre o comportamento de um animal raro.
Por vezes quando te observava era assaltada por pensamentos fúteis e egoístas. Desejava que alguém fizesse o mesmo comigo. Que alguém me observasse com a mesma admiração…
Alguém que fosses tu.
Eu teria sido a pessoa mais feliz do mundo se um dia me tivesses dito que eu era perfeita tal como eu era.
“Não ficarias feliz pois não acreditarias.”
É… És capaz de ter razão…
Estou triste.
Não me perguntes porquê.
É como se carregasse toda a tristeza deste mundo nas costas e não tivesse um motivo para tal.
Estou só…
Mais uma vez uma chuva de lágrimas começa nos meus olhos e cai suavemente sobre o teu telhado.
Sabes o que é estar-se só?
Não é estar momentaneamente sozinho em casa ou na rua. Quando estás sozinho tens como companhia a certeza de que alguém pode chegar a qualquer momento…. Chamar pelo teu nome… Sorrir-te… Oferecer-te palavras quentes que te dizem que não estás só neste mundo.
Estar-se só é estar-se completamente sozinho.
É estar no meio de milhões de pessoas e ser-se indiferente a todas elas… é ninguém te sorrir…
A solidão é a morte da alma.
Ele diz-me que não poderei ter paz enquanto não acertar contas com o passado. Enquanto eu não escrever a minha última página. Aquela que começava com o teu nome e acabava com reticências. Aquela onde eu deveria escrever com a consciência tranquila e o coração despreocupado a palavra “Fim”.
“Esquece o que passou”, diz-me ele.
Mas como posso eu esquecer toda a minha vida? Como posso eu esquecer a felicidade?
Diz-me…
Diz-me o que me aconteceu.
Mas o meu Eu continua o mesmo. Algures no escuro… bem perto de mim… ele fala baixinho, por isso tenho que o ouvir com muita atenção.
Eu continuo a mesma.
A mesma que traiu todas as suas convicções e atirou a própria alma ao fogo só por te adorar mais que a própria vida, a mesma com quem dançavas pela rua, a mesma que teria dado a vida por ti…sem pensar duas vezes.
A mesma que não conseguiste entender e por isso mataste.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
Sabes que dia é hoje?
Sabes que dia é hoje?
É Natal…
“O Natal é quando o Homem quiser!”
Grande peta!
O Natal é só no dia 25 de Dezembro e é preciso ter dinheiro para isso.
Lembro-me de que quando estava viva não achava piada nenhuma ao Natal. Aliás, até me dava raiva todo aquele desperdício de electricidade nas ruas iluminadas, o sorriso estúpido no rosto das criancinhas, o instinto consumista que entrava em erupção, o “tlim” das máquinas registadoras que abriam e fechavam sem parar…
Odiava tudo isto!...
Mas sabes o que eu odiava mais? Mais do que tudo isto era o facto de passar o Natal sozinha.
Nunca tive a família toda em volta da árvore a abrir os presentes.
Ficava à espera que o Pai Natal descesse pela chaminé que não havia, mas ele nunca apareceu…
Estou a ser demasiado piegas… não ligues!
A verdade é que nem todos os meus Natais foram maus, mas dos bons eu não me consigo lembrar.
Estava sozinha…
Tal como estou agora…
É noite de Natal…
Vagueio pelas ruas desertas e iluminadas.
Cânticos de Natal vêm-me fazer companhia e trazem com eles o cheiro da comida da casa das pessoas.
Estão todas tão felizes!
E eu estou sozinha…
Tal como para um vagabundo, não existe Natal para mim. Não tenho uma casa para onde ir, não tenho um presente à minha espera, não tenho ninguém que me sorri e me deseja feliz Natal.
Mais uma vez estou só…
Não tive coragem para ir a minha casa e muito menos à tua. Seria demasiada tortura ver a tua felicidade e compará-la com a minha tristeza. Seria tortura a mais…
Acho que vou subir a um qualquer telhado e tentar esquecer o Natal…
Só por hoje…
Imaginar que estou contigo.
Que estamos nataliciamente felizes.
Imaginar que não estou só porque te tenho a ti.
Apetece-me suicidar-me...
Têm razão quando dizem que esta é uma das piores alturas do ano para os suicidas.
“Enquanto uns abrem os presentes, outros abrem os pulsos”.
É exactamente o que me apetece fazer agora.
Morrer…
Docemente…
Ao som dos cânticos de Natal…
Como um passarinho que fica preso na neve e morre aos poucos de frio.
Devagarinho…
Silenciosamente…
Protegida pelo sorriso dos outros… pelo cheiro a peru… Iluminada pelas luzes que brilham na rua.
Com aquela sensação de paz que se tem no coração quando estamos quase a adormecer…
Docemente…
Levar-te na alma…
Apetece-me morrer…
Só por hoje… voltar amanhã…
Apetece-me morrer.
Mas desta vez a sério.
Com tudo aquilo a que tenho direito.
Quero anjos… anjos que venham do céu para me buscar. Quero que venham montados em cavalos selvagens…como as valquírias…
Quero-te a ti.
Meu eterno Anjo de Olhos Tristes…
O meu Anjo…
Onde estás tu agora quando eu mais preciso de ti? Logo agora que me sinto voar e não tenho para onde ir.
É tudo tão triste…
Não! Não quero voltar a chorar!... Não vale a pena.
Sabes qual é o mal de tudo?! É a música!
São estes odiosos cânticos de Natal que as pessoas ouvem!
Acho que vou fazer o meu próprio cântico de Natal…
Só com violinos… e violoncelos.
Deitar fogo a todos eles!
Imagina como seria belo… Um Natal ao som de violoncelos e violinos em chamas…
Como seria belo o teu rosto iluminado pelas chamas…
Deus do Céu!!!
É tudo tão belo… É tudo tão triste…
Estou tão cansada…
Apetece-me morrer… Só por hoje.
O Pai Natal deixou-me um presente. A tua imagem emoldurada num pensamento breve.
Estavas tão feliz…
E eu fiquei tão feliz…
Acho que é altura de partir.
Até amanhã…
Feliz Natal Meu Doce Anjo….
É Natal…
“O Natal é quando o Homem quiser!”
Grande peta!
O Natal é só no dia 25 de Dezembro e é preciso ter dinheiro para isso.
Lembro-me de que quando estava viva não achava piada nenhuma ao Natal. Aliás, até me dava raiva todo aquele desperdício de electricidade nas ruas iluminadas, o sorriso estúpido no rosto das criancinhas, o instinto consumista que entrava em erupção, o “tlim” das máquinas registadoras que abriam e fechavam sem parar…
Odiava tudo isto!...
Mas sabes o que eu odiava mais? Mais do que tudo isto era o facto de passar o Natal sozinha.
Nunca tive a família toda em volta da árvore a abrir os presentes.
Ficava à espera que o Pai Natal descesse pela chaminé que não havia, mas ele nunca apareceu…
Estou a ser demasiado piegas… não ligues!
A verdade é que nem todos os meus Natais foram maus, mas dos bons eu não me consigo lembrar.
Estava sozinha…
Tal como estou agora…
É noite de Natal…
Vagueio pelas ruas desertas e iluminadas.
Cânticos de Natal vêm-me fazer companhia e trazem com eles o cheiro da comida da casa das pessoas.
Estão todas tão felizes!
E eu estou sozinha…
Tal como para um vagabundo, não existe Natal para mim. Não tenho uma casa para onde ir, não tenho um presente à minha espera, não tenho ninguém que me sorri e me deseja feliz Natal.
Mais uma vez estou só…
Não tive coragem para ir a minha casa e muito menos à tua. Seria demasiada tortura ver a tua felicidade e compará-la com a minha tristeza. Seria tortura a mais…
Acho que vou subir a um qualquer telhado e tentar esquecer o Natal…
Só por hoje…
Imaginar que estou contigo.
Que estamos nataliciamente felizes.
Imaginar que não estou só porque te tenho a ti.
Apetece-me suicidar-me...
Têm razão quando dizem que esta é uma das piores alturas do ano para os suicidas.
“Enquanto uns abrem os presentes, outros abrem os pulsos”.
É exactamente o que me apetece fazer agora.
Morrer…
Docemente…
Ao som dos cânticos de Natal…
Como um passarinho que fica preso na neve e morre aos poucos de frio.
Devagarinho…
Silenciosamente…
Protegida pelo sorriso dos outros… pelo cheiro a peru… Iluminada pelas luzes que brilham na rua.
Com aquela sensação de paz que se tem no coração quando estamos quase a adormecer…
Docemente…
Levar-te na alma…
Apetece-me morrer…
Só por hoje… voltar amanhã…
Apetece-me morrer.
Mas desta vez a sério.
Com tudo aquilo a que tenho direito.
Quero anjos… anjos que venham do céu para me buscar. Quero que venham montados em cavalos selvagens…como as valquírias…
Quero-te a ti.
Meu eterno Anjo de Olhos Tristes…
O meu Anjo…
Onde estás tu agora quando eu mais preciso de ti? Logo agora que me sinto voar e não tenho para onde ir.
É tudo tão triste…
Não! Não quero voltar a chorar!... Não vale a pena.
Sabes qual é o mal de tudo?! É a música!
São estes odiosos cânticos de Natal que as pessoas ouvem!
Acho que vou fazer o meu próprio cântico de Natal…
Só com violinos… e violoncelos.
Deitar fogo a todos eles!
Imagina como seria belo… Um Natal ao som de violoncelos e violinos em chamas…
Como seria belo o teu rosto iluminado pelas chamas…
Deus do Céu!!!
É tudo tão belo… É tudo tão triste…
Estou tão cansada…
Apetece-me morrer… Só por hoje.
O Pai Natal deixou-me um presente. A tua imagem emoldurada num pensamento breve.
Estavas tão feliz…
E eu fiquei tão feliz…
Acho que é altura de partir.
Até amanhã…
Feliz Natal Meu Doce Anjo….
XII Capitulo
Imagina como seris estar viva de novo…
É um bocado difícil…
É como imaginar alguém feio que de repente se torna bonito. É como imaginar que o Sol ilumina a noite e a Lua aquece o dia. É como imaginar que Deus afinal é um cabrão safado que se diverte a lixar a vida dos outros e o Diabo, coitadinho, afinal é o bom da fita.
Imagino todas as coisas que eu poderia estar a fazer se ainda pertencesse ao mundo dos vivos…
Lembras-te do meu riso que ecoava por todos os cantos num raio de 5 km… ou o meu ar de superioridade perante todas as forças destrutivas deste mundo… ou o meu sorriso cínico que eu generosamente distribuía por todos aqueles que eu detestava…
Lembras-te?
Imagina-me a fazer tudo isto de novo.
Sinceramente, sob este ponto de vista, acho que o mundo não perdeu nada com o meu desaparecimento.
É realmente frustrante…
Eu não fiz nada durante a minha efémera passagem por este mundo.
Em dezasseis anos de miserável existência eu não consegui fazer nada de bom, nada que marcou o mundo… Não marquei presença na vida de ninguém.
Como eu gostaria de saber se sentes a minha falta….Se te arrependeste daquilo que me fizeste… Se tens saudades do tempo em que fomos felizes…
Eu poderia saber tudo isto. Como morta tenho esse poder. Mas tenho medo… Talvez porque algo dentro de mim já conheça a resposta e eu tenha medo de a ouvir de novo.
Seria demasiado cruel para mim saber que fui apenas mais uma pessoa que cruzou o teu caminho e que ficou para trás.
Tenho medo de descobrir que afinal não fui ninguém e que nem faz sentido chamar-me “morta” pois requer existir primeiro vida para depois existir a morte.
Tenho medo de descobrir que afinal nem sequer existi…
Foi tudo um sonho…
Foi tudo um sonho…
E eu acordo de manhã na minha cama e sou alguém completamente diferente… Tu nunca exististe na minha vida…
Apenas um sonho…
“Faz um filho, escreve um livro e planta uma árvore.”
Era este o conselho que davam a quem queria deixar uma marca neste mundo.
“Faz um filho….” Não tive tempo para isso. Além do mais acho que seria uma péssima mãe, e a última coisa que eu queria era contribuir para a infelicidade de mais um ser neste planeta.
“Escreve um livro…” Neste ponto eu tentei, juro que tentei, mas eu não nasci dotada de talento e todos aqueles que eu comecei ficaram por acabar pois eram demasiado maus para terem um fim digno.
“Planta uma árvore.” Este ponto concretizei pouco tempo antes de morrer mas não me realizou em nada. Quem se lembra que um dia eu contribui para que haja mais uma ínfima percentagem de oxigénio no planeta? A memória das árvores é muito breve e dura o mesmo que uma moto-serra demora a cortá-las.
A minha vida foi um vazio…
É um bocado difícil…
É como imaginar alguém feio que de repente se torna bonito. É como imaginar que o Sol ilumina a noite e a Lua aquece o dia. É como imaginar que Deus afinal é um cabrão safado que se diverte a lixar a vida dos outros e o Diabo, coitadinho, afinal é o bom da fita.
Imagino todas as coisas que eu poderia estar a fazer se ainda pertencesse ao mundo dos vivos…
Lembras-te do meu riso que ecoava por todos os cantos num raio de 5 km… ou o meu ar de superioridade perante todas as forças destrutivas deste mundo… ou o meu sorriso cínico que eu generosamente distribuía por todos aqueles que eu detestava…
Lembras-te?
Imagina-me a fazer tudo isto de novo.
Sinceramente, sob este ponto de vista, acho que o mundo não perdeu nada com o meu desaparecimento.
É realmente frustrante…
Eu não fiz nada durante a minha efémera passagem por este mundo.
Em dezasseis anos de miserável existência eu não consegui fazer nada de bom, nada que marcou o mundo… Não marquei presença na vida de ninguém.
Como eu gostaria de saber se sentes a minha falta….Se te arrependeste daquilo que me fizeste… Se tens saudades do tempo em que fomos felizes…
Eu poderia saber tudo isto. Como morta tenho esse poder. Mas tenho medo… Talvez porque algo dentro de mim já conheça a resposta e eu tenha medo de a ouvir de novo.
Seria demasiado cruel para mim saber que fui apenas mais uma pessoa que cruzou o teu caminho e que ficou para trás.
Tenho medo de descobrir que afinal não fui ninguém e que nem faz sentido chamar-me “morta” pois requer existir primeiro vida para depois existir a morte.
Tenho medo de descobrir que afinal nem sequer existi…
Foi tudo um sonho…
Foi tudo um sonho…
E eu acordo de manhã na minha cama e sou alguém completamente diferente… Tu nunca exististe na minha vida…
Apenas um sonho…
“Faz um filho, escreve um livro e planta uma árvore.”
Era este o conselho que davam a quem queria deixar uma marca neste mundo.
“Faz um filho….” Não tive tempo para isso. Além do mais acho que seria uma péssima mãe, e a última coisa que eu queria era contribuir para a infelicidade de mais um ser neste planeta.
“Escreve um livro…” Neste ponto eu tentei, juro que tentei, mas eu não nasci dotada de talento e todos aqueles que eu comecei ficaram por acabar pois eram demasiado maus para terem um fim digno.
“Planta uma árvore.” Este ponto concretizei pouco tempo antes de morrer mas não me realizou em nada. Quem se lembra que um dia eu contribui para que haja mais uma ínfima percentagem de oxigénio no planeta? A memória das árvores é muito breve e dura o mesmo que uma moto-serra demora a cortá-las.
A minha vida foi um vazio…
domingo, 23 de dezembro de 2007
XI Capitulo
Nada acontece.
Nunca…
Não há sol que te queime nem chuva que dissolva a máscara da máscara que um dia criaste.
Tal como o resto da humanidade, também tu nasceste da falta de imaginação de dois amantes numa noite de insónia.
De que nos serve estarmos vivos se não para dissertarmos todas as nossas angustias?
Que nos importa saber que a vida se fenece?
De que nos serve saber que estamos vivos?
Anormalmente vivos…
O Tempo não é mais que um vazio morto entre duas coisas que acontecem.
O Tempo…
É com obsessão que o tento agarrar.
E o Tempo escapasse sempre por entre os meus dedos como grãos de areia.
O Tempo…
Antigamente aborrecia-me. Via-o como um inimigo irritante que passava por mim quando menos o queria ver.
Agora vejo-o como um amigo de longa data que eu procuro desesperadamente, mas do qual desconheço o número de telefone ou a morada.
Nada acontece…
Nunca.
O Tempo senta-se à minha frente e olha-me com olhos tristes, como se fosse um cão a pedir-me para ir à rua.
E eu sinto que tenho tempo para tudo, menos para levar o Tempo a passear
Sinto-me triste…
O Tempo nunca foi meu…
Agora estou a viver em todos os oceanos…
Finalmente descobri o que é que o rapaz fez com a minha velha carcaça.
Sem saber ele realizou o meu último desejo.
É tão estranho estar a passar por isto, e mais estranho ainda é poder contá-lo, mas…
Vi-me morta.
É uma sensação peculiar, acredita. Muito difícil de colocar em palavras pois ninguém vivo a poderá sentir.
Olhar a minha carne seca e acinzentada que já mal conseguia cobrir os ossos e os tendões, o meu cabelo estava sujo e desgrenhado, e os meus olhos… já não estavam , nas órbitas, que eram dois buracos escuros. Ali estava eu, apenas uma casca vazia, como o exoesqueleto de um insecto morto.
O que sentir num momento destes?
Foi o rapaz que trouxe o meu corpo até esta praia.
E nesta mesma praia ele fez a minha cremação.
Tive direito a um funeral celta improvisado com um equipamento desportivo dos tempos modernos. Graciosamente ele substituiu a jangada de troncos de carvalho por uma prancha de surf, e empurrou-me para longe da costa, enviando-me para o meu descanso como os antigos reis e guerreiros.
O que sobrou foram apenas as minhas cinzas que se misturaram com a espuma do mar.
Estou feliz…
Fiquei feliz com o meu fim.
Estúpido, bem sei, mas é como se a minha vida fosse uma peça de teatro à qual fui assistir, e a última cena é exactamente esta: o meu corpo a arder no meio do mar.
E quando finalmente cai o pana, eu levanto-me, aplaudo calorosamente e regresso a casa com a agradável sensação no coração de que o final da peça foi perfeito.
Quanto ao rapaz… Não sei.
A tristeza ainda habita os seus lindos olhos negros, e o vazio não se consumiu com o fogo.
Ainda assim uma parte de mim ficou com aquele rapaz.
Uma parte de mim que eu nunca esquecerei…
Nunca…
Não há sol que te queime nem chuva que dissolva a máscara da máscara que um dia criaste.
Tal como o resto da humanidade, também tu nasceste da falta de imaginação de dois amantes numa noite de insónia.
De que nos serve estarmos vivos se não para dissertarmos todas as nossas angustias?
Que nos importa saber que a vida se fenece?
De que nos serve saber que estamos vivos?
Anormalmente vivos…
O Tempo não é mais que um vazio morto entre duas coisas que acontecem.
O Tempo…
É com obsessão que o tento agarrar.
E o Tempo escapasse sempre por entre os meus dedos como grãos de areia.
O Tempo…
Antigamente aborrecia-me. Via-o como um inimigo irritante que passava por mim quando menos o queria ver.
Agora vejo-o como um amigo de longa data que eu procuro desesperadamente, mas do qual desconheço o número de telefone ou a morada.
Nada acontece…
Nunca.
O Tempo senta-se à minha frente e olha-me com olhos tristes, como se fosse um cão a pedir-me para ir à rua.
E eu sinto que tenho tempo para tudo, menos para levar o Tempo a passear
Sinto-me triste…
O Tempo nunca foi meu…
Agora estou a viver em todos os oceanos…
Finalmente descobri o que é que o rapaz fez com a minha velha carcaça.
Sem saber ele realizou o meu último desejo.
É tão estranho estar a passar por isto, e mais estranho ainda é poder contá-lo, mas…
Vi-me morta.
É uma sensação peculiar, acredita. Muito difícil de colocar em palavras pois ninguém vivo a poderá sentir.
Olhar a minha carne seca e acinzentada que já mal conseguia cobrir os ossos e os tendões, o meu cabelo estava sujo e desgrenhado, e os meus olhos… já não estavam , nas órbitas, que eram dois buracos escuros. Ali estava eu, apenas uma casca vazia, como o exoesqueleto de um insecto morto.
O que sentir num momento destes?
Foi o rapaz que trouxe o meu corpo até esta praia.
E nesta mesma praia ele fez a minha cremação.
Tive direito a um funeral celta improvisado com um equipamento desportivo dos tempos modernos. Graciosamente ele substituiu a jangada de troncos de carvalho por uma prancha de surf, e empurrou-me para longe da costa, enviando-me para o meu descanso como os antigos reis e guerreiros.
O que sobrou foram apenas as minhas cinzas que se misturaram com a espuma do mar.
Estou feliz…
Fiquei feliz com o meu fim.
Estúpido, bem sei, mas é como se a minha vida fosse uma peça de teatro à qual fui assistir, e a última cena é exactamente esta: o meu corpo a arder no meio do mar.
E quando finalmente cai o pana, eu levanto-me, aplaudo calorosamente e regresso a casa com a agradável sensação no coração de que o final da peça foi perfeito.
Quanto ao rapaz… Não sei.
A tristeza ainda habita os seus lindos olhos negros, e o vazio não se consumiu com o fogo.
Ainda assim uma parte de mim ficou com aquele rapaz.
Uma parte de mim que eu nunca esquecerei…
domingo, 16 de dezembro de 2007
Correspondências.....
Andando eu alegremente, trá-lá-lá, a arrumar as minhas merdas escolares, descobri num velho dossier, verdadeiras pérolas do humor português!!!
A verdade é que já há muito que não me ria assim.
É incrível o que o aborrecimento das aulas leva duas criaturas a fazer.
Seguem-se correspondências escolares com alguém que me faz muita falta.
I Capitulo
(…)
Sua espécie de bicha-solitária!
“ Mais vale ser bicha-solitária do que enfiar o dedo no cú para coçar uma reles e pegajosa lombriga!”
Na parte de coçar fala por ti! Tu lá sabes onde enfias o dedo ou outra coisa, não é bichona!
“Mas é por um bom motivo… É para te coçar.”
Eu sei, eu sei que tu me adoras e que a tua bunda não seria a mesma coisa sem mim!
“ Ó more, tu sem essa bichona solitária que tens dentro de ti não serias a mesma coisa, serias MAIS GORDA! Agradece-me!”
Olha bem para mim! Eu tenho ancas de quem tem uma bicha-solitária?!!! Ah!!! I don’t think so!
“E eu tenho bunda de quem te tem enfiada pelo buraco a dentro??!!! AH!! Logo tu! Isso querias tu!!!”
Bunda talvez não… mas cara tens de certeza absoluta! Esse teu sorriso de satisfação é inconfundível. Só mesmo eu para o provocar!
“Sua ténia arraçada de lombriga que nem pedigree tens!”
Pedigree têm os cães, seu lulu rafeiroso!
“Eu ao menos sou um lulu! Tu és um Chiwawa que por vezes desaparece! Oops!
(...)
II Capitulo
(…)
E tu não passas dum sapo leproso!
“Eu ao menos sou um sapo leproso, tu és um peixe semi-decomposto pelas radiações de Chernobil!”
E tu apresentas fortes semelhanças com as vacas nascidas no Japão depois da 2ª Guerra Mundial!
“Pelo menos a minha parecença é desse género. Tu tens semelhanças com os abortos de Chernobil!”
Eu tenho semelhanças, tu és o exemplo de aborto apresentado nas enciclopédias.
“Eu ao menos apareço nas enciclopédias mundiais, tu estás num museu ranhoso de aldeia onde ninguém vai ver a tua cara de peixe mal morto!”
Amiguito! Eu tenho cara de peixe mal morto, tu tiveste a sorte de ter o cheiro!
“Ao menos eu cheiro a peixe mal morto. Tu cheiras a uma pessoa com lepra no seu estado mais fedorento misturado com o suave aroma a doninha fedorenta com escorbuto!”
Eu ao menos ainda tenho doenças. O teu cheiro é tão repelente que nem os vírus se aproximam!
“De mim não se aproximam pelo cheiro, a ti deitaram-te numa vala no meio do deserto pelo teu estado de decomposição e pelo cheiro das bolhas com puz vermelho pastoso que sai dos teus olhos!”
Ridículo…Eu ao menos ainda tenho puz vermelho nos olhos… a lepra há muito que comeu os teus. Já para não falar de toda a fauna e flora que insistes em criar nos dentes…
“Sinceramente tu és patética! Fauna e flora?!! Ah!! (gargalhadas de despreso) Quem és tu para falar de fauna e flora, quando os teus sovacos empestam meio mundo com o cheiro a furúnculos mal cheirosos!”
Agora entendo porque é que passas a vida a comer cogumelos. Colhe-los na plantação privada que conservas …protegida pelos boxers.
“Não sei quem os come, se sou eu, ou… mas há quem goste! O mesmo já não se pode dizer das tuas crostas com puz que escondes por detrás da seda falsificada do mercado!”
… Já me dói o estômago… É que sinceramente… Tu cheiras mal da boca! Não me dirijas mais a caneta!
“Sinceramente duvido que a tua dor de estômago tenha origem no meu suave odor bucal, mas olha que o odor que a tua boca emana, vindo do teu estômago putrefacto é de não merecer mais resposta! Canetas cerrada!”
Graças a Deus!...Oremos irmãos!
“Ámen”
A verdade é que já há muito que não me ria assim.
É incrível o que o aborrecimento das aulas leva duas criaturas a fazer.
Seguem-se correspondências escolares com alguém que me faz muita falta.
I Capitulo
(…)
Sua espécie de bicha-solitária!
“ Mais vale ser bicha-solitária do que enfiar o dedo no cú para coçar uma reles e pegajosa lombriga!”
Na parte de coçar fala por ti! Tu lá sabes onde enfias o dedo ou outra coisa, não é bichona!
“Mas é por um bom motivo… É para te coçar.”
Eu sei, eu sei que tu me adoras e que a tua bunda não seria a mesma coisa sem mim!
“ Ó more, tu sem essa bichona solitária que tens dentro de ti não serias a mesma coisa, serias MAIS GORDA! Agradece-me!”
Olha bem para mim! Eu tenho ancas de quem tem uma bicha-solitária?!!! Ah!!! I don’t think so!
“E eu tenho bunda de quem te tem enfiada pelo buraco a dentro??!!! AH!! Logo tu! Isso querias tu!!!”
Bunda talvez não… mas cara tens de certeza absoluta! Esse teu sorriso de satisfação é inconfundível. Só mesmo eu para o provocar!
“Sua ténia arraçada de lombriga que nem pedigree tens!”
Pedigree têm os cães, seu lulu rafeiroso!
“Eu ao menos sou um lulu! Tu és um Chiwawa que por vezes desaparece! Oops!
(...)
II Capitulo
(…)
E tu não passas dum sapo leproso!
“Eu ao menos sou um sapo leproso, tu és um peixe semi-decomposto pelas radiações de Chernobil!”
E tu apresentas fortes semelhanças com as vacas nascidas no Japão depois da 2ª Guerra Mundial!
“Pelo menos a minha parecença é desse género. Tu tens semelhanças com os abortos de Chernobil!”
Eu tenho semelhanças, tu és o exemplo de aborto apresentado nas enciclopédias.
“Eu ao menos apareço nas enciclopédias mundiais, tu estás num museu ranhoso de aldeia onde ninguém vai ver a tua cara de peixe mal morto!”
Amiguito! Eu tenho cara de peixe mal morto, tu tiveste a sorte de ter o cheiro!
“Ao menos eu cheiro a peixe mal morto. Tu cheiras a uma pessoa com lepra no seu estado mais fedorento misturado com o suave aroma a doninha fedorenta com escorbuto!”
Eu ao menos ainda tenho doenças. O teu cheiro é tão repelente que nem os vírus se aproximam!
“De mim não se aproximam pelo cheiro, a ti deitaram-te numa vala no meio do deserto pelo teu estado de decomposição e pelo cheiro das bolhas com puz vermelho pastoso que sai dos teus olhos!”
Ridículo…Eu ao menos ainda tenho puz vermelho nos olhos… a lepra há muito que comeu os teus. Já para não falar de toda a fauna e flora que insistes em criar nos dentes…
“Sinceramente tu és patética! Fauna e flora?!! Ah!! (gargalhadas de despreso) Quem és tu para falar de fauna e flora, quando os teus sovacos empestam meio mundo com o cheiro a furúnculos mal cheirosos!”
Agora entendo porque é que passas a vida a comer cogumelos. Colhe-los na plantação privada que conservas …protegida pelos boxers.
“Não sei quem os come, se sou eu, ou… mas há quem goste! O mesmo já não se pode dizer das tuas crostas com puz que escondes por detrás da seda falsificada do mercado!”
… Já me dói o estômago… É que sinceramente… Tu cheiras mal da boca! Não me dirijas mais a caneta!
“Sinceramente duvido que a tua dor de estômago tenha origem no meu suave odor bucal, mas olha que o odor que a tua boca emana, vindo do teu estômago putrefacto é de não merecer mais resposta! Canetas cerrada!”
Graças a Deus!...Oremos irmãos!
“Ámen”
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